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Elon Musk diz ter Asperger; veja características do autismo leve

Reprodução do Instagram
Imagem: Reprodução do Instagram

Do VivaBem

09/05/2021 15h37

O bilionário Elon Musk, presidente da Tesla Motors e da SpaceX, contou neste sábado (8), em seu monólogo de abertura do "Saturday Night Live", que tem Síndrome de Asperger —e se gabou de ser a primeira pessoa com a condição a ser convidada para o consagrado programa de entrevista americano. "Ou pelo menos a primeira a admitir (ter a síndrome)", afirmou.

Musk disse ainda: "Sei que disse ou postei coisas estranhas, mas é assim que meu cérebro funciona. Para qualquer pessoa que ofendi, só quero dizer: reinventei os carros elétricos e estou enviando pessoas a Marte em um foguete", declarou. "Vocês acharam que eu seria um cara normal e relaxado?"

O que é a condição?

A Síndrome de Asperger é o nome usado por muitos para classificar o transtorno do espectro autista leve. Pessoas com a condição podem apresentar dificuldade na socialização, ter interesses restritos, dificuldade para dormir e hipersensibilidade auditiva, além de problemas associados como ansiedade e depressão.

Qual a diferença para outros graus de autismo? Em reportagem publicada pelo VivaBem, Joana Portolese, neuropsicóloga e coordenadora do Programa do Transtorno do Espectro Autista do IPq (Instituto de Psiquiatria) da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) explicou que na Síndrome de Asperger as pessoas têm a eficiência intelectual preservada, normalmente não apresentam problemas na fala ou comportamento agressivo e o nível de autonomia é mais fácil de ser alcançado —ou seja, as pessoas conseguem levar uma vida normal.

No entanto, como a maior dificuldade está no contexto social, o autismo leve faz com que os indivíduos com a condição tenham dificuldades de entender linguagem de duplo sentido, sarcasmo, mudanças de tonalidade de voz e até piadas, além de ter dificuldade com imprevistos, situações que saiam do controle ou grandes mudanças na rotina.

São mais inteligentes?

É comum pessoas pensarem que todo o indivíduo com autismo leve tenha uma inteligência acima da média, até por haver pessoas geniais com a condição, como Elon Musk e a jovem ativista ambiental Greta Thunberg —e alguns especialistas acreditam, por exemplo, que Albert Eistein e Wolfgang Mozart tinham quadros leves de autismo.

Realmente, autistas podem ter um quadro chamado de Síndrome de Savant, que consiste no desenvolvimento de uma habilidade específica muito acima da média, geralmente relacionada ao cálculo, à memorização, à aptidão para música e a artes em geral. No entanto, ele só ocorre em aproximadamente 10% das pessoas com o espectro.

Além disso, existem as chamadas ilhas de habilidade. Conforme a psiquiatra Rosa Morais, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, explicou em reportagem do VivaBem, as pessoas com autismo podem desenvolver interesses específicos (por dinossauros, planetas, aviões, carros, pássaros etc.) e se destacarem nessas áreas de conhecimento.

Mas a psicóloga Cintia Duarte, doutora em distúrbios do desenvolvimento e pesquisadora do Laboratório de Transtornos do Espectro do Autismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, alerta na mesma reportagem que receber um diagnóstico de autismo leve não significa necessariamente que a pessoa será um "gênio". Inclusive, é importante não gerar uma falsa expectativa quanto a isso, pois a crença pode levar à exclusão autistas que não possuem habilidades acima da média.

O importante é saber que, com uma rotina bem planejada, qualquer adulto com autismo pode ser um ótimo profissional, preferencialmente executando um trabalho que não envolva riscos, surpresas e imprevistos.

Sinais na infância

Crianças com Síndrome de Asperger costumam ficar isoladas na escola, gostar de só um tipo de brincadeira ou de falar apenas sobre coisas pelas quais se interessam, mesmo que os outros não gostem desses assuntos —e não é raro que sofram bullying por causa de seu comportamento. Mesmo assim, conseguem se adaptar às situações quando recebem acompanhamento médico e de outros profissionais da saúde.

Para que um autista tenha a vida mais normal possível, é importante começar a ter acompanhamento médico desde cedo. A família deve ficar atenta sempre que algo fugir do desenvolvimento esperado, como o atraso na fala, ausência de contato ocular, a criança permanecer isolada, não brincar, não responder quando chamada, girar objetos o tempo todo, repetir movimentos com as mãos e ter interesses peculiares.

Ao notar esses sinais, a recomendação é procurar um especialista o quanto antes, pois o acompanhamento precoce e com estimulação adequada do aprendizado permite ao autista ter mais autonomia, compreensão das coisas e interação social.

O diagnóstico do autismo é feito por uma equipe multidisciplinar, geralmente composta por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e neuropsicólogos. Não existem remédios para o espectro e cada pessoa recebe um tratamento personalizado, com o objetivo de aprender a organizar a rotina e lidar melhor com imprevistos ou situações que saiam do controle.

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