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Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável


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Idoso ao volante: é bom adaptar carro, mas essencial é saber quando parar

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

07/05/2021 04h00

A legislação de trânsito brasileira não especifica idade para parar de dirigir, depende das condições da pessoa. Porém, se a cada dez anos é exigido o exame de aptidão física e mental para renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), de acordo com a nova legislação que entrou em vigor no mês passado, a cada cinco anos para quem tem entre 50 e 70 anos, o prazo cai para três anos para quem tem mais de 70. Essa diminuição de tempo leva em conta as dificuldades do envelhecimento.

Agora, se o idoso passou no teste, mas dentro desse intervalo seu estado de saúde declinou, cabe a ele, com incentivo familiar, deixar o carro de lado.

"As transformações, principalmente após 80, 85 anos, podem acontecer de forma muito abrupta, então entra aí a questão do bom senso. Se o idoso tiver dificuldade para distinguir cores, talvez não seja melhor ele dirigir à noite por uma estrada, por exemplo", alerta Paulo Camiz, geriatra e professor de clínica geral do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Adaptar ou rever o carro tem vantagens

Imagem representativa amp Câmbio automático: 5 erros fatais - Shutterstock - Shutterstock
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Assim como várias atividades diárias passam por mudanças à medida que a idade avança, com o dirigir não é diferente. Mas a boa notícia é que para alguns casos é possível dar uma ajudinha e isso tem a ver com adaptar o carro ou optar por um modelo mais moderno e que compense algumas perdas.

"O carro manual exige uma coordenação maior para algumas tarefas, como engatar marcha, soltar embreagem, apertar pedais. Se o problema do idoso for puramente de limitação motora, eventualmente trocar seu carro por um automático, diminua suas dificuldades e facilite o processo de dirigir", aconselha Natan Chehter, geriatra pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Ele ressalta, no entanto, que isso não exclui uma avaliação médica e de outras questões, que independem do carro auxiliar mais ou menos.

Para além da direção hidráulica e do câmbio automático, a fim de se aumentar a segurança e o desempenho, também podem ser úteis para o idoso sensores de alarme, câmeras de ré, GPS (principalmente se já não reconhece tão bem caminhos), retrovisor com campo de visão maior, volantes ajustáveis, apoios lombares, espelhos antirreflexos, sistemas de controles de velocidade, estabilidade e tração.

Porém, para usar a tecnologia, é necessário o idoso querer e se sentir confortável e a família ter vontade para ensiná-lo e paciência enquanto se acostuma.

O que restringe assumir a direção?

Catarata - iStock - iStock
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Agora, há uma série de doenças ou condições que mesmo em mãos de um possante de última geração, quando não controladas, ou não isoladas, representam obstáculos significativos.

Um conjunto delas, ativas em diferentes sistemas, como alguma disfunção visual (catarata, glaucoma) mais um reflexo mais lento somado, eventualmente, a uma redução de mobilidade, ou uma deficiência auditiva, pode deixar o idoso inapto para dirigir.

Para fazer curvas, manobras bruscas e acessar pedais e comandos mais duros é importante ainda ter firmeza, flexibilidade e não sentir dores. Comuns em idosos, algumas patologias osteoarticulares podem interferir nisso.

"A osteoartrose, desgaste da cartilagem da coluna, pode diminuir os movimentos do pescoço e comprimir a medula, alterando a força e a sensibilidade dos membros", explica Felipe Gargioni Barreto, neurocirurgião pela PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) e especialista em coluna da clínica Personal Ortopedia.

Outras condições representam ainda o fim ou uma limitação da independência no volante. Figuram como preocupações: transtornos, demências, sequelas de AVC e infarto e quando ausentes alterações naturais inerentes ao envelhecimento e que podem comprometer atenção, concentração, memória e retardar respostas no trânsito.

Fora algumas medicações cuja colateralidade afeta os níveis de consciência e causam tontura e sonolência excessiva.

Convencendo o idoso a desacelerar

Idoso dirigindo, homem idoso ao volante com chuva, dirigir na chuva - iStock - iStock
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Pode não ser fácil conscientizar o idoso a diminuir o ritmo, principalmente se ele dirigiu a vida toda. Se estiver na ativa, mas enfraquecendo, vale pedir para evitar vias movimentadas demais, horários de pico ou viagens longas.

Ele pode assumir o volante na região onde mora, por caminhos tranquilos e momentos breves, como para ir até o supermercado. Dirigir com um acompanhante também pode ser uma segurança a mais, assim como sair com o celular ligado e, se possível, instalado com algum aplicativo que permita rastrear sua localização via satélite.

Só não é indicado dirigir esporadicamente, pois o idoso pode perder o hábito e os reflexos necessários para a atividade. Mas cada caso deve ser avaliado individualmente e a palavra final sobre o assunto cabe ao médico, que deve contar com o apoio da família, quando há constatação de comprometimento físico ou cognitivo irreversível ou grave e que ofereça riscos para a saúde e a integridade do idoso e para as demais pessoas nas ruas.

"É uma questão a ser bem avaliada quando se renova a carteira, mas principalmente pelo médico que acompanha esse idoso. Ele tem que ser particularmente vigilante e perguntar ao seu paciente se ele dirige ou não, e feito o diagnóstico de uma ou várias condições que o impeçam de dirigir, informar que já não é mais seguro que ele tenha a carta de motorista e por mais que essa permissão seja válida, que ele não faça isso", explica o geriatra Natan Chehter.

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