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Ter asma não é fator de risco para desenvolver covid-19 grave; entenda

dragana991/iStock
Imagem: dragana991/iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

05/05/2021 14h49

Após o falecimento do humorista Paulo Gustavo, a relação entre asma e casos graves de covid-19 voltou a ser discutida.

Apesar de sofrer do quadro, o ator tinha a asma controlada, o que, de acordo com novas pesquisas, não aumentava seu risco para a doença.

Um novo documento do órgão internacional GINA (The Global Initiative for Asthma) que reúne médicos especialistas em asma, avalia estudos e emite atualizações sobre a doença, mostra que "pessoas com asma não parecem ter um risco aumentado de pegar covid-19, e as revisões sistemáticas não mostraram um risco aumentado de covid-19 grave em pessoas com asma bem controlada de leve a moderada".

Por causa do componente inflamatório e da sua natureza crônica, a asma pode aumentar a chance do desenvolvimento de formas mais graves de pneumonias causadas por vírus e bactérias. Assim, acreditava-se que pacientes com asma seriam mais vulneráveis à infecção pelo Sars-CoV-2, o vírus causador da covid-19.

"Mas ao contrário do que se imaginava no início da pandemia, esse maior risco não foi observado para a maioria, somente para aqueles que possuem quadros graves e não controlados de asma", explica Mauro Gomes, médico pneumologista chefe de equipe de Pneumologia do Hospital Samaritano de São Paulo.

A asma é uma doença que causa a inflamação dos brônquios, deixando-os maiores e sensíveis ao entrarem em contato com pó, determinados odores, cigarro, entre outros, a depender de cada paciente.

Esse inchaço prejudica a passagem do ar e causa sintomas como tosse, falta de ar e chiado no peito.

Pesquisa brasileira também mostrou falta de relação

Em 2020, uma equipe de cientistas brasileiros, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), avaliou a relação entre o diagnóstico prévio de asma e o desenvolvimento de covid-19 nos pacientes infectados. Para isso, os pesquisadores analisarem dados de artigos científicos publicados durante os primeiros seis meses da pandemia.

"A revisão sistemática identificou 1.069 artigos que descreveram os quadros clínicos e antecedentes médicos de 161.271 pacientes com covid-19. O estudo revelou que somente 1,6% dos pacientes tinham diagnóstico prévio de asma", explica o médico e pesquisador Lício Augusto Velloso.*

Pelo descontrole da pandemia, morar no Brasil já é fator de risco

Embora comorbidades possam, sim, aumentar a chance de gravidade da doença, com mais de 410 mil mortes no país, o Sars-CoV-2 já atinge hoje pessoas saudáveis, jovens e sem quaisquer comorbidades.

Uma das explicações para essas mortes seria a tempestade inflamatória que a covid-19 causa no corpo, mas os motivos ainda não estão totalmente claros para a ciência.

Por isso, até que a vacinação alcance pelo menos 70% da população, é essencial continuar usando máscaras e mantendo o distanciamento social.

*Com informações da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp

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