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Grudou cola instantânea? Veja como tirá-la e quando buscar um médico

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

19/04/2021 04h00

Imagina que cena apavorante. Em 2015, uma catarinense teve o olho esquerdo, o rosto e o cabelo colados ao abrir um tubo de uma supercola de efeito instantâneo. À época, em uma postagem nas redes sociais que alcançou mais de 220 mil compartilhamentos e acabou repercutida pela imprensa, a mulher relatou que resolveu forçar a embalagem do produto para reaproveitá-lo e, ao abrir a tampa, recebeu um jato que a fez parar no hospital.

"Momento de desespero, dor (...). Meu olho absolutamente colado, lacrado, sem expectativa nenhuma de abrir. Uma ardência absurda (...). Fiquei sem meus cílios superiores, pois tiveram que ser cortados", contou ela, que precisou ainda esperar os cílios inferiores se desgrudarem sozinhos e se tratar com colírios, pomada e repouso.

Sabendo do caso, a empresa responsável pela cola procurou a consumidora e ainda emitiu um comunicado sobre especificidades do produto, à base de cianoacrilato, substância química líquida incolor que reage com a umidade em segundos, virando um adesivo de alta resistência.

Não é indicado para crianças

Se o manuseio dessa cola de secagem rápida por um adulto requer destreza e cuidados, como limpar com papel o bico da embalagem após seu uso e antes de ser tampada e armazená-la em pé e em lugar seco e fresco, em se tratando de crianças, elas nem devem chegar perto.

"Apesar de a criança ter uma pele com capacidade de regeneração um pouco mais rápida que a do adulto, ela não tem discernimento para manipular um produto que é extremamente lesivo e tóxico, principalmente em grande quantidade", alerta Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra e neonatologista da Academia Americana de Pediatria.

Em caso de se sujarem com ela, podem apresentar quadros sérios, como dermatite de contato, urticárias e até queimaduras químicas, principalmente quando o acometimento da superfície é extenso.

Também estão sujeitos a riscos, com prejuízo na barreira de proteção dérmica, idosos que têm uma pele mais atrófica, ou seja, mais fininha.

E se respingar em olhos e mucosas?

Mulher com olho machucado, tampão no olho, gaze no olho - iStock - iStock
Imagem: iStock

Em caso de contato com os olhos, os fabricantes dessas colas, em conformidade com especialistas, orientam enxaguá-los cuidadosamente com água em abundância. Geralmente também disponibilizam no verso dos tubos esclarecimentos, orientações e contatos.

"As consequências desse tipo de acidente raramente são graves e não há risco de cegueira. Porém, se após lavar os olhos com água morna houver muita irritação ou dor, procure imediatamente serviços médicos e não se medique sem prescrição e nem puxe as pálpebras de maneira brusca e violenta para tentar abrir os olhos, pois podem sofrer traumas", informa Minoru Fujii, oftalmologista do Hospital Cema (SP).

Quando atingidas, áreas sensíveis, com presença de mucosas (lábios, pálpebras), também devem ser lavadas com bastante água morna e ainda sabão neutro. Como a cola preenche e adere rugosidades, é importante uma hidratação local, mas em casos de exposição volumosa ou impossibilidade de abertura de olhos e boca, o certo é correr para o pronto-socorro.

Não tente remover a cola a seco

Fazer isso, em alguns casos, pode até arrancar a pele sem querer. Assim, de acordo com Camila Stangarlin, dermatologista membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da DaVita Serviços Médicos, o método mais indicado e seguro é mergulhar a área "colada", como a mão, em água morna com sabão neutro. Após cerca de 10 minutos tente a remoção, que inclusive pode ser feita nas pontas de dedos com lixa de unha.

"Persistindo ainda algum resíduo, pode imergir o dedo em removedor de esmalte à base de acetona, pois o cianoacrilato é solúvel nessa substância. Deixe secar e depois friccione suavemente para desprender a cola. A aplicação de vaselina no local pode ajudar a retirar o restante", indica a dermatologista.

Também são bem-vindos para separar a cola da pele óleo, margarina e hidratante, enquanto sal rende uma leve esfoliação e ajuda a desgrudar dedos.

"Só não deve se usar removedor de esmaltes em peles e áreas sensíveis, como lábios, nariz, olhos, ou perto de feridas abertas. Também nunca use hastes de algodão para embeber a acetona ao tentar separar a pele da cola, pois ela reage em presença de algodão, irritando a área. Se ficar colada a dentes ou gengiva, deve se procurar atendimento odontológico", explica Máira de Magalhães, dermatologista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Já no hospital, após avaliação do médico, geralmente é empregado, para desfazer aderências superficiais difíceis, um procedimento demorado, em etapas, com pinças delicadas, lavagem abundante com soro fisiológico e pomadas.

Na parte externa dos olhos, havendo muita cola presa, o oftalmologista pode ter que fazer a retirada dos cílios (epilação), também por meio de pinças ou até mesmo no centro cirúrgico com bisturi e sedação local, a depender do quadro. Por isso, muito cuidado ao usar cola instantânea.

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