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Dor no pescoço não é só má postura; veja principais causas e como tratar

Dor no pescoço: veja as principais causas do incômodo - Getty Images/iStockphoto
Dor no pescoço: veja as principais causas do incômodo Imagem: Getty Images/iStockphoto

Carol Firmino

Colaboração para VivaBem

26/03/2021 04h00Atualizada em 17/05/2022 17h35

Que atire a primeira pedra quem nunca disse "hoje eu acordei com uma dor no pescoço, não sei o que aconteceu". Pois essa parte do corpo é composta por ossos, ligamentos e músculos, com vértebras que se estendem do crânio ao tronco, e desempenha papel essencial na sustentação do corpo —o que gera muitas possibilidades para a causa da dor.

As dores na região podem ser muito desconfortáveis e estão associadas a causas diversas, além de serem comuns de surgir. Segundo especialistas, os motivos variam, principalmente, entre quadros de desconfortos musculares —que são as mialgias— em função de ergonomia inadequada, que significa manter a postura incorreta por longos períodos de tempo.

Possíveis causas de dor no pescoço

Nem sempre essa é uma condição séria ou difícil de resolver, mas, no caso da dor no pescoço insistir por dias, é necessário buscar a opinião de especialistas. Com o diagnóstico, eles vão indicar a existência ou não de algo mais grave, assim como o tratamento adequado.

Aliás, uma avaliação multidisciplinar, que agrega profissionais de áreas diferentes, aumenta a chance de sucesso na compreensão do quadro, em especial quando há doenças. Para identificar quais são essas possíveis causas, consultamos ortopedistas, fisioterapeutas e neurologistas, e listamos algumas a seguir:

  • Mialgia ou tensão muscular: as dores musculoesqueléticas são responsáveis por muitos dos quadros de desconforto nessa região. São as famosas tensões musculares, que aparecem devido à posição corporal errada que mantemos quando realizamos atividades como ler, trabalhar no computador, dormir, assistir à televisão e outras. Essa dor não específica que aparece no pescoço afeta cerca de dois terços das pessoas em algum momento da vida, particularmente na meia-idade.
    Para tratar: compressas quentes ajudam a relaxar os músculos da região, assim como a ingestão de analgésicos e anti-inflamatórios.
  • Torcicolo: esse é o nome dado à contração involuntária da musculatura do pescoço, cujo resultado é dor e dificuldade em movimentar a cabeça para os lados. Geralmente chamamos de "mau jeito", e ele surge após uma noite de sono com a cabeça em posição inadequada, excesso de esforço físico ou movimento brusco, que pode provocar um espasmo. Existe ainda o torcicolo congênito, que é quando o bebê nasce com o músculo mais curto e impõe uma postura anormal do pescoço.
    Para tratar: compressas quentes, alongamentos e exercícios orientados por um fisioterapeuta. Em casos graves, pode ser necessário imobilizar o pescoço.
  • Hérnia de disco: é o deslocamento do disco intervertebral que fica localizado entre duas vértebras e tende a surgir por conta do desgaste cervical, dorsal ou lombar. Além de causar dores no pescoço, o incômodo pode se espalhar para ombros, braços e mãos. Quando o problema se torna mais grave é possível que haja perda da força e da mobilidade. Assim, além da sobrecarga de articulações, ligamentos e musculatura, aparece o componente neuropático, que é a dor motivada pela compressão ou irritação de raízes nervosas ou nervos expostos.
    Para tratar: repouso, relaxantes musculares e analgésicos oferecem alívio, mas a correção da postura, em longo prazo, pode evitar dores mais intensas ou procedimentos cirúrgicos.
  • Artrite reumatoide: esse é o caso de uma doença autoimune que tem como sintomas dores nas articulações.
    Para tratar: ela não tem cura, mas os tratamentos medicamentoso, fisioterápico e até natural --com plantas, chás, pomadas-- contribuem para melhorar a qualidade de vida.
  • Cefaleia cervicogênica: entre as várias classificações de dor de cabeça, essa tem como característica dores que se originam a partir de alguma disfunção de tecidos da região cervical, como os músculos e tendões, podendo refletir no pescoço também.
    Para tratar: é um problema frequentemente subdiagnosticado cujo tratamento da região cervical com fisioterapia, acupuntura e exercícios específicos fará diferença.

Meningite, câncer e nódulos

Há casos em que a dor deixa de ser temporária e uma investigação detalhada é extremamente necessária. Os sinais de alerta são: dor intensa após trauma importante (contusão direta ou movimento em chicote, que provoca aceleração e desaceleração repentina do pescoço), alterações neurológicas (de consciência ou dormência, formigamento ou fraqueza em braço, antebraço ou mão), febre, dificuldade para segurar urina ou fezes, aumento de volume local ou surgimento de nódulos, história prévia de câncer ou suspeita atual.

Na meningite, a rigidez no pescoço é mais comum que a dor e pode ser identificada com um teste de flexão cervical. Pacientes com câncer que apresentam metástase na coluna também podem ter dor no pescoço, mas a coluna lombar costuma ser mais afetada.

Atenção no dia a dia

Pessoas que trabalham na mesma postura por muito tempo ou que não conseguem fazer pausas e intervalos podem sofrer com esse tipo de dor. Isso porque ocorre a inibição e o enfraquecimento dos músculos profundos que estabilizam a região.

Outros fatores para se observar dizem respeito no dia a dia a estresse, estados de ansiedade e autocobrança, que também podem amplificar os sintomas de incômodo e rigidez.

Osteopatia para dor no pescoço

Realizado por um fisioterapeuta, o método pode ser uma alternativa para tratar dores persistentes. A função do especialista em osteopatia é buscar a causa da dor desde a sua origem e não tratar apenas a região em que ela é sentida.

Isso porque, muitas vezes, o problema está em locais que não são encontrados por meio de exames de imagem ou análise de um único ponto.

A dor no pescoço, por exemplo, pode exigir que o profissional atue no tórax; uma dor na lombar, talvez necessite de alinhamento dos tornozelos e pés, para que a pessoa pise corretamente; já as dores no joelho pedem um olhar para articulações do quadril, da coluna lombar, torácica e cervical. O tratamento com osteopatia só é contraindicado em casos de fratura.

Fontes: Alice Virginia Rodrigues Leão, médica pela UFAL (Universidade Federal de Alagoas), neurologista com residência médica pelo Hospital Universitário Cajuru da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, atua como neurologista no ambulatório da Clinipam, da Amil e do Plunes Centro Médico; André Cicone Liggieri, ortopedista especialista em dor, assistente do Centro de Dor do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); Eduardo Estephan, neurologista do Ambulatório de Miastenia do Hospital das Clínicas (SP), do Ambulatório de Doenças Neuromusculares do Hospital Santa Marcelina (SP) e do Instituto Medicina de Acompanhamento Especializado de São José do Rio Preto-SP, atualmente é diretor científico da Abrami (Associação Brasileira de Miastenia); Mario Sabha, doutor em neuroanatomia, mestre em anatomia humana pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), osteopata, acupunturista com formação em terapias manipulativas e terapias metafísicas, é criador do método Sabha para fisioterapeutas; Pedro Schestatsky, professor de neurologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), doutor em neurofisiologia pela Universidade de Barcelona, tem pós-doutorado em neuromoduação em Harvard, fundador das empresas NEMO (Neuromodulação Cerebral e Lifelab - Medicina de Precisão), é autor do livro "Medicina do Amanhã" (Editora Gente); Victor Cicone Liggieri, fisioterapeuta coordenador do Centro de Dor do HC-FMUSP, especialista em reeducação do movimento e da dor, é autor do livro "De Olho na Postura e Alongamento e Postura" (Editora Summus), Custodio Michailowsky Ribeiro, neurologista do Hospital Albert Sabin de São Paulo.

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