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Árbitro que urinou em campo tem incontinência; quadro afeta todas as idades

Árbitro faz xixi dentro de campo na Copa do Brasil - Transmissão Premiere
Árbitro faz xixi dentro de campo na Copa do Brasil Imagem: Transmissão Premiere

De VivaBem, em São Paulo

13/03/2021 12h53

Na manhã de ontem (12), a ANAF (Associação Nacional de Árbitros de Futebol) se manifestou sobre o caso envolvendo o árbitro Dênis da Silva Ribeiro Serafim, da Federação Alagoana de Futebol.

Na quinta-feira (11), o árbitro, de 35 anos, foi flagrado urinando em campo durante a partida entre Boavista x Goiás, válida pela Copa do Brasil. O caso logo tomou conta das redes sociais, e os internautas ficaram na dúvida sobre o que teria acontecido de fato.

De acordo com a ANAF, o árbitro teve sua boa atuação ofuscada "por uma situação extremamente incômoda para quem, assim como ele, tem incontinência urinária". A justificativa apresentada pela ANAF é que o árbitro esqueceu de tomar a medicação antes da partida e, por isso, foi obrigado a urinar em campo.

Saiba mais sobre incontinência urinária

Pode até parecer coincidência, mas neste domingo (14), é o "Dia Mundial da Incontinência Urinária", data de conscientização dessa condição que faz parte de um grupo de sintomas associados à idade, também conhecidos como LUTS (sintomas do trato urinário inferior, tradução da sigla em inglês).

Apesar de serem pouco falados, os LUTS são muito comuns entre os brasileiros. De acordo com o Brasil LUTS, estudo epidemiológico sobre sintomas urinários realizado com a população brasileira, em parceria com a Astellas Farma Brasil, eles afetam 59% das mulheres e 40% dos homens acima dos 40 anos.

Em pessoas acima de 70 anos, os índices são altíssimos, chegando a mais de 95% em mulheres e mais de 70% em homens.

De acordo com Roberto Soler, urologista, fez pós-doutorado em medicina regenerativa e urofarmacologia pela Wake Forest University (EUA), ex-coordenador do programa de check-up de urologia do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), diretor médico da Astellas e líder do estudo Brasil LUTS, a condição é um risco a todos. "É importante lembrar que, por mais que a doença seja vista como mais recorrente em idosos ou mulheres no pós-parto, ela pode acometer qualquer pessoa em qualquer idade."

A maioria dos pacientes apresenta alterações no armazenamento e esvaziamento da bexiga, e os sintomas abrangem algumas condições, como a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) e a bexiga hiperativa.

De acordo com Soler, é importante ficar atento aos principais sinais. "Entre os sintomas mais comuns estão o aumento da frequência urinária, que implica na necessidade constante de ir ao banheiro; jato fraco de urina; necessidade de levantar diversas vezes a noite para urinar; urgência urinária, que representa uma necessidade incontrolável, mesmo com volumes baixos de urina na bexiga; e gotejamento nas roupas íntimas", esclarece.

Embora os sintomas sejam alarmantes, a resistência em buscar ajuda médica é uma realidade. Segundo a pesquisa, 60% dessas pessoas nunca procuram um médico para a investigação.

"Muitos pacientes acreditam que os sintomas são naturais da idade, ou relutam em procurar um especialista por sentirem vergonha. Além disso, muitos deles são bastante ativos ou estão no auge de suas carreiras, por isso não querem parar para visitar um médico e acabam recorrendo a pesquisas na internet, algo que pode confundir ao invés de esclarecer", alerta.

Além do desconforto físico trazido pelos LUTS no dia a dia, eles também podem afetar o emocional e o psicológico do paciente, influenciando na depressão e na reclusão social. Isso acontece devido à necessidade constante de ir ao banheiro e a possibilidade de haver escapes na roupa íntima, o que traz dificuldade para os pacientes levarem uma vida normal.

"De acordo com a pesquisa global da Astellas, que analisou a jornada do paciente com LUTS, é muito comum pessoas demonstrarem comportamentos adaptativos, como por exemplo a utilização de fraldas e absorventes ou levarem uma troca de roupa para seus compromissos. Por isso, é necessário considerar o impacto da doença nos pacientes e conscientizá-los da necessidade de procurarem por ajuda médica que ofereça informação de qualidade, baseada em pesquisa científica e que seja de fácil acesso e entendimento", aponta.

Vale ressaltar que muitos dos sintomas têm tratamento. "Para indicarmos o tratamento mais apropriado é preciso analisar a causa, a intensidade dos sintomas e o quanto eles estão incomodando. Em alguns casos, exercícios do assoalho pélvico e mudanças de estilo de vida, que incluem evitar o consumo excessivo de líquidos, melhorar o funcionamento do intestino ou perder peso, podem ajudar. O adequado controle do diabetes e de condições cardiovasculares também é importante, assim como o tratamento medicamentoso, que é um dos mais utilizados, graças à eficácia de vários remédios capazes de melhorar os sintomas do trato urinário", explica Soler.

Infelizmente, de acordo com a pesquisa, a taxa de procura por tratamento é baixa, ficando entre 30% e 36%.

Para incontinência urinária do tipo bexiga hiperativa, ou urge-incontinência, o tratamento é medicamentoso. Existem remédios, por via oral, chamados anticolinérgicos que fazem com que a bexiga pare de ter contrações urgentes.

Em casos onde o uso de remédio não acaba com o problema, existe tratamento com aplicação de toxina botulínica intravesical, através de um procedimento no hospital, no centro cirúrgico, de grande eficácia. O único problema é que são necessárias aplicações periódicas —semestrais ou anuais.

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