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Entenda os motivos que causam um desmaio e como socorrer alguém

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Imagem: iStock

Alexandre Raith

Colaboração para VivaBem

25/02/2021 04h00

A síncope, termo médico para desmaio, pode estar relacionada a diversos fatores, que vão desde cansaço, nervosismo ou desidratação até doenças cardiovasculares, distúrbios metabólicos e hipoglicemia.

Problemas do coração ou do sistema nervoso autônomo, que está relacionado ao controle da respiração, circulação do sangue, temperatura e digestão, causam a redução no fluxo sanguíneo cerebral e, por consequência, a perda súbita e transitória do nível de consciência. Nesta condição, os circuitos cerebrais responsáveis por manter a pessoa alerta e consciente estão temporariamente comprometidos.

Os desmaios podem acontecer, ainda, por alterações metabólicas. A falta de oxigênio no sangue (hipóxia) ou de glicose (hipoglicemia) afeta as áreas cerebrais designadas a manter a consciência.

Uma alteração elétrica do cérebro, como ocorre em uma crise epilética, também pode promover um desmaio, mesmo quando não há convulsão seguida por abalos musculares generalizados e salivação. Segundo Rodrigo Bezerra, neurologista do Hospital e Maternidade Brasil (SP), muitas pessoas não apresentam qualquer sintoma anterior à perda de consciência.

"Porém, pacientes com síncope associada à disfunção do sistema autônomo podem ter sintomas premonitórios como náuseas, sudorese e sensação de calor ou frio, palpitações, visão embaçada ou mesmo falta de ar e dor no peito nos segundos que precedem o quadro", esclarece Bezerra.

Já no caso de mulheres gestantes, os desmaios acontecem devido ao crescimento do útero. A compressão uterina na veia cava inferior, que é a responsável por levar sangue em direção ao coração, reduz a quantidade e, consequentemente, o fluxo sanguíneo que seria transportado para o cérebro.

Tipos de síncope

As causas e os sintomas do desmaio caracterizam os quatro tipos de síncope, que são os seguintes:

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Cardíaca: É decorrente de uma alteração do bombeamento cardíaco causada por bloqueios ou problema circulatório no coração, infarto, arritmia e batimentos lentos (bradicardia) ou rápidos (taquicardia). Estas enfermidades podem levar a um baixo fluxo sanguíneo cerebral, e a pessoa, geralmente, sente dor e opressão torácica.

Vasovagal: Também chamada de neurocardiogênica ou neuromediada, ocorre pela resposta reflexa do sistema nervoso autônomo, cujo fenômeno é conhecido por disautonomia. Comum, pode ter relação com histórico familiar e predisposição a tipos de desmaio causados por estresse, dor, calor, abafamento ou longo período em pé. Ou pelo simples uso de uma gravata muito apertada, pois a ativação desse sistema provoca alterações como queda da pressão.

Hipotensão ortostática: Acontece quando há incapacidade do sistema autônomo em manter a pressão arterial constante. A mudança na posição do paciente, como ao se levantar ou por longos períodos em pé, pode promover uma queda de pressão suficiente para causar este tipo de síncope. Assim como desidratação, doenças crônicas metabólicas, como o diabetes, neurológicas, como o Parkinson, ou que favorecem a vasodilatação.

Cerebrovascular: É motivada pelo estreitamento arterial que compromete a chegada do sangue à região posterior do cérebro, onde acontece a irrigação do tronco cerebral, no qual estão os núcleos relacionados à manutenção da consciência. Ao afetar o fluxo para esta área, o desmaio tem causa circulatória cerebral restrita e localizada.

Fatores de risco

Desmaio, passar mal, desmaiar - Getty Images/iStochphoto - Getty Images/iStochphoto
Imagem: Getty Images/iStochphoto

Manter alimentação e hábitos saudáveis ajuda a evitar uma síncope, pois hipertensão arterial, diabetes, obesidade, dislipidemia (elevação de gordura no sangue), tabagismo, sedentarismo e uso excessivo de álcool fazem parte da lista de fatores que aumentam as chances de provocar um desmaio.

"São considerados desmaios de maior risco aqueles que acontecem de forma súbita, sem sintomas precedentes, como tontura, enjoo ou sudorese, ou em pessoas com comorbidades e alterações clínicas e eletrocardiográficas importantes. Ou em pacientes com doenças graves já conhecidas", afirma Bernardo Noya, cardiologista do HCor (SP).

Essas condições clínicas podem levar a um quadro de síncope porque estão diretamente relacionadas a doenças do ritmo e da estrutura cardíaca, vasculares e neurológicas, e provocam um desmaio por meio de diferentes mecanismos. Pessoas que usam medicamentos para redução da glicose, por exemplo, desmaiam por hipoglicemia.

"Diabetes pode levar à alteração das coronárias, arritmia e infarto por doença vascular, interferindo no batimento cardíaco e no bombeamento sanguíneo. Já a obesidade interfere no retorno venoso sanguíneo ou favorece a ocorrência de apneia do sono, que são causas que podem favorecer os fenômenos sincopais", explica Eli Evaristo, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP).

Excesso de medicamentos

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Se você toma remédios em excesso, misturados ou de forma incorreta, cuidado. Este prejudicial costume, além de outros males, pode provocar desmaios, sobretudo os indicados para controlar a pressão arterial, sedativos, antidepressivos e para impotência sexual. Por isso, respeite e siga o tratamento indicado pelo médico.

Segundo o neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, medicamentos que reduzem a frequência dos batimentos cardíacos, por consequência, diminuem o bombeamento de sangue. Há ainda aqueles que provocam queda de pressão, principalmente quando a pessoa se levanta.

O perigo pode aumentar quando os medicamentos são ingeridos conjuntamente. "Combinações de remédios que envolvem o uso de antidepressivos, para redução da pressão, controle de frequência cardíaca e próstata são combinações que podem potencializar a ocorrência de desmaios", alerta Evaristo.

Se for cair, deite

Exceto em caso de doenças graves ou relacionadas a causas cardíacas, vasculares e metabólicas, medidas comportamentais costumam evitar um desmaio. Manter-se hidratado, evitar longos períodos em pé, usar roupas leves no calor e se alimentar adequadamente são recomendações imprescindíveis.

Em caso de prenúncio de tontura, manobras de contração muscular, como cruzar as pernas e apertar uma em direção a outra e cruzar os braços com força, são estratégias que podem reduzir o estado que leva à queda de pressão e à síncope.

Mas caso tenha escurecimento visual, sudorese, sensação de falecimento ou palidez, deite imediatamente. Este procedimento ajuda a estabilizar o fluxo de sangue para o cérebro e a interromper o processo que leva à perda de consciência. Se os sintomas premonitórios de síncope forem recorrentes, procure orientação médica.

É importante também levar em consideração as dicas para ajudar alguém que desmaiou:

  • Certifique-se que a respiração e a pulsação estão normais;
  • Chame ajuda médica, pois o paciente pode estar prestes a apresentar alguma condição cardíaca grave;
  • Deite a pessoa em local confortável, de preferência de lado, para evitar engasgo em caso de vômito ou náusea;
  • Verifique se houve ferimento em razão da queda;
  • Se for o caso, desate a gravata;
  • Mantenha o ambiente arejado e evite o calor excessivo;
  • Não estimule com tapas ou jogando água no rosto.

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