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Irmãs têm doença do xixi preto após comer peixe; entenda a síndrome de Haff

 Ute Grabowsky Colaborador Getty Images
Imagem: Ute Grabowsky Colaborador Getty Images

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

24/02/2021 12h38

Após comerem peixe, as irmãs Flávia e Pryscila Andrade, de 36 e 31 anos, moradoras do Recife, em Pernambuco, foram diagnosticadas com a Doença de Haff, conhecida popularmente como a "doença do xixi preto".

De acordo com informações da Folha de Pernambuco, os sintomas começaram cerca de quatro horas após um almoço. Ambas sentiram fortes dores do corpo e rigidez muscular e estão internadas no Hospital Português.

"Após 4 horas de terem ingerido o peixe, começaram a passar mal, a pressão subiu, o corpo foi ficando duro como uma câimbra generalizada e não entendiam o que estava acontecendo", explicou Betina, a mãe delas, ao site da Folha.

A origem exata da síndrome, que causa ruptura de células musculares, ainda é desconhecida. No entanto, a literatura médica aponta que todos os pacientes diagnosticados, mesmo fora do Brasil, consumiram algum animal que vive na água, muitas vezes a doce

Acredita-se que o alimento ingerido tenha sido contaminado com algum tipo de toxina não identificada. A possibilidade de uma bactéria foi levantada por especialistas, mas considerada pouco provável, já que os peixes foram cozidos ou fritos — processos pelos quais o micróbio não sobreviveria.

Após a ingestão da possível toxina, ocorre uma lesão muscular difusa que causa a liberação de proteínas dos músculos na circulação do sangue (chamada de rabdomiólise), causando dor intensa.

Sintomas

Os sintomas da Doença de Haff costumam aparecer entre duas e 24 horas após o consumo de peixe ou crustáceos cozidos.

Além dos incômodos sentidos pelo corpo e a coloração escura da urina, o quadro pode causar insuficiência renal. Isso acontece pois os músculos, quando lesionados, liberam uma substância chamada mioglobina no sangue, o que pode prejudicar os rins (e também é responsável pelo xixi preto).

As sequelas mais graves, no entanto, só costumam acontecer caso o paciente não tenha cuidado rápido e eficiente.

Outras sensações comuns são a falta de ar, dormência, perda da força do corpo.

Exames podem ser pedidos para confirmar o diagnóstico, mas como não se sabe exatamente o que causa a doença, o mais importante será ouvir o histórico dos pacientes.

Por ser rara, identificar a doença pode ser difícil, mas a recomendação é que um profissional de saúde seja procurado assim que os sintomas surgirem.

Como é feito o tratamento

O tratamento é feito com base nas consequências que a doença deixou. Os pacientes geralmente ficam internados,e são tratados com reposição de fluídos e suporte intensivo ou semi-intensivos.

Os profissionais de saúde buscam amenizar sintomas como dores, falta de ar e auxiliando a situação dos rins com aparelhos, quando necessário.

Se for um quadro leve, os indícios da síndrome somem em alguns dias, sem a necessidade de internação ou uso de aparelhos médicos. Porém, ainda sim, a avaliação médica é importante.

Fontes: Paulo Olzon, médico Infectologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e Raphael Bertani de Magalhães, médico neurocirurgião no Hospital Municipal Miguel Couto, no Rio de Janeiro, e professor de Neurocirurgia da plataforma Jaleko

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