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Estudo mostra que genes podem influenciar na resposta imune da covid-19

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Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

19/02/2021 13h59

Um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia - San Diego, nos Estados Unidos, aponta que a resposta imunológica individual ao Sars-CoV-2 pode ser limitada por um conjunto de genes variáveis que codificam proteínas de superfície celular, que são essenciais para o sistema imunológico adaptativo.

A descoberta, publicada em um artigo na PLOS ONE, em 11 de fevereiro de 2021, pode ajudar a explicar o porquê a imunidade da covid-19 varia de pessoa para pessoa.

Os autores do estudo examinaram como esse conjunto de genes interage com dois tipos de linfócitos ou células imunes chamadas T e B. Segundo Maurizio Zanetti, professor de medicina e um dos autores, o sistema imunológico responde aos patógenos invasores, produzindo anticorpos destinados a interceptar e neutralizar o vírus.

"A produção de anticorpos contra proteínas requer cooperação produtiva entre o linfócito T e o linfócito B, que devem reconhecer as sequências de antígenos adjacentes iniciadas pelos genes nas células B. As sequências de peptídeos próximas envolvem as duas células preferencialmente", explicou Zanetti. Em outras palavras, os genes servem como o elo entre os linfócitos T e B.

A partir daí, os especialistas analisaram no computador todos os fragmentos possíveis da proteína spike RBM, que é um gatilho para a resposta imunológica humana e para a atividade da vacina, em conexão com as mais de 5.000 moléculas de genes diferentes representadas na população humana global.

E quais foram os resultados?

Os autores descobriram que a propensão média dos genes variáveis que codificam as proteínas de superfície celular para exibir peptídeos derivados da proteína RBD (aminoácidos da proteína spike) é baixa. Por isso, uma produção de anticorpos específicos poderia ser prejudicada pelo mau ajuste entre o vírus e os genes.

"Isso poderia levar a respostas mais pobres de anticorpos neutralizantes", disse a primeira autora do estudo, Andrea Castro. "E no caso do Sars-CoV-2, a má apresentação de fragmentos RBD dos genes poderia ser um obstáculo para a produção de anticorpos neutralizantes direcionados à proteína RBM (porção da proteína spike que estabelece contato com o receptor)".

Os autores destacaram também que vários estudos mostraram que os anticorpos neutralizantes em pessoas infectadas diminuem em três meses. Isso mostra o impacto das mutações recém-descobertas.

Por que esse estudo é importante?

"Um é que a capacidade de gerar anticorpos com atividade de neutralização potente pode variar consideravelmente de indivíduo para indivíduo, refletindo a grande diversidade genética. O outro é que a falta de cooperação eficaz entre os linfócitos T e B pode afetar a longevidade das respostas de anticorpos neutralizantes em pessoas infectadas", explica Carter.

De acordo com a especialista, os anticorpos neutralizantes se desenvolvem dentro de duas semanas após a infecção por Sars-CoV-2. No entanto, a durabilidade e a intensidade da infecção podem variar de pessoa para pessoa. Por isso, ainda não é possível determinar o tempo de imunidade após a infecção e a eficácia das vacinas a longo e médio prazo, por exemplo.

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