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Remédios fitoterápicos vêm das plantas e têm regulamentação da Anvisa

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Imagem: iStock

Fernanda Beck

Colaboração para VivaBem

08/02/2021 04h00

Regulamentados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e sujeitos a testes e controles de qualidade iguais aos feitos em medicamentos convencionais, os fitoterápicos podem ser encontrados em diversas formas, e devem ser considerados remédios como quaisquer outros.

Cerca de 25% dos medicamentos do mundo têm princípios ativos originários de plantas, e cerca de 70% dos medicamentos usados no combate ao câncer também. A codeína e a escopolamina, amplamente usados pela população, são exemplos de remédios populares que também são fitoterápicos. Ou seja, você provavelmente já os consome.

O fitoterápico é um produto farmacêutico obtido através do processamento de matérias-primas ativas vegetais cuja segurança e eficácia são baseadas em evidências clínicas.

No Brasil, sua produção é regulamentada e segue legislação implementada pela Anvisa em 2014 (RDC 26/2014). Sua função pode ser profilática, paliativa ou usada para diagnóstico. Para um produto ser considerado um fitoterápico ele tem que apresentar eficácia comprovada, passar por estudos de toxicidade e alcançar um padrão de qualidade que garanta o teor necessário de princípios ativos.

Quando surgiu o uso de fitoterápicos?

O uso de fitoterápicos e de plantas medicinais acompanha a história do homem. Grande parte das espécies mais utilizadas tem centenas e até milhares de anos de uso documentado.

O uso de plantas medicinais foi a base da terapia medicamentosa até meados do século 20.

Como eles têm suas funções comprovadas?

Através de testes de análises físico-químicas, identificação e quantificação da presença de ativos fitoquímicos e analises de farmacognosia, que engloba a avaliação, identificação e isolamento dos princípios ativos, verificação da pureza, produção, armazenamento, história e comercialização do composto.

Quais são as formas em que são administrados?

Os fitoterápicos são administrados nas mesmas vias que os medicamentos convencionais. Podem ser encontrados em cápsulas, comprimidos, soluções, cremes, pomadas, xaropes e óleos essenciais. Também são comuns infusões (chás) e tinturas, extrações com álcool muito concentradas comumente utilizadas em farmácias de manipulação.

A Farmacopeia Brasileira apresenta uma relação das formas de administração para cada ativo. Um mesmo ativo pode ser administrado de maneiras diferentes para obter efeitos diferentes.

E os chás caseiros?

Apesar de conterem o ativo das plantas com que são feitos, chás caseiros não podem ser considerados chás medicinais. Estes seguem receitas específicas, com quantidades certas da planta, maior concentração do ativo e uma frequência de ingestão determinada de acordo com o tratamento.

Usar plantas medicinais em casa também tem outro empecilho. É muito difícil saber quando a planta está liberando a maior quantidade de ativo e onde ele se concentra (raiz, folhas ou flores). Fatores como a época da colheita, o tipo de solo e a quantidade de chuva e sol a que a planta foi exposta também influenciam na concentração do ativo.

Além disso, não há como garantir a concentração do ativo em substâncias caseiras, portanto é muito difícil prever seu efeito. Outro fator agravante é que muitas plantas se parecem, e uma pessoa leiga pode consumir uma planta achando que é outra. Sintomas parecidos também podem indicar condições diferentes.

Um bom critério é perceber se o problema é crônico. Fazer uso esporádico de um chá de planta medicinal para aliviar um desconforto gastrointestinal, por exemplo, não pode ser considerado um tratamento medicamentoso de uso contínuo. Mas se você precisa tomar o chá todo dia, trata-se de um problema crônico, que não deve ser resolvido por conta própria.

Como saber se uma planta tem propriedades fitoterápicas?

Quase todo o conhecimento sobre o uso de fitoterápicos tem origem em tradições comunitárias. Após terem seu uso identificado em comunidades, as plantas passam por estudos e testes até virarem fitoterápicos ou fitomedicamentos. Primeiramente é feito um extrato da planta, depois são identificadas as partes da planta onde estão os ativos e quais são seus efeitos.

Em comunidades tradicionais, como aldeias indígenas ou quilombolas brasileiras, o mais comum é o uso da planta ser descoberto por tentativa e erro ou copiando o comportamento dos animais.

Quais os fitoterápicos mais conhecidos no Brasil?

Em 2009, o Ministério da Saúde publicou a Relação Nacional de Interesse ao SUS, documento que contém mais de 50 espécies vegetais de interesse, em consonância com a PNPMF (Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos). No entanto, cada planta pode ser conhecida por um ou mais nome populares, de acordo com a região do país.

São 12 os fitoterápicos que estão no Rename (Relação Nacional de Medicamentos do SUS):

  • Alcachofra (Cynara scolymus);
  • Aroeira (Schinus terebinthifolia);
  • Babosa (Aloe vera);
  • Cáscara Sagrada (Rhamnus purshiana);
  • Espinheira Santa (Maytenus officinalis);
  • Guaco (Mikania glomerata);
  • Garra do Diabo (Harpagophytum procumbens);
  • Hortelã-pimenta (Menta x piperita);
  • Isoflavona de Soja (Glycine max);
  • Plantago (Plantago ovata);
  • Salgueiro (Salix alba);
  • Unha-de-Gato (Uncaria tomentosa).

É seguro se automedicar com fitoterápicos?

A automedicação não é recomendada em nenhuma instância. O consumo de fitoterápicos deve ser entendido como o consumo de qualquer medicamento, ou seja, sempre existem riscos. Não é aconselhado fazer uso de fitoterápicos junto com medicamentos convencionais sem a indicação de um profissional capacitado.

Se você faz uso de qualquer fitoterápico, mesmo que em forma de chá, deve informar seu médico quando ele for receitar um remédio convencional ou precisar passar por uma cirurgia.

Quem pode recomendar/receitar fitoterápicos?

Podem prescrever fitoterápicos médicos, farmacêuticos, enfermeiros com especialização no tema, biomédicos, veterinários (dentro de seu campo de atuação), dentistas (dentro de seu campo de atuação) e, em alguns casos, fisioterapeutas e nutricionistas. Os critérios usados são definidos pela Anvisa.

Alguns fitoterápicos se enquadram na categoria de Medicamentos Isentos de Prescrição, ou MIPs. Esta lista também inclui medicamentos convencionais. São recomendados para doenças mais simples, com evolução lenta e que não apresentam risco de dependência química ou de morte. Os MIPs também têm baixo nível de toxicidade e baixo risco de interações perigosas com outros remédios ou alimentos.

Existe preconceito com medicamentos fitoterápicos?

Existe um preconceito da área médica, já que o estudo da fitoterapia não é uma disciplina obrigatória na maioria das faculdades de medicina do país. A aceitação do paciente depende de seu histórico, mas a grande maioria costuma estar aberta ao consumo de fitoterápicos.

Todos os medicamentos fitoterápicos aprovados pela Anvisa têm eficácia comprovada. Por isso, é importante estar atento aos rótulos dos remédios e sempre procurar medicamentos registrados na entidade.

Fitoterápicos substituem remédios convencionais?

Fitoterápicos podem agir junto com remédios convencionais ou ser a única medicação do tratamento. Isso depende de cada paciente e da graduação da patologia (casos mais ou menos graves). Eles não são um método alternativo de tratamento, mas sim complementar. Seu uso deve ser indicado por um médico ou profissional capacitado, que saberá os efeitos de ação e efeitos adversos de cada caso.

Para que são indicados fitoterápicos?

Fitoterápicos costumam ser indicados para distúrbios leves, mas podem ajudar em quase todas as condições médicas. Costumam ser muito eficientes no tratamento de doenças psicossomáticas, ansiedade, insônia, depressão, problemas digestivos, gases, gastrite, espasmos, dores e anorexia.

Não costumam ser usados no tratamento de processos infecciosos, hipertensão ou insuficiência cardíaca.

Por que tomar fitoterápicos?

Em sua maioria, medicamentos fitoterápicos trazem menos efeitos colaterais, tanto a curto quanto a longo prazo. Remédios alopáticos costumam ser poderosos supressores, com a intenção de acabar com os sintomas. Esse sistema pode ser debilitante para o organismo.

Fitoterápicos, por sua vez, respeitam mais a biodisponibilidade do organismo, oferecendo um suporte de defesa. A ideia é que o organismo não fique enfraquecido, mas, sim, modulado para reagir apenas contra o inimigo.

Medicamentos fitoterápicos também podem causar efeitos adversos graves, mas as chances de isso acontecer, quando bem prescritos e com dose adequada, é muito menor.

Fontes: João Ernesto de Carvalho, professor livre-docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); Ana Flavia Marçal Pessoa, coordenadora do curso de especialização em fitoterapia e plantas medicinais da EEP - HCFMUSP (Escola de Educação Permanente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); Sostenes Postigo, diretor-presidente da Sobrafito (Associação Médica Brasileira de Fitomedicina); e Luiz Antônio Batista da Costa, médico fitoterapeuta, membro do Comitê Técnico Temático de Apoio à Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos - Farmacopeia Brasileira na Anvisa.

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