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Entenda por que trombose merece atenção durante tratamento oncológico

Ilustração mostra tromboembolismo pulmonar - iStock
Ilustração mostra tromboembolismo pulmonar Imagem: iStock

De VivaBem, em São Paulo

04/02/2021 10h00

Uma pesquisa conduzida pela farmacêutica Bayer, realizada em cinco países: Brasil, Alemanha, França, Japão e China, identificou que o estado emocional dos pacientes tem forte influência no tratamento do câncer e de suas complicações. Nesta quinta (4), é o Dia Mundial de Combate ao Câncer.

O levantamento mostrou que os pacientes não prestam atenção quando o médico explica sobre a possibilidade de complicações vasculares e eventos trombóticos, devido ao impacto da notícia do diagnóstico.

O tromboembolismo venoso é uma complicação grave em pacientes oncológicos. Estima-se que os diversos tipos de câncer sejam responsáveis por cerca de 20 a 30% dos casos da doença. Indivíduos com câncer têm um risco até sete vezes maior de tromboembolismo —que inclui tanto a trombose venosa profunda (TVP) quanto o tromboembolismo pulmonar (TEP)— quando comparados à população em geral.

De acordo com a SBACV-SP (Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular - regional São Paulo), o desenvolvimento da trombose venosa profunda está mais frequentemente relacionado a cânceres de mama, cérebro, pulmão, pâncreas e intestino. Alguns quimioterápicos também podem aumentar o risco de desenvolvimento de trombose.

Impactos na evolução clínica

Muitas pessoas não têm conhecimento sobre a relação entre essas doenças e a falta de informação pode provocar impactos em sua evolução clínica.

"O corpo humano é uma engrenagem, e quando há um desequilíbrio em qualquer parte, ele reage. No caso dos pacientes com câncer, a presença do tumor faz com que o organismo produza substâncias que ativam a coagulação, favorecendo a formação de coágulos que podem se desprender e se movimentar na corrente sanguínea, em um processo chamado de embolia. Numa trombose venosa, o coágulo que se desprende normalmente vai parar nas artérias dos pulmões, num evento conhecido como embolia pulmonar. As consequências de uma embolia pulmonar variam dependendo do tamanho do coágulo que se desprendeu e/ou da quantidade de coágulos. Em casos mais graves, o problema pode provocar morte súbita", explica Antonio Eduardo Zerati, cirurgião vascular e endovascular e professor livre-docente da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

"Principalmente os pacientes que fazem quimioterapia apresentam maior chance de desenvolver trombose, pois o tratamento aplicado diretamente nas veias afeta a parede dos vasos sanguíneos. Cerca de 11% dos pacientes em quimioterapia desenvolvem trombose venosa a cada ano", aponta o especialista.

Além disso, outros fatores de risco que tornam o paciente mais suscetível ao problema são idade, obesidade, tabagismo, histórico familiar, o tipo de câncer e sua localização, tempo de diagnóstico, tipo de tratamento e menor mobilidade (seja por indisposição ou sequela do câncer, seja por necessidade de internações hospitalares).

Uma das afirmações de pacientes que participaram da pesquisa foi que "a trombose representou um grande obstáculo para a recuperação do câncer, e por isso é tão importante que os pacientes estejam mais informados sobre os riscos de desenvolvimento da doença".

Para isso, Zerati recomenda que eles fiquem atentos aos sinais do corpo durante esse período, especialmente inchaço em uma das pernas (onde a trombose é mais frequente), dor ou mudança de cor da pele, devendo o médico ser comunicado imediatamente caso um ou mais desses sinais apareçam.

"Também é importante que o paciente ou o familiar/cuidador fique atento a todas as explicações médicas no início do tratamento", completa o especialista.

Pacientes oncológicos que já apresentaram algum evento trombótico têm risco de recorrência entre duas e nove vezes maior do que a população geral. O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos, sangue e imagem.

Prevenção com anticoagulante

A profilaxia medicamentosa, baseada no uso de anticoagulantes, pode prevenir os quadros de trombose em alguns pacientes em tratamento oncológico. O especialista deve fazer uma avaliação individual dos riscos e benefícios do tratamento para cada paciente e analisar o perfil de segurança.

A diretriz de 2019 da International Society on Trombosis and Haemostais (ISTH) recomenda o uso da terapia oral com rivaroxabana por seis meses a partir do início do tratamento quimioterápico em pacientes com baixo risco de sangramento e sem interação medicamentosa.

"A profilaxia, além de reduzir o risco de trombose venosa em pacientes de mais alto risco, não apresenta nenhum tipo de interferência no tratamento do câncer, seja quimioterapia ou outra modalidade terapêutica. Além disso, quando a opção recai sobre uma medicação administrada por via oral, há impacto positivo em relação à qualidade de vida desse paciente, evitando que ele precise aplicar injeções diárias por tempo prolongado", finaliza Zerati.

Mais sobre a pesquisa

Este relatório é baseado em entrevistas feitas em casa, com 60 minutos de aprofundamento, realizadas antes da pandemia, de maneira presencial, e na casa dos pacientes, para maximizar o conforto deles.

Antes das entrevistas, todos os pacientes completaram 2 atividades prévias de 10 minutos sobre o câncer e a jornada de tromboembolismo venoso. Foram incluídos pacientes com câncer ativo e que tiveram um evento trombótico e estavam em tratamento para tromboembolismo.

Outros achados da pesquisa:

  • Os pacientes interagem regularmente com seus oncologistas. Oncologistas desempenham um papel fundamental no bem-estar emocional do paciente ao longo de sua jornada de câncer;
  • Os pacientes veem seu oncologista como o profissional da área da saúde responsável por informá-los sobre o risco de TEV e prescrever profilaxia primária;
  • A maioria dos pacientes não acredita estar em risco de desenvolver um TEV, apesar de cerca de metade ser informada do risco;
  • Os pacientes relatam que poucas informações são fornecidas sobre o risco de TEV no diagnóstico de câncer;
  • Poucos pacientes foram informados sobre a profilaxia primária e nenhum se lembra de tê-la oferecido formalmente;
  • Os pacientes raramente foram aconselhados a tomar medidas preventivas para reduzir o risco de trombose;
  • Como a discussão sobre o risco de TEV geralmente ocorre ao mesmo tempo que o diagnóstico de câncer, os pacientes não são proativos na discussão e têm pouca lembrança do risco de TEV ou profilaxia primária devido ao choque.

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