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OMS desenvolve novo plano para combater doenças tropicais negligenciadas

Tuberculose é uma das doenças consideradas negligenciadas e que terão atenção especial da OMS - gilaxia/iStock
Tuberculose é uma das doenças consideradas negligenciadas e que terão atenção especial da OMS Imagem: gilaxia/iStock

Nicola Ferreira

Agência Einstein

03/02/2021 12h07

Enfermidades que afetam 1,6 bilhão de pessoas no mundo, as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) atingem principalmente populações mais pobres, com maior número de adoecidos na África, Ásia e América Latina. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 22 dessas doenças em atividade neste momento - as mais conhecidas são a dengue, Chagas, esquistossomose, raiva e malária. No Brasil, há a presença de 20 dessas doenças, sendo cinco delas mais notórias: além de Chagas e dengue, também se destacam a chikungunya, hanseníase e leishmaniose.

Pensando no combate a essas doenças, a OMS, em conferência com delegados de diversos países, definiu alguns objetivos e metas para controlar o desenvolvimento das DTNs no mundo. Um dos objetivos é promover mais parcerias entre nações, principalmente com apoio das mais desenvolvidas. O plano é que propostas como redução em 90% das pessoas que precisam de intervenções médicas por essas doenças, diminuição em 75% da perda da expectativa de vida devido às DTNs e erradicação de duas enfermidades (bouba e dracunculíase) sejam cumpridas nos próximos dez anos.

Em entrevista à Agência Einstein, o infectologista Hélio Bacha, do Hospital Israelita Albert Einstein, analisou a nova proposta da OMS e comentou sobre a situação das doenças tropicais negligenciadas no Brasil

Agência Einstein - O que são as doenças tropicais negligenciadas?

As DTNs são subestimadas, até por isso o termo "negligenciadas", pois são quase invisíveis. Um exemplo, é a tuberculose, que, ainda que não esteja no relatório pelo destaque que a doença tem, as pessoas no geral pensam que ela desapareceu. Outra doença negligenciada é a leishmaniose, por se acreditar que é restrita ao campo, mas que está invadindo cidades e crescendo no Brasil. Essas doenças negligenciadas geralmente ocorrem em países pobres ou nas camadas mais baixas de países ricos. O grande desafio vem do fato de atingirem pessoas invisíveis socialmente. Se você falar de leishmaniose, bouba e tuberculose, a maioria das pessoas não dá valor.

Agência Einstein - Os objetivos da OMS são plausíveis?

Isso depende. Primeiro, quando você tem uma pandemia como essa do Covid-19, as atenções se viram para uma doença só. Em segundo lugar, uma desarticulação do sistema de saúde atrapalha o combate a essas doenças [DNTs]. Então os esforços que teriam que ser dirigidos a elas, acabam sendo esquecidas. Colocam-nas como secundárias, pois a atenção se volta para uma única doença. Se os governos se interessarem e a população estiver informada, conseguiremos realizar essas metas.

Agência Einstein - Qual é a atual situação do Brasil no combate as doenças tropicais negligenciadas?

No Brasil, temos inúmeras doenças. Podemos destacar a leishmaniose, que é um problema que cresce no território nacional. Temos a malária, que é uma doença de terceiro mundo, entre outras. Na Amazônia, há apresentação mais grave da leishmaniose que é a tegumentar (que ataca a pele), já a visceral (que atinge os órgãos internos) está em pleno crescimento no País.

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