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Bolsonaro diz que não, mas cloroquina tem efeito colateral; saiba quais são

Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

15/01/2021 13h33

Em meio ao caos que vive o estado do Amazonas enfrentando graves problemas como a falta de UTI e insuficiência de cilindros de oxigênio, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ontem (14) em uma transmissão ao vivo que a covid-19 tem "tratamento precoce" e só não usa quem não quer.

"O médico pode receitar o tratamento precoce. Se o médico não quiser, procure outro médico. Não tem problema. Repito o tempo todo aqui: no meu prédio, mais de 200 pessoas pegaram a covid-19, se trataram com cloroquina e ivermectina, ninguém foi para o hospital. E assim vocês veem exemplo no país todo", disse.

"E não tem efeito colateral. Alguns ficam falando: 'Ah, a ciência'. Calma, rapaz, esses medicamentos —a hidroxicloroquina são 70 anos— não tem efeito colateral. Se não surtir efeito, não vai acontecer nada para ele", afirmou o presidente.

Não é bem assim...

Ao contrário do que afirma o presidente, além de não haver qualquer comprovação científica benéfica do efeito do medicamento contra a covid-19, a cloroquina e a hidroxicloroquina têm efeitos colaterais, sim. Porém, variam de acordo com o organismo de cada pessoa.

Os medicamentos podem causar problemas como:

  • Distúrbios de visão;
  • Irritação gastrointestinal;
  • Alterações cardiovasculares e neurológicas;
  • Cefaleia;
  • Fadiga;
  • Nervosismo;
  • Quem tem psoríase ou porfiria pode ter ataque agudo da doença, prurido, queda de cabelo e exantema cutâneo.

Essas drogas, de uso controlado, são usadas para tratar doenças como lúpus eritematoso sistêmico e discoide, artrite reumatoide e juvenil, doenças fotossensíveis e malária.

Devido a "publicidade" de Bolsonaro, as pessoas que realmente precisavam das drogas, como pacientes com lúpus, tiveram dificuldade para comprar, já que os estoques das farmácias esvaziaram, em meados de abril do ano passado.

É importante ressaltar que a hidroxicloroquina também tem contraindicações de uso para quem: retinopatias preexistentes; alérgicos a cloroquina (raro); diagnóstico de porfiria, miastenia gravis ou arritmia; pacientes em uso de digoxina, amiodarona, verapamil ou metoprolol; hipersensibilidade conhecida aos derivados da 4-aminoquinolina e menos de seis anos de idade.

Cloroquina não cura covid-19

Em setembro passado, o presidente afirmou que ao pegar covid-19 se tratou com cloroquina. Na época, ele fez vídeos divulgando os efeitos "milagrosos" do uso do medicamento.

No entanto, a cloroquina (ou hidroxicloroquina) pode melhorar seu bem-estar pelo "efeito placebo", mas não vai reduzir sua chance de ir parar no hospital ou te ajudar a curar-se do vírus. Aliás, nenhum "placebo" vai te curar de doença ou agente externo que necessite de sua resposta imunológica.

Natália Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, explica que toda medicação traz consigo um efeito placebo que, na verdade, está ligado ao condicionamento humano.

"No caso da cloroquina, ela se encaixa no efeito placebo da resolução espontânea da doença. A covid-19 tem um quadro em que 90% das pessoas vão se curar pela resposta delas próprias, e aí a pessoa pode atribuir a ela, ao chazinho, aos três pulinhos", exemplifica.

Ivermectina é boa contra piolho

A ivermectina, também defendida por Bolsonaro, é um antiparasitário, muito usado para controle de piolho, pulgas e carrapatos em animais, incluindo seres humanos, e algumas verminoses. Atua no sistema nervoso central de animais invertebrados, provocando paralisia muscular.

E como qualquer outro medicamento tem efeitos colaterais:

  • Diarreia;
  • Náusea;
  • Dor abdominal;
  • Falta de apetite;
  • Constipação;
  • Vômito;
  • Tontura;
  • Sonolência;
  • Vertigem;
  • Tremor;
  • Febre;
  • Coceira;
  • Lesões de pele;
  • Urticária.

Além disso, até o momento não há qualquer medicamento usado para prevenir ou tratar diretamente os efeitos maléficos no organismo causados pela infecção do novo coronavírus.

*Com informações de reportagens publicadas em 07/04/2020, 21/04/2020 e 23/06/2020.

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