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Ele desistiu da bariátrica e perdeu 70 kg sem cirurgia: "Precisava tentar"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Thamires Andrade

Colaboração para o VivaBem

03/12/2020 04h00

Gibran Guimarães Habib sempre adorou salgadinhos e fast-food, mas foi só depois de uma cirurgia no joelho, quando se tornou sedentário, que ele se tornou obeso. Com 155 kg, o advogado buscou um médico para a fazer bariátrica. No entanto, percebeu que nunca tinha realmente tentado emagrecer e decidiu antes mudar hábitos. A seguir, ele conta como conseguiu chegar a 85 kg sem cirurgia:

"Quando pequeno, eu comia várias bobagens e meus pais nunca controlaram minha alimentação. Mesmo assim, gostava muito de esportes: jogava handebol, futebol e andava de bicicleta todos os dias. Ser ativo me impedia de engordar muito e me deixava no limite do sobrepeso, sem avançar para a obesidade. Na adolescência, comecei a sair mais com os amigos e a beber e o peso foi aumentando.

No último ano do colegial, rompi o ligamento do joelho esquerdo em um jogo de handebol e fiquei sem praticar atividade física. O problema foi que segui comendo as mesmas porcarias de sempre e engordando. Mesmo depois de me recuperar da lesão, fiquei com medo de fazer esportes de contato. Logo na sequência, veio a faculdade e, com ela, festas, estágio, estudo. Não tinha tempo para fazer exercícios, virei sedentário de vez, e segui me alimentando mal.

Como Emagreci - Gilbran - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

À noite, comia uma lasanha congelada inteira, hambúrguer, pizza... Chegava a pedir fast-food de duas a três vezes por semana. Engordei 60 kg durante a graduação e, depois que me formei, comecei a ficar preocupado, já que minhas roupas não serviam mais, nem as extra G. A balança estava batendo 155 kg e isso atrapalhava minha vida profissional. Além de advogado, sou músico percussionista e, na época, dava aulas e workshops para baterias de escola de samba e de faculdade. Já não aguentava mais passar oito horas em pé tocando, no dia seguinte ficava com a coluna travada e não conseguia sair da cama.

Cheguei a um ponto em que não conseguia mais amarrar o tênis ou fazer uma caminhada de 2 km —tinha que pedir Uber para andar para qualquer lado

Na época da faculdade, eu já tinha pensado em fazer bariátrica e um médico disse que eu me encaixava no perfil para a cirurgia. Então, decidi voltar a buscar um especialista para realizar logo a operação. Mas, na consulta com o psicólogo da equipe multidisciplinar do cirurgião, cheguei à conclusão de que nunca fiz realmente uma dieta para emagrecer. Era sempre aquela coisa de fazer a dieta por uma semana e depois desistir. Precisava tentar mudar hábitos de verdade antes de encarar a bariátrica. Então, combinei que iria buscar mudar o estilo de vida e, caso não conseguisse, procuraria o médico novamente.

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Imagem: Arquivo pessoal

Não queria fazer loucura para emagrecer. Eu me matriculei na academia e resolvi buscar uma nutricionista esportiva. Ela me passou uma dieta simples e 'fácil de fazer' —no sentido de não ter muito trabalho para cozinhar. No primeiro mês foi um tratamento de choque. Não fiquei preocupado com o sabor ou em adquirir novos hábitos, só planejei seguir exatamente o que a nutricionista mandou. Não comi um grama além do recomendado. Em um mês, emagreci 13 kg e vi que era capaz.

Aí, além de seguir a dieta, comecei a buscar entender como é uma reeducação alimentar. Durante todo esse processo foi muito importante a troca com a minha nutri, porque comecei a entender o porquê eu não poderia comer fast-food e o impacto dos ultraprocessados na saúde. Passei a me interessar mais em compreender a importância de me alimentar bem e isso me deu mais consciência do que estava consumindo.

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Imagem: Arquivo pessoal

Ao longo do tempo, mesclei várias dietas. Cheguei a fazer a cetogênica por dois meses, cortando muito o carbo. Também fiz a lowcarb e fui aprendendo a lidar com a privação de determinados alimentos. Gostei tanto de nutrição que resolvi entrar na faculdade e quero trabalhar com isso no futuro.

Claro que todas essas mudanças foram casadas com a atividade física. Na adolescência, cheguei a tentar malhar, mas achei bem chato musculação. Dessa vez, levei a sério e comecei a entender o trabalho de consciência corporal, ativação dos músculos corretamente e mergulhei nesse mundo de vez.

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Imagem: Arquivo pessoal

Não foi fácil a mudança radical de rotina. No primeiro ano, não dei tanta prioridade à vida profissional para poder focar na saúde. Reduzi a carga horária, clientes e aulas que dava para realmente cuidar de mim e fazer essa mudança acontecer. Tinha dias que conseguia ir duas vezes na academia. Também me organizava muito com a dieta. Deixava todas as marmitas prontas com antecedência. Ao todo, emagreci 70 kg sem cirurgia.

Estava no processo de ganhar massa muscular quando veio a pandemia e as academias fecharam. No início, dei uma desanimada na alimentação, mas não deixei de treinar mesmo em casa. Quando vi que não conseguiria ganhar massa, resolvi me desafiar a secar o máximo possível, até para entender se iria precisar fazer uma nova cirurgia de remoção de pele. Fiz para tirar o excesso de pele do abdome, mas queria também fazer nas costas e, quanto mais magro eu estivesse, melhor ia entender o que precisava tirar. Deu certo e provei que mesmo em um momento tão difícil é possível ter sucesso na dieta. Cheguei a ficar com 8% de gordura corporal."