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5% das crianças de duas cidades do país foram ao dentista antes dos 2 anos

Cidades foram escolhidas para o estudo por terem perfis socioeconômicos contrastantes - Getty Images
Cidades foram escolhidas para o estudo por terem perfis socioeconômicos contrastantes Imagem: Getty Images

Da Agência Bori

27/11/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Estudo avaliou momento da primeira visita ao dentista de 1463 crianças de 10 e 11 anos em Ribeirão Preto (SP) e São Luís (MA)
  • Em São Luís, uma em cada dez mães mais instruídas havia levado seu filho ao dentista antes dos dois anos de idade
  • Atraso na consulta foi maior em famílias sem pais biológicos ou com pais solteiros

Apesar dos especialistas recomendarem que a primeira consulta odontológica seja no momento de erupção do primeiro dente, entre os 4 e 10 meses de vida, apenas 5% das crianças das cidades de Ribeirão Preto e São Luís tinham ido ao dentista antes dos dois anos em 2004 e 2005. Até os 7 anos, 35% destas crianças ainda não tinha passado por ao menos uma consulta odontológica. É o que mostra um estudo da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP e da Universidade Federal do Maranhão, publicado na revista "Brazilian Journal of Medical and Biological Research", nesta sexta (27).

O estudo descreve o momento da primeira consulta odontológica e investiga a associação de fatores socioeconômicos e comportamentais com o atraso desta visita ao dentista entre 1463 crianças de 10 e 11 anos de Ribeirão Preto, interior de São Paulo (790 crianças), e de São Luís, capital do Maranhão (673 crianças). De acordo com Maria da Conceição Pereira Saraiva, autora do estudo, esse é o primeiro relato de tempo de realização da primeira visita ao dentista com duas coortes populacionais usando o mesmo protocolo de pesquisa. As duas cidades foram escolhidas por terem perfis socioeconômicos contrastantes.

O trabalho evidencia que, nessa amostra, as crianças que não foram ao dentista antes dos 7 anos de idade tinham 14% e 21% a mais de chance de terem saúde bucal ruim respectivamente para São Luís e Ribeirão Preto. Baixa escolaridade da mãe e não possuir um plano de saúde privado foram associados a maior atraso na primeira consulta odontológica para ambas as coortes, assim como pequeno número de consultas de cuidados pré-natais da mãe e haver um contexto familiar sem a presença pais biológicos ou com pais solteiros.

A Academia Americana de Odontopediatria recomenda que a primeira consulta odontológica ocorra no momento da primeira erupção do dente (entre 4 e 10 meses) e o mais tardar até o primeiro ano de vida, o que aumenta a possibilidade de adoção de medidas de prevenção, detecção precoce e melhor gestão da saúde bucal e do bem-estar das crianças. "Quanto mais tarde uma criança é levada ao dentista, especialmente se ela tem maior risco de desenvolver cárie ou outro problema relacionado à saúde bucal, perde-se a oportunidade de um diagnóstico precoce e a possibilidade de indicação de medidas preventivas", destaca Maria Saraiva.

Reflexo da escolaridade da mãe

Comparativamente, o nível de instrução das mães foi refletido nas duas populações analisadas. Na coorte de São Luís, a saúde bucal precária da criança foi relatada por 71,6% das mães de baixa escolaridade comparado a 61,5% das mães com maior escolaridade. Em Ribeirão Preto, esses percentuais foram, respectivamente, 53,6% e 12,0%. Por sua vez, também foi observado um déficit entre as mães com maior escolaridade. "Na amostra de mães mais instruídas, apenas 39,9% em Ribeirão Preto e 9,73% em São Luís haviam levado os filhos ao dentista até os dois anos", acrescenta Maria Saraiva.

Dentre os agravantes apontados está o fato de pais/cuidadores terem medo de dentista e passarem esse medo para as crianças ou, até mesmo, evitar levar seus filhos ao dentista. Muitos consideram não necessário, pois a dentição decídua (dente de leite) é temporária e, em razão disso, não se preocupam com a perda deste dente por cárie. "Isso é um grande erro, pois a presença de cárie dentária nesta fase é um preditor de cárie na dentição permanente e o sofrimento que a criança passa com dor de dentes é imenso".

A autora conclui que identificar características de cuidadores e famílias menos prováveis de terem levado seus filhos ao dentista pode ajudar na criação de estratégias para estimular o acesso das crianças à primeira visita ao dentista em idade mais precoce. Famílias nas quais a mãe biológica não esteja presente, mães que fizeram poucas consultas pré-natal e que não possuem plano de saúde são alguns públicos que podem ser visados por campanhas de promoção da saúde bucal em crianças.

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