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Bebidas adoçadas artificialmente têm relação com doenças no coração

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Imagem: iStock

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

27/10/2020 14h45

Adoçantes artificiais fazem tão mal para o coração quanto o açúcar, de acordo com um estudo, que ainda está em andamento.

Publicada nesta segunda-feira (26) no periódico Journal of American College of Cardiology, a pesquisa sugere que os consumidores de bebidas adoçadas artificialmente têm um risco 20% maior de desenvolver doenças cardíacas. O resultado completo está previsto para 2029.

Como o estudo foi feito

  • De 2011 a 2019, a pesquisa analisou dados de mais de 100 mil voluntários franceses adultos que participaram do NutriNet-Santé, um estudo nutricional que está em andamento desde 2009.
  • Os participantes preencheram as informações sobre o consumo de bebidas dietéticas a cada seis meses e foram divididos em três grupos: não usuário, pouco consumidor e grande consumidor de bebidas diet ou açucaradas.
  • As bebidas açucaradas incluem refrigerantes, sucos de frutas e xaropes com pelo menos 5% de açúcar e suco de frutas 100%. As bebidas dietéticas continham apenas adoçantes não nutritivos, como aspartame ou sucralose, e adoçantes naturais, como a estévia.
  • Durante o acompanhamento, os hábitos de consumo de açúcar e dieta dos grupos foram comparados separadamente. Além disso, também foram relatados os primeiros casos de derrame, ataque isquêmico transitório (também chamado de mini-AVC), infarto do miocárdio, síndrome coronariana aguda e angioplastia.
  • Foram eliminados os casos de doença cardíaca durante os primeiros três anos, para não distorcer os dados.

Risco 20% maior

Em comparação com pessoas que não ingeriam bebidas adoçadas artificialmente, os grandes consumidores tinham 20% mais probabilidade de ter doenças cardiovasculares. No entanto, segundo os autores, o estudo só poderia mostrar uma associação entre os dois, não uma causa direta. Para isso, são necessárias mais investigações.

De acordo com os pesquisadores, não ter estudos mais conclusivos é uma grande limitação, pois é impossível determinar se a associação se deve a um adoçante artificial específico, um tipo de bebida ou outro problema de saúde oculto.

"Sabemos que as pessoas que consomem refrigerantes diet, às vezes, já estão acima do peso ou obesas, então você deve se perguntar quais outros fatores já existem", disse à CNN, o cardiologista Andrew Freeman, copresidente do grupo de trabalho de nutrição e estilo de vida do American College of Cardiology, que não esteve envolvido neste estudo. "Também sabemos que, quando ingere algo doce, o corpo ativa a liberação de insulina e uma série de outras coisas que às vezes podem levar ao ganho de peso", disse.

Entretanto, outro estudo de 2019 mostrou que os resultados da pesquisa feita com franceses não estão fora da curva. Ele mostrou que mulheres que ingeriam qualquer tipo de bebida adoçada artificialmente mais de duas vezes por dia —definidas como um copo, garrafa ou lata padrão — tinham um risco 63% maior de morte prematura. Homens que consumiram mais de duas porções tiveram um aumento de 29% no risco.

Os riscos eram maiores para mulheres sem histórico de doenças cardíacas ou diabetes e mulheres que eram obesas ou afro-americanas.

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