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5 dicas para o feed do Instagram ser mais saudável para sua mente

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Imagem: Getty Images

Dan Novachi

Colaboração para o VivaBem

27/10/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Estímulos como as curtidas soam como recompensas e reforçam a necessidade fisiológica de continuar usando as redes, como se fosse um vício
  • É importante observar como você se sente ao consumir determinados conteúdos e saber quando algo faz mal
  • Diversas características das redes sociais promovem distorções da realidade que podem impactar negativamente nossa percepção de mundo e saúde mental
  • Controlar o tempo nas redes e observar as emoções ao consumir conteúdos podem tornar a relação com esses dispositivos mais saudável

O boom do Instagram impactou a nossa maneira de consumir informações, obter referências e a relação com nossa autoimagem. Marcada principalmente por uma profusão constante de fotos e vídeos curtos, a rede social que completou 10 anos em 2020 se consolidou como a dos influencers. Mas ser um seguidor desses perfis não necessariamente é algo positivo.

A facilidade para editar e aplicar filtros colabora com a criação de impressões diferentes da realidade e aumenta nossa criticidade ao que é natural. De acordo com Stanley Rodrigues, psicólogo clínico e especialista em neuropsicologia pelo Hospital Albert Einstein, os usuários podem desenvolver um comportamento que se desvia dos referenciais éticos particulares, para se adaptar ao que a maioria visualiza, segue, curte e comenta.

Rodrigues diz que o Instagram, assim como outras redes sociais, cria em seus usuários um laço baseado na recompensa, que aparece pelo número de curtidas. Quanto mais repercussão, mais ele vai querer aquela sensação novamente. "É nesse ponto que 'acende a luz de alerta', por ser um comportamento que não é necessariamente motivado pela expressão própria do usuário, mas tão somente por um desejo de recompensa, sem que se leve em conta itens caros da vida particular: privacidade, segurança e respeito", diz.

Segundo ele, o uso exagerado das redes sociais pode exercer influência em todas as esferas da vida cotidiana, de modo que as atividades que precisam ser realizadas no dia podem ser afetadas pelo mau uso. Ele explica que, caso não se consiga estabelecer limites sobre esse uso, é possível ter prejuízos na produtividade do trabalho, diminuição significativa das conversas presenciais, problemas nos relacionamentos, perda de foco e atenção, bem como o aumento da irritabilidade e a intolerância à frustração.

Carência celular - iStock - iStock
Imagem: iStock

O que esses conteúdos me despertam?

Uma análise importante que se deve fazer com relação ao conteúdo que se consome é observar as emoções. Marcela Mello, professora da pós-graduação em terapia cognitivo-comportamental do Unisal (Centro Universitário Salesiano), diz que elas são pistas para mostrar quais pensamentos surgem na mente a medida que se percebe e interpreta um conteúdo. "Se as emoções despertadas nos causam mal-estar, provavelmente é um conteúdo que não está sendo benéfico e útil. Porém, se percebo emoções saudáveis, provavelmente os pensamentos gerados com aquela imagem, vídeo, texto são positivos", diz ela.

Além das emoções, é imprescindível refletir os motivos que envolvem estar naquela rede, olhando aquela pessoa, com aquele perfil e com aquele conteúdo. É importante saber qual é o propósito com aquilo. Isso facilita definir se as buscas estão sendo saudáveis ou não.

Diversos estudos internacionais apontam o Instagram como a rede social mais prejudicial à saúde mental. Vanessa Karam, psicóloga clínica da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, listou alguns exemplos dos principais estímulos que podem nos causar estresse ao consumir conteúdos nas redes sociais:

Moeda Social: o quanto a pessoa dá valor às curtidas que recebe em seus posts e como ela reage a isso, moldando algumas vezes o seu comportamento em troca de mais curtidas. De acordo com os algoritmos dessa rede, quanto mais curtidas um post recebe, para mais pessoas ele é mostrado. Desta maneira, determinados padrões considerados ideais recebem mais curtidas e são mostrados para mais pessoas, sendo, portanto reforçados. Ao se comparar com outros usuários, é comum desenvolver um sentimento de frustração.

Fomo: a sigla para o termo "fear of missing out" quer dizer algo como "medo de ficar de fora". Esse conceito representa um sentimento relatado por muitos usuários, em especial os mais jovens. É definido como "a inquieta sensação de que você está perdendo algo que os outros estão fazendo; provavelmente algo melhor do que você está fazendo". Essas comparações costumam levar a uma crença de se tem uma vida pior do que a de outras pessoas, desencadeando frustrações.

Supervalorização do corpo: o reforço de determinados conteúdos com curtidas propaga padrões sociais, sobretudo padrões físicos. Por ser uma rede social visual, o Instagram leva à supervalorização da imagem, de maneira que os perfis com maior aceitação e milhares de seguidores se enquadram nos estereótipos e padrões de beleza. Comparar o corpo com os outros expostos na rede pode ser uma porta de entrada para distúrbios alimentares e dificuldade de autoaceitação.

Dicas para tornar o feed mais saudável

Diante destes efeitos que discutimos acima, os especialistas consultados pelo VivaBem propuseram uma lista de dicas para tornar o consumo de conteúdos no Instagram mais saudável, assim como a seleção das páginas que se segue e interage.

  1. Ao escolher quais páginas seguir, leve em conta assuntos e pessoas que realmente lhe interessam, mesmo que não sejam os mais populares;
  2. Avalie os perfis que você segue, procure entender que tipos de emoções eles lhe trazem e como você se sente ao interagir com eles. Caso tragam emoções negativas ou gatilhos, evite-os. Deixe de seguir, bloqueie. Mantenha conteúdos que promovam reflexões saudáveis e agreguem sensações boas. Deixando de seguir determinados perfis, você ainda direciona seu algoritmo para conteúdos que podem promover maior bem-estar;
  3. Delimite um período de tempo para uso da rede social. Quando você fica preso à tela do celular, deixa de interagir com as pessoas que estão fisicamente próximas. Reflita sobre isso;
  4. Busque diminuir sua própria expectativa ao ver a quantidade de "curtidas" que suas publicações receberam. Esses números não refletem a qualidade do conteúdo;
  5. Seja transparente quando publicar algum conteúdo. Reflita se a publicação vai criar algum prejuízo pessoal ou na vida de outras pessoas.

Uma luz no fim do feed

"Eu só me dei conta que estava contribuindo para criar referências saudáveis quando as pessoas começaram a me dizer que gostavam de acompanhar meu perfil. Elas se enxergavam nas referências postadas ali, porque sentiam que o que eu postava era real. Desde então, procuro sempre reforçar essas referências possíveis nas postagens diárias, mostrando ideias de decoração que estão ao alcance dos seguidores", diz Silvia Maria, comunicadora responsável pela página @aalmadacasa, que desenvolve uma curadoria de decoração em casas "reais" e acessíveis. Um respiro em meio a tantos conteúdos que estimulam à insatisfação.

Silvia decidiu criar a página inicialmente para compartilhar inspirações e ajudar a divulgar seus trabalhos com fotografia e crochê, mas viu o público crescer imensamente com a demanda por conteúdos inspiradores, que não demandassem posturas inatingíveis.

Quem nunca visitou um imo?vel para alugar e se deparou com pisos e azulejos (ou ambos) sofriiiidos? Ha? um ano, eu estava procurando casa e desistindo de va?rias porque os revestimentos eram um show de horrores. Tinha como melhorar? Sim, era so? conseguir autorizac?a?o do proprieta?rio, da imobilia?ria, comprar a tinta epo?xi e meter a ma?o na massa. . Estava decidida a fazer isso, ate? achar a casa que moro hoje. Aqui os azulejos antigos na?o me incomodavam (tanto) e ainda lembravam a minha casa da infa?ncia. Pura nostalgia cozinhar olhando pra eles. . Por fim, resolvi na?o fazer nenhuma pintura e os azulejos seguem em seu estado natural, com muitos desgastes provocados pela ac?a?o do tempo (e dos antigos moradores). Seja qual for a sua decisa?o, sempre da? para melhorar o aspecto de revestimentos que ficaram de?mode?. Mas, so? voce? vai poder dizer o que acalma seu corac?a?o ao olhar para as paredes, sem certo ou errado. . Eu usei plantas, mo?veis e objetos coloridos para deixar a minha cozinha da vovo? com uma cara mais moderninha. E antes que algue?m pergunte, na?o furei os azulejos para pendurar plantas, os buraquinhos ja? estavam todos ai?. . E voce?? Me conta aqui embaixo que mudanc?as fez nos pisos e azulejos da sua casa (pro?pria ou alugada) e compartilha este post com quem esta? lidando com essa questa?o! ?? . . . . #aalmadaminhacasa #cozinha #cozinhadecorada #fiqueemcasa #decoracao #casasreais #casaslatinas #mykitchen #vintagehomedecor #maisplantamaisalma

Uma publicação compartilhada por A Alma da Casa (@aalmadacasa) em

"Sempre defendi a ideia de que uma pessoa pode transformar o espaço em que mora sozinha, de forma totalmente autoral e afetiva, contando a sua própria história através da decoração. Por isso busco mostrar casas que têm alma de verdade, que são o reflexo de quem ali mora, e não ambientes que parecem com um showroom de loja", explica a comunicadora, que recebe diariamente centenas de comentários e mensagens.

Para ela, um feed mais saudável pode acompanhar uma boa autoanálise. "Acho que o primeiro passo é a pessoa ver de fato com quais assuntos e nichos se identifica e, dentro de cada um desses segmentos, analisar a forma como o conteúdo é apresentado e como ele faz ela se sentir", diz. Silvia segue apenas páginas com as quais se identifica e evita perfis que façam propagandas de itens que não pode comprar ou que não valorizem a decoração de ambientes como um processo totalmente íntimo e autoral.

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