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Boa resposta de idosos à vacina de Oxford pode favorecer imunização

De Viva Bem, em São Paulo

26/10/2020 11h55Atualizada em 26/10/2020 15h39

Coordenadora dos estudos da vacina de Oxford no Brasil, a médica Lily Yin Weckx disse que a "resposta robusta" entre idosos ao imunizante contra o novo coronavírus é um bom sinal, uma vez que as pessoas com mais de 55 anos devem ser um dos grupos prioritários para vacinação.

Em entrevista para a GloboNews, a pesquisadora da Unifesp disse que o resultado noticiado hoje pelo jornal Financial Times indica que a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em colaboração com a empresa AstraZeneca, pode significar que os idosos não precisarão de uma vacina diferenciada.

"A notícia realmente é muito positiva porque em geral os idosos respondem menos à vacinação. A resposta imune geralmente é menor devido ao envelhecimento, mas o que nós vimos agora neste estudo recentemente apresentado no Congresso Médico é que a resposta imune foi bastante robusta, bastante semelhante ao que se obteve nos adultos jovens", disse.

"Isso é muito bom porque muitas vezes o que acontece é que o idoso responde menos, e você tem que dar mais doses, ter uma vacina especial a eles. O que a gente viu é que eles respondem muito bem igual aos jovens, isso é um bom sinal", completou.

Lily Yin Weckx ainda disse que dados colhidos até o momento indicam que os idosos apresentaram melhor tolerância à vacina, com menos reações adversas à aplicação. Essa informação também foi confirmada pela porta-voz da AstraZeneca à Reuters.

"O que se observou é que a reação a ela é menor nos idosos. Os idosos toleram melhor a vacina e as reações locais são cerca de 30% menores do que os adultos jovens. Quando você aplica a primeira dose, você pode ter dor local, inchaço ou febre, que melhoram logo. E quando se dá a segunda dose isso diminui muito. O que se observou é que além de responder bem, eles toleram bem a vacina", disse a médica.

Lily Yin Weckx explicou que os dados são "muito interessantes" porque os idosos serão um dos grupos prioritários quando a vacinação for iniciada - em caso de aprovação do imunizante. "Se eu tenho uma resposta imune muito boa e uma tolerância muito boa, isso só vai somar para favorecer a aplicação", disse.

Testes no Brasil

A descoberta, inclusive, pode ter consequência nos testes realizados no Brasil. No papel de coordenadora, Lily Yin Weckx disse que atualmente o programa conta com cerca de 9 mil voluntários de um total de 10 mil previstos e existe a expectativa de que o preenchimento das vagas seja feito por pessoas nesta faixa de idade.

"Estamos com 9 mil (de 10 mil voluntários previstos). Com essa notícia muito positiva, eu acho que se o idoso desejar, eles podem ser incluídos no estudo. Ainda temos vagas. Serão muito bem-vindos, principalmente aqueles com idade mais avançada. Isso é muito bom", disse.

Apesar do avanço nos testes, Lily Yin Weckx ressalta que a fase 3 ainda está em andamento e ainda não há previsão para que a vacina seja liberada.

"Os estudos em fase 3 ainda estão em andamento e queremos saber se realmente é eficaz e quanto ela vai proteger contra o coronavírus. Esses dados ainda não temos, mas os estudos estão avançando dentro do esperado", disse.

Palavra da Fiocruz

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) fez parceria com a Universidade de Oxford e está desenvolvendo a vacina no Brasil. Uma das pesquisadoras do instituto, Margareth Dalcolmo, também comemorou os resultados dos testes.

"Esse resultados vem se juntar a outros que são muito positivos em relação ao prognóstico das vacinas de forma geral. Os resultados parciais dessa vacina já sabíamos algumas informações. Uma dose é capaz de produzir anticorpos em 91% das pessoas. Com 2 dose chega a 100%.
Na população idosa, que nos preocupa mais, porque a durabilidade do anticorpo costuma ser mais curto, o resultado parece ser bom. Então, se protege população mais vulnerável, é muito promissor e nos alenta, justamente quando precisamos de boas notícias", disse Margareth em entrevista à CNN.

Margareth explicou que a vacina de Oxford será nacionalizada durante o ano que vem e, com isso, será possível atender a todos brasileiros.

"Temos um acordo de transferência de tecnologia completamente organizado com a Astrazenica, com anuência do Ministério da Saúde. Nosso acordo tem um programa muito organizado. Nosso compromisso é, uma vez terminada inclusão de voluntários da fase 3, será feita analise interina dos resultados e com isso poderemos pedir registro da vacina junto à Anvisa. Uma vez dado o registro, teremos 30 milhões de doses feitas sob risco, entregues ao Ministério da Saúde em janeiro de 2021. Com liberação e nacionalização da produção até abril de 2021. Neste momento estamos recebendo insumo, e nossa intenção é que esse insumo seja nacionalizado. Esperamos que a produção seja nacionalizada em 2021. Com isso a Fiocruz seria capaz de produzir 40 milhões de vacinas por mês e seria capaz de cobrir população brasileira ao longo de 2021", explicou Margareth.

Mas assim como já tinha feito em outras oportunidades, ela afirmou que qualquer vacina não ficará pronta neste ano: "Nenhuma vacina pode ser prevista realistamente para população em 2020. Esse prognóstico carece de densidade maior. Nosso cronograma é realista e estão sendo produzidas vacinas em modalidade sob risco".

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