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São Paulo anuncia criação de seis centros de testes para CoronaVac

Allan Brito, Felipe Pereira e Rafael Bragança

Do UOL, em São Paulo, e Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/10/2020 13h03

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou hoje a criação de seis novos centros de testes da CoronaVac, a vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan.

A intenção é aumentar de 9 mil para 13 mil o número de voluntários e assim acelerar os resultados. A medida foi tomada porque em cada pesquisa de desenvolvimento de vacina parte dos voluntários recebe o imunizante e a outra parte, placebo —uma substância sem efeito.

Somente um comitê internacional, ao qual os pesquisadores do Butantan não têm acesso, sabe quem tomou o imunizante e quem tomou o placebo. Os voluntários são monitorados por este grupo porque é preciso que 61 deles sejam infectados pelo novo coronavírus.

Este órgão internacional verifica se os voluntários que contraíram covid-19 receberam placebo ou a vacina. Desta forma, é medida a eficiência do imunizante pesquisado. Mas é impossível saber quando o número de 61 infectados será alcançado. Criar seis novos centros e aumentar para 13 mil o número de voluntários acelera o processo porque, com mais gente no estudo, fica mais mais fácil de chegar aos 61 infectados.

"Sob supervisão do Hospital Emilio Ribas, quatro novos centros serão criados na periferia, onde a taxa de contaminação tem sido maior que em outros bairros da capital. Em São Caetano do Sul, serão criados mais 2 centros. O objetivo é chegar o mais rápido possível ao número de voluntários contaminados e assim fazer avaliação da vacina do Butantan o mais rápido possível", anunciou Doria.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou na última segunda-feira (19) que é impossível saber quantos dos voluntários dessa vacina já apresentaram infecção pela doença. Os dados, segundo ele, são sigilosos e analisados pelo comitê internacional.

Anúncio e recuo

Durante a semana, a CoronaVac virou tema principal da disputa entre Doria e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ainda na terça-feira (20), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou durante uma videoconferência com governadores a intenção de compra das primeiras 46 milhões de doses da CoronaVac que devem estar disponíveis até dezembro. Doria, inclusive, chegou a comemorar o anúncio, assim como outros governadores.

Na manhã de quarta-feira (21), porém, Bolsonaro afirmou que não aprovava o acordo e disse que mandou cancelar a compra, desautorizando Pazuello. Logo após a declaração, Maia cancelou um encontro que tinha marcado com Doria em Brasília, alegando indisposição. O governador paulista seguiu cumprindo agenda na capital federal e criticou por diversas vezes a atitude de Bolsonaro.

Já Bolsonaro repetiu que a vacina é chinesa e ainda não foi aprovada pela Anvisa. No entanto, o governo federal já assumiu um compromisso de investir quase R$ 2 bilhões na vacina de Oxford, desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório Astrazeneca, que também não tem comprovação científica de eficácia, como ocorre com a CoronaVac.

Ainda anteontem, Doria deu um prazo de 48 horas, que se encerra hoje, para que o governo federal voltasse atrás na quebra do acordo feito pela CoronaVac.

Ontem, Pazuello, que se recupera de covid-19, afirmou ao lado de Bolsonaro que "um manda, o outro obedece", indicando que não contestará a decisão do presidente sobre a vacina do Butantan.

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