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7 perguntas sobre saúde mental que você sempre quis fazer

Do VivaBem, em São Paulo

16/10/2020 19h50

O último painel da Semana da Saúde Mental VivaBem, que aconteceu nesta sexta-feira (16), foi apresentado pelo psiquiatra Jairo Bouer e trouxe como convidados o psicanalista Christian Dunker, professor titular do IP-USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), e a jornalista e influenciadora digital Amanda Ramalho, para responder as perguntas dos leitores e seguidores do VivaBem sobre saúde mental.

A proposta era fazer com que os especialistas respondessem muitas questões que as pessoas geralmente têm vergonha de fazer. A seguir, separamos sete delas.

Como sei que preciso de terapia?

Segundo Dunker, é importante que cada pessoa tenha um parâmetro de si ao longo do tempo e perceba como atravessa diferentes situações, como a perda de alguém e passagens da vida (infância, adolescência e vida adulta). "Esses costumam ser momentos em que uma psicoterapia é bem-vinda, para nos ajudar a lidar melhor com as novas circunstâncias".

Mas há outros sinais que podem indicar que a pessoa precisa buscar ajuda de uma terapia, como alterações na libido, no sono e na alimentação, além do surgimento de fobias e medos mais intensos, ideias fixas e mudanças de humor (de um estado mais depressivo para outro ansioso, por exemplo). "Quando esses sinais persistem, mesmo depois de conversas, e o sofrimento se torna algo maior do que a gente acha razoável, é hora de buscar ajuda".

Como escolher um terapeuta?

Existem diferentes abordagens terapêuticas, mas o importante é você sentir segurança, confiança e afinidade com o especialista escolhido. Por isso, Dunker sugere fazer entrevistas com diferentes profissionais até encontrar aquele que seja o ideal para você. "Se não der certo, não sentir segurança, não houver empatia, não desista. É difícil mesmo conseguir um 'match'".

Clínicas-escola e entidades de formação também fornecem uma lista de indicações de profissionais que pode ajudar a pessoa a encontrar o terapeuta ideal. "Também vale perguntar aos amigos e pedir indicação", sugere psicanalista.

Desistir da terapia faz parte?

Na opinião da jornalista, sim, e faz parte do processo terapêutico. Ela contou que durante sua adolescência foi a vários psicólogos e não dava "match" com nenhum terapeuta. No entanto, disse que é importante continuar procurando o profissional ideal e não achar que é algo relacionado à linha ou ao tipo de abordagem terapêutica. "Somente aos 26 anos, quando tive uma crise mais aguda, encontrei a terapeuta que me acompanha até hoje, por indicação de uma amiga. Parecia que ele entendia minha cabeça. Isso é empatia".

Também é comum alguns pacientes interromperem o tratamento em alguns momentos da vida, algo que, segundo Dunker, pode ser uma ação de resistência em não lagar hábitos, um sinal de que a terapia funciona tão bem que a situação se resolve rapidamente, ou que é difícil se engajar com a terapia.

Como sei que tenho que migrar do psicólogo para o psiquiatra e vice-versa?

Para o psicanalista, o paciente sempre deve levar em conta que os dois tipos de tratamentos podem ser necessários para tratar um transtorno mental. "Ele precisa se perguntar se está conseguindo usar a psicoterapia para trabalhar seus conflitos. Se esse não for o caso, deve considerar que a medicação pode contribuir para sofrer menos e, assim, trabalhar melhor seus sentimentos. Caso contrário, a terapia sozinha não será produtiva", diz Dunker.

O psiquiatra Jairo Bauer complementa ainda que também pode acontecer o oposto: começar com medicação indicada pelo psiquiatra, que poderá indicar sessões de psicoterapia ao paciente.

Minha família fala que psicólogo é coisa para gente louca e que depressão é "falta de Deus". Como posso convencê-la de que eu preciso de tratamento?

Para convencer a família que o tratamento psicológico e/ou psiquiátrico é algo bom e importante, Ramalho sugere apresentar exemplos positivos de pessoas ligadas à religião ou não, e que melhoraram após se consultarem com um psicólogo. "Fazer terapia não anula a fé da pessoa. A ideia é somar", disse.

Uma boa estrutura familiar pode evitar um transtorno mental?

Apesar de uma família estruturada ser um pilar importante para uma pessoa crescer mentalmente saudável, para Ramalho isso não basta para prevenir os transtornos mentais, já que existem os fatores genéticos. "Eles predispõem a pessoa ao problema, que pode ser desencadeado por algo que não temos controle, como a pandemia que estamos vivenciando ou um luto inesperado".

Depressão e tristeza são diferentes?

Dunker explica que depressão e tristeza são condições distintas. A tristeza é um estado esperado e importante para alguns processos e situações pelas quais passamos. Já a depressão é um conjunto de sinais que envolvem desde a perda de satisfação com a vida, a perda de libido, de sono, dores nas costas e até o humor depressivo. "É algo que governa a paisagem mental da pessoa, a ponto dela se irritar com alguém alegre por perto", diz o psicanalista.

Ele comenta ainda que, apesar de ser uma doença bem vasta, o diagnóstico da depressão é difícil e bastante incerto, o que exige um maior contato com o paciente, seus amigos, familiares e até de outros médicos para uma melhor definição.