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Comer chocolate nos primeiros meses de amamentação dá cólica nos bebês?

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Imagem: Priscila Barbosa

Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

07/10/2020 04h00

São inúmeras as dúvidas e as polêmicas envolvendo a amamentação. Uma das principais é a de que comer chocolate e açúcar nos primeiros meses após o nascimento causa cólica nos bebês. Mas, afinal, isso é verdade ou apenas mais um mito que se propagou ao longo do tempo?

Não existem comprovações científicas de que o que é ingerido pelas mães seja responsável por provocar ou potencializar as tão temidas dores abdominais nos recém-nascidos que mamam somente no peito, então, no geral, não dá para culpar os doces pelo problema.

Contudo, é preciso pontuar que cada caso é um caso, ou seja, há crianças que podem ter dificuldade para digerir algum dos seus componentes —como os de qualquer outro alimento. No caso específico do chocolate, os mais comuns são alergia à proteína do leite de vaca (APLV), intolerância à lactose e sensibilidade à cafeína.

Afinal, o que causa cólica nos bebês?

Até hoje não se sabe com exatidão por que os bebês têm cólica. Ao que tudo indica, é um conjunto de fatores, sendo um dos principais a falta de coordenação das contrações da musculatura do intestino (movimentos peristálticos), devido à imaturidade dos sistemas gastrointestinal e nervoso central.

A boa notícia é que à medida que eles se desenvolvem, o que ocorre por volta dos três meses de vida, a dor e o desconforto melhoram, salvo se houver uma patologia associada, como doença celíaca, hérnia e síndrome do intestino irritável.

Outras possíveis explicações para as cólicas são as próprias características da microbiota intestinal do recém-nascido, engolir ar enquanto mama, pois favorece a formação de gases —daí ser tão importante que eles arrotem depois de se alimentarem— e fatores relacionados ao meio em que vivem, sobretudo a condição emocional dos pais.

Além disso, como adiantamos, existe a possibilidade de a criança não aceitar bem determinado alimento consumido pela mãe. Para as que desconfiam dessa condição, a dica é fazer um teste: suspenda a ingestão do item em questão por uma semana e observe o comportamento do bebê. Depois, coma novamente e veja como ele reage.

Se confirmado que a causa da cólica é o tal alimento, o melhor a fazer é suspendê-lo por um tempo, mas não precisa ser para sempre.

O que fazer em caso de cólica?

Os sinais mais evidentes de que o bebê está com cólica são choro estridente e inconsolável, rosto vermelho e com expressão de dor e movimentos agitados de braços, pernas e mãos. As crises são mais comuns no final da tarde e no começo da noite, quando o cansaço é maior.

Nessas situações, a primeira coisa, por mais difícil que pareça, é manter a calma, para não deixá-lo ainda mais nervoso e irritado. E algumas estratégias muitas vezes ajudam a aliviar a dor, entre elas confortar a criança, para que ela se sinta segura, massagear suavemente sua barriga, flexionar e estender as perninhas ou fazer movimentos de bicicleta, manter o contato pele com pele e dar banho de balde (ofurô) com água bem quentinha.

E, atenção: apesar de existirem remédios para este tipo de desconforto, eles não devem ser dados de forma indiscriminada e sem a prescrição e a supervisão do pediatra.

Qual a dieta mais recomendada durante a amamentação?

Não existe um cardápio predeterminado para quem está amamentando. O que os médicos e nutricionistas recomendam é que lactantes bebam bastante água e tenham uma dieta o mais variada e saudável possível, rica em verduras, legumes, frutas e grãos, e livre de produtos industrializados e nutricionalmente pobres, cheios de calorias vazias, como refrigerantes e frituras.

Além disso, é importante evitar excessos, de todos os tipos. Quando há moderação, qualquer alimento é permitido para as lactantes, inclusive chocolate e açúcar —a regra só não vale para as bebidas alcoólicas, pois essas têm de ser cortadas 100% nesta fase, segundo os profissionais consultados por VivaBem.

Vale destacar que comer bem durante a amamentação não é importante apenas para manter mãe e filho fortes e nutridos, a ação também tem papel fundamental na formação do paladar das crianças. O que acontece é que o leite materno muda de gosto de acordo com o que é colocado no prato, então, quanto mais variado ele for, mais os pequenos terão contato com sabores e aromas diferentes, se acostumando com eles, e mais facilidade terão em aceitar novos alimentos no futuro.

Fontes: Caroline Fernandes, nutricionista da gestante do Instituto Nascer; Luciano Borges Santiago, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria); e Mônica Carceles Fráguas, pediatra e neonatologista da Maternidade Pro Matre Paulista.