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Por menopausa precoce, Naiara Azevedo quer congelar óvulos. Como funciona?

Naiara Azevedo com o marido, Rafael Cabral - Reprodução/Instagram @naiaraazevedo
Naiara Azevedo com o marido, Rafael Cabral Imagem: Reprodução/Instagram @naiaraazevedo

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

28/09/2020 12h35

A cantora sertaneja Naiara Azevedo, de 30 anos, contou, em entrevista à revista Quem, que descobriu que sofre predisposição à menopausa precoce e pretende congelar óvulos para realizar o sonho de ser mãe no futuro.

O quadro é caracterizado perda temporária ou definitiva da função de produzir hormônios que acontece após a primeira menstruação e antes dos 40 anos de idade.

"Por isso não posso ter um filho de forma natural. Comecei a fazer tratamento de reposição hormonal para isso e estou fazendo também um tratamento para congelar os óvulos e ter um filho no futuro", disse, em entrevista à Quem.

Por que o congelamento de óvulos é uma opção?

A mulher nasce com uma quantidade delimitada de óvulos, que vão sendo descartados ao longo dos anos e nunca são repostos. Além disso, a partir dos 35 anos, também notamos uma piora acentuada na qualidade desses óvulos, o que pode aumentar as chances de síndromes cromossômicas no bebê e abortos espontâneos. Mesmo com todo o avanço da medicina, ainda não há uma forma de rejuvenescer os óvulos femininos.

"O congelamento, assim, é uma forma de preservar a fertilidade da mulher, pois consegue conservar os óvulos saudáveis mesmo com o avanço da idade", diz o especialista em reprodução humana Fernando Prado, diretor técnico da clínica Neo Vita e diretor do setor de embriologia do Labforlife.

Como funciona a técnica?

O passo a passo se assemelha a uma fertilização in vitro. Após realizar uma bateria de exames para garantir que a paciente não tem HIV, hepatite, ou outros vírus, além de precisar a quantidade e qualidade dos óvulos, a mulher passa por uma estimulação hormonal da ovulação, feita por meio da aplicação de injeções subcutâneas por cerca de dez dias.

Após o amadurecimento dos óvulos, com a paciente sedada, eles são coletados com a ajuda de um ultrassom transvaginal. Depois, eles são selecionados por um embriologista e apenas os mais aptos são preservados.

"O ideal é que pelo menos oito sejam resgatados. A média que conseguimos é entre 12 e 15", afirma Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistida da clínica Huntington Medicina Reprodutiva, em São Paulo.

Esse material pode ficar guardado no laboratório por tempo indeterminado, até que a mulher decida engravidar. Os especialistas recomendam que isso seja feito até os 50 anos, porque com essa idade aumentam os riscos de pressão alta e diabetes gestacional, quadros que podem causar danos à saúde da mãe e do bebê.

Quanto custa o procedimento?

Um dos entraves, no entanto, é o preço, ainda bastante alto, já que a mulher passa por praticamente todo o processo de fertilização para recolher os óvulos, incluindo o uso de medicamentos que estimulam a liberação de mais de um óvulo durante o ciclo.

No final de todo o processo, a conta pode ultrapassar os R$ 10 mil, além da taxa anual de manutenção do congelamento, que gira em torno de R$ 1.000 —o que acaba inviabilizando o processo para grande parte da população. De acordo com Hitomi Nakagawa, presidente da SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida), o SUS possui bancos de congelamento, porém, o sistema hoje se encontra bastante fragmentado pelo país. "A saúde pública não dá prioridade para a questão da fertilidade, infelizmente", avalia.

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