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Após não poder usar camiseta da empresa, ela mudou hábitos e perdeu 46 kg

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Yara Achôa

Colaboração para o VivaBem

17/09/2020 04h00

Fabiana Tosim, 35 anos, enfrentou o efeito sanfona por muitos anos. Em uma ação da empresa em que trabalhava, ela recebeu uma camiseta M quando na verdade vestia XG —e isso gerou uma série de brincadeiras em relação a seu peso. Foi aí que decidiu reagir, começou a correr e passou dos 110 kg para os 64 kg. A seguir, ela conta como conseguiu:

"Ao me lembrar da minha infância, vejo que tudo sempre esteve muito ligado a comida. Os encontros familiares giravam em torno da mesa e até presentes vinham em forma de alimento: em um aniversário, minha mãe não tinha condições de comprar um brinquedo e me levou a uma lanchonete fast-food para comer hambúrguer —era o que ela podia dar e isso me contentou. Até fui incentivada a praticar atividade física, mas manter um estilo de vida saudável era algo que a gente não pensava naquela época.

Menstruei cedo e logo senti a ação dos hormônios pelo corpo. Aos 16 anos, eu era a menina "diferente" do colégio: alta, usava óculos, tinha cabelo encaracolado e quadril largo. Já não me sentia bonita e as piadas que faziam por causa do meu físico me deixavam ainda pior. Mas não conseguia reagir. Isso foi gerando compulsão alimentar, eu descontava toda a tristeza nos doces e engordava.

Como emagreci Fabiana 2 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Aos 18 anos, quis emagrecer e busquei o caminho mais fácil. Experimentei dietas mirabolantes sem acompanhamento médico, que me levaram ao efeito sanfona —emagrecia e engordava. Até meus 27 anos, fui gordinha, mas não tão acima do peso. Mas, com essa idade, uma demissão fez as coisas desandarem de vez.

Eu me casaria em dois anos e tinha acabado de comprar meu apartamento. Fiquei desesperada. A compulsão alimentar voltou forte —chegava a comer quatro pacotes de macarrão instantâneo por dia. Então, atingi 110 kg na balança. E uma coisa foi levando a outra: não gostava de me olhar no espelho, minha autoestima despencou, minha autoconfiança desapareceu e, com isso, não conseguia passar em nenhuma entrevista de emprego. Demorei quase um ano para me recolocar. Não me sentia segura com minha imagem e deixava o sentimento tomar conta, não demonstrando toda a experiência profissional que possuía.

Como emagreci Fabiana 5 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Com o novo trabalho e faltando um ano para meu casamento, decidi encarar o "projeto noiva" para chegar mais magra ao altar. Procurei nutrólogo e descobri que já estava enquadrada na categoria obesa e com problemas de colesterol. Mesmo assim, queria resultados rápidos. Eu me dediquei um tempo e emagreci. Mas, como forma de 'comemoração', me descuidei por dois meses, engordando novamente.

A chave só começou a virar quando, um tempo depois, participei de uma ação na empresa e distribuíram camisetas para os funcionários. Eu tinha 110 kg e me deram uma peça tamanho M. A pessoa que fez a entrega olhou para mim e disse: 'Quem mandou tamanho M para você? O seu é extra GGGGGGGGGG'. Falou isso alto, com o departamento inteiro ouvindo. Recebi olhares e comentários maldosos sobre meu peso, sofri bullying. Apesar de dar risada e fingir que levei na esportiva, fiquei muito envergonhada e triste. Mas nesse mesmo dia me matriculei em uma academia e decidi mudar.

No dia seguinte ao comentário, às seis da manhã, estava fazendo minha primeira aula de corrida indoor. Nem sonhava que naquele momento estava conhecendo uma nova paixão, que seria a base do meu processo de mudança externa e interna.

Como emagreci Fabiana 3 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Para dar conta de trabalhar, treinar e cuidar da casa, tinha de começar meu dia às 4h30, já que morava de um lado da cidade e trabalhava do outro. Escolhi uma academia próxima à empresa para otimizar meu dia e criar uma rotina. Tive a sorte de contar com bons profissionais ao meu lado. Meu primeiro personal trainer me ensinou a correr e me ajudou com exercícios fundamentais para meu emagrecimento.

O segundo passo foi buscar ajuda médica e nutricional, para aprender a comer direito. Fiz muitos exames para saber exatamente como estava meu organismo, quais vitaminas e nutrientes me faltavam e quais os passos para conseguir eliminar chegar a um percentual de gordura saudável.

Nos seis primeiros meses, como não sabia falar 'não' para a comida, precisei brecar a vida social. Nesse tempo, também fui aprendendo a cozinhar e a preparar refeições e marmitas equilibradas: cortei industrializados, farinha branca, fast- food, carboidratos refinados e inclui mais verduras, legumes e proteínas nas principais refeições.

Treinava todos os dias corrida, bike e musculação - virou um hábito prazeroso! A corrida, inclusive, foi algo que, além de ajudar a obter o resultado que buscava em meu peso, me trouxe muita motivação. Minha primeira prova foi de 5K, no Jockey Club, em SP. Levei 1h28m para finalizar. Fui praticamente a última a chegar. Mas isso só me levou a querer me desafiar mais e amar esse esporte.

Como emagreci Fabiana 4 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Apesar de eliminar 30 kg logo no primeiro ano, o processo todo do emagrecimento que me fez perder 46 kg levou praticamente sete anos. É impossível mudar o corpo e a mente em 30 dias. O mais difícil foi entender e controlar meu emocional, porque mesmo durante o processo às vezes descontava frustrações e tristezas na comida. E, sim, tive recaídas. Para se ter ideia, cheguei a engordar 20 kg rapidamente sem perceber, porque me dei alta do tratamento de obesidade e ainda tinha a comida como válvula de escape. Mas não me culpei. Levantei a cabeça e segui em frente em busca de meu objetivo.

Por isso, sempre falo em ter paciência e buscar o autoconhecimento. Eu aprendi, por exemplo, a trocar o 'tenho que emagrecer' por 'escolho cuidar da minha alimentação'. Acredito que pessoas com obesidade precisam de um olhar amoroso e cuidadoso e de uma rede de apoio profissional. É importante que nossa história seja ouvida, sem julgamento. E que a gente não se compare a ninguém.

Não é fácil mudar velhos hábitos, abandonar o happy hour com os amigos, a pizza todo final de semana, os doces depois da refeição. As recaídas acontecem e a luta é constante. Mas o que me deixa feliz e realizada é ver minha mudança interna. Não sou a mesma Fabiana de 2013. Agora me conheço mais, tenho autoestima, me respeito, me admiro e sei que posso conquistar o que quiser: basta estar disposta a seguir os passos para isso.

Quem diria que aquela mulher frustrada e envergonhada lá de trás perderia 46 kg e completaria oito meias maratonas e uma maratona (a do Rio, em 2019)? Quando penso em toda minha trajetória, fico admirada e orgulhosa do lugar onde cheguei.

Hoje, estou com 64 kg e, apesar de sempre ter novas metas e desafios, fiz as pazes com meu corpo. Continuo com uma dieta balanceada e com treinos regulares. A mudança aconteceu, mas os hábitos precisam ficar para sempre.

Para quem está em busca do equilíbrio entre corpo, mente e sentimentos, aconselho que escolha se amar, se conhecer, todos os dias. Quando nos tornamos responsáveis por nossas escolhas, tudo começa a fluir de forma mais leve. Também é importante contar com profissionais capacitados para ajudá-lo no processo. Nas redes sociais, onde o corpo perfeito muitas vezes é mostrado como uma meta a ser atingida, tente ver a história da pessoa como uma inspiração e não como um padrão a ser seguido. Cada um de nós é único e incrível!