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Os 10 transtornos mentais mais comuns, seus sinais e como tratá-los

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Simone Cunha

Colaboração para o VivaBem

15/09/2020 04h00

Dados da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) sugerem que 30% da população das Américas teve ou terá algum transtorno mental. No Brasil, estimativas recentes mostraram que os transtornos de depressão e ansiedade respondem, respectivamente, pela quinta e sexta causa de anos vividos com incapacidade.

Para você conhecer melhor esses problemas que afetam tanto a qualidade de vida e bem-estar das pessoas, explicamos abaixo quais são os 10 transtornos mentais mais comuns e como tratá-los. A ideia é facilitar a identificação deles para estimular que pacientes e familiares busquem tratamento especializado, além de ajudar a vencer o estigma que tais doenças ainda carregam. A ordem dos transtornos está por proximidade entre as condições —e não por prevalência na população ou gravidade.

Fobia específica

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É um tipo de transtorno de ansiedade definido como um medo/aversão extrema e irracional de algo. Quem desenvolve essa doença provavelmente tem uma sensação de pavor ou pânico ao se deparar com uma situação ou objeto específico. A condição prejudica física e psicologicamente a pessoa, pois a pessoa se torna incapaz de enfrentar algumas situações diárias.

As fobias específicas são categorizadas em cinco tipos: de animais (cães, cobras, aranhas, insetos); de eventos naturais (relâmpagos, tempestades, água); de injeção ou situações que envolvam sangue; situacionais (aviões, elevadores, direção, locais fechados); e outras —como evitar situações que podem levar a um engasgo, vômito ou contrair um vírus/doença.

Sintomas físicos: ao se deparar com a situação que causa fobia, a pessoa pode sentir o coração acelerado, dificuldade para respirar, tremores, suor excessivo, náuseas, boca seca e aperto ou dor no peito.

Sintomas emocionais: ansiedade ou medo, sentimento de impotência para superar ou receio em perder o controle.

Como tratar: geralmente é indicado a psicoterapia cognitiva comportamental, em que pode ser aplicada uma técnica chamada exposição e prevenção de respostas. Em casos mais graves, o paciente também pode usar medicação.

Fobia social

fobia social, medo, timidez, se esconder - istock - istock
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Para pessoas com fobia social (também chamada transtorno de ansiedade social), atuar em público causa uma ansiedade intensa. Isso acontece em situações cotidianas que envolvem interação social, pois quem tem esse tipo de fobia tende a temer julgamento, critica ou alguma possibilidade de ser ridicularizado.

Um exemplo é a perspectiva de se alimentar na frente de outras pessoas em um restaurante, uma experiência comum para grande parte das pessoas, mas que pode ser assustadora para quem tem fobia social. No Brasil, um dado divulgado no Congresso Brasileiro de Psiquiatria de 2017 estima que 13% da população possua o transtorno.

Sintomas físicos: transpiração excessiva, tremores, gagueira, náusea ou diarreia (ocorrem quando a pessoa se depara com a situração).

Sintomas emocionais: ansiedade, angústia, preocupação excessiva por acreditarem que poderão fazer ou falar coisas erradas e evitação constante de situações cotidianas por temer agir de forma humilhante ou constrangedora.

Como tratar: acompanhamento psicológico e, em casos graves, medicação. A principal delas é o uso de antidepressivos.

TAG (Transtorno de ansiedade generalizada)

Ansiedade antes de dormir mente ansiosa - iStock - iStock
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A TAG é diferente dos sentimentos normais de ansiedade. Sua principal característica é uma preocupação intensa e persistente sobre situações normais e cotidianas. Quem tem este tipo de transtorno pode se preocupar incontrolavelmente com algo, várias vezes ao dia, mesmo que não haja motivo real para isso.

Essa preocupação excessiva e irreal pode ser assustadora e interferir nos relacionamentos e nas atividades diárias. A condição pode ocorrer de forma generalizada (o mais comum) ou em picos (ataques de pânico). É considerado o transtorno mental mais comum em todos os países e em todas as faixas etárias. Sabe-se que a incidência geral de transtornos de ansiedade no Brasil é de 9,3% da população e estima-se que a TAG afete 4 a 6% da população mundial.

Sintomas físicos: dificuldade de concentração e de dormir, tensão muscular, dores de estômago ou diarreia repetidas, suor nas mãos, tremores, batimento cardíaco acelerado e até reações neurológicas como dormência ou formigamento em diferentes partes do corpo.

Sintomas emocionais: irritabilidade, fadiga e exaustão.

Como tratar: terapia psicológica para enfrentar as ideias de ansiedade, com estratégias de enfrentamento, meditação Mindfulness que auxilia no processo de redução da ansiedade global e medicamento antidepressivo que ajuda a reduzir a percepção de ansiedade.

TOC (Transtorno obsessivo-compulsivo)

limpeza; lavar mãos; TOC - iStock - iStock
TOC não é apenas mania de limpeza, mas alguns pacientes apresentam sintomas relacionados a higiene
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O TOC é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos recorrentes e desagradáveis (obsessões) e comportamentos repetitivos ritualizados (compulsões), voltados para a redução do desconforto associado a tais pensamentos. Estudos estimam que no Brasil existam entre 3 a 4 milhões de pessoas com esse quadro.

Quem tem TOC pode até reconhecer que seus pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos são irracionais, mas não consegue resistir e se libertar. Esse tipo de transtorno, que acomete cerca de 1,5% da população, faz com que o cérebro fique preso em um pensamento ou desejo específico. Os casos clássicos têm início na infância, mas este tipo de transtorno pode se desenvolver com idade mais avançada associado ao quadro depressivo.

Sintomas: o TOC pode ser identificado por meio de algumas categorias de sinais:

  • Excesso de limpeza: medo de contaminação, compulsão por limpar ou lavar as mãos.
  • Verificadores: aqueles que confirmam repetidamente as coisas (forno desligado, porta trancada), associando a possíveis danos ou perigo.
  • Duvidosos e pecadores: acreditam que tudo deve ser feito de maneira certa, pois caso contrário algo terrível pode acontecer como punição.
  • Excesso de organização: obcecados por ordem e simetria, podem até desenvolver superstições sobre números, cores ou arranjos.
  • Acumuladores: se jogarem algo fora, temem que algo ruim possa acontecer.

Como tratar: geralmente é indicada a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que pode condicionar ao enfrentamento do medo e dos pensamentos obsessivos, sem enfrentá-los por meio de compulsões. Também pode ser indicado um tipo de medicamento antidepressivo para ajudar a reduzir a percepção de ansiedade.

Dependência química

Cigarro, fumo, tabagismo, maço - iStock - iStock
A dependência química inclui qualquer substância que possa causar vício, como tabaco, álcool e outras drogas
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O Transtorno de Dependência ao Álcool atinge cerca de 10% da população brasileira, que apresenta problemas graves relacionados ao consumo de álcool. Essa é a droga mais consumida e mais associada ao adoecimento e mortalidade precoce. Já o Transtorno de Dependência do Tabaco acomete cerca de 9% da população, e a maioria das pessoas não compreende a dependência do tabaco como um transtorno mental.

É importante ressaltar que mais de um em cada quatro adultos que vivem com sérios problemas de saúde mental também tem dependência química. E esse tipo de doença traz ainda prejuízos sociais, pois o dependente se põe em risco e coloca em risco outras pessoas. Além disso, tais dependências podem favorecer o desenvolvimento de outras doenças como cânceres e problemas cardiovasculares.

Sintomas: os sinais de transtornos por uso de substâncias podem incluir:

  • Mudanças comportamentais: queda na frequência e desempenho no trabalho ou estudo, prejuízos sociais como brigas, acidentes e atividades ilegais, mudanças no apetite ou padrões de sono, alteração inexplicável na personalidade ou atitude e no humor, irritabilidade ou acessos de raiva, falta de motivação, entre outros;
  • Mudanças físicas: perda ou ganho de peso repentino, tremores, fala arrastada ou coordenação deficiente.

Como tratar: psicoterapia individual e grupo para motivar o paciente a cessar o uso de substância e ajudá-lo a enfrentar os desafios pessoais e sociais. Os psiquiatras podem recomendar ainda medicamentos para ajudar a tratar sintomas como depressão ou alterações de humor, além da possibilidade de prescrever medicamentos que reduzam os efeitos da abstinência ou desejo pela substância.

Depressão maior

depressão, tristeza - iStock - iStock
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É o tipo mais popular, também conhecida como depressão clássica ou unipolar. A OMS aponta que em 2017 a incidência do quadro de depressão maior era de 5,8% dos brasileiros. Também é uma das maiores causas de afastamento definitivo do trabalho em todo o mundo e em suas formas mais graves associa-se ao risco de suicídio.

Sintomas físicos: a depressão maior possui sintomas que podem ir de leves ao grave, podendo durar semanas ou até meses como alterações de sono e de apetite, baixo nível de energia, dores no corpo de forma inexplicável, como dor de cabeça e dor muscular, dificuldade de pensar ou de se concentrar.

Sintomas emocionais: alterações de humor como tristeza persistente, falta de interesse ou prazer nas coisas, pessimismo, sentimentos de inutilidade e desesperança, preocupação e ansiedade constantes.

Como tratar: psicoterapia, medicamentos antidepressivos, terapia cognitivo-comportamental (TCC), terapia eletroconvulsiva (ECT) e tratamentos naturais, sendo que o plano de tratamento será diferente para cada pessoa, dependendo das necessidades individuais e classificação entre depressão leve, moderada ou grave.

Distimia

Mau humor, cansaço, notícia triste - Getty Images - Getty Images
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Quem sofre de distimia pode ser visto como sombrio, pessimista ou queixoso, quando na realidade está lidando com uma doença mental crônica. O transtorno depressivo persistente ou distimia pode não parecer tão intenso, mas prejudica os relacionamentos e dificulta as tarefas diárias. De acordo com a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) entre 5 e 11 milhões de brasileiros vivem com esse transtorno.

Uma de suas características mais conhecidas é o mau humor, por isso o diagnóstico pode ser demorado porque confunde-se como uma característica de personalidade. Este mau humor, no entanto, deve ser persistente e estender-se por mais de um ano, ocorrendo sem um motivo específico. Alguns pacientes dizem que sentem que sua vida ocorre como se tivessem puxado o freio de mão, nunca se sentem leves.

Sintomas físicos: mudanças no apetite, alterações nos padrões de sono, baixa energia, problemas de concentração e memória.

Sintomas emocionais: tristeza profunda ou desesperança crônica; baixa autoestima ou sentimentos de inadequação, irritabilidade ou impaciência e incapacidade de sentir alegria, mesmo em ocasiões felizes.

Como tratar: antidepressivos e psicoterapia são os indicados para lidar com esse tipo de depressão.

Transtorno afetivo bipolar

Mudança de humor - iStock - iStock
Pessoas com transtorno bipolar ficam em casa fase de humor por bastante tempo, e não são inconstantes como diz o imaginário popular
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O Transtorno Afetivo Bipolar é uma condição de saúde emocional que provoca grandes mudanças de humor, dificultando a comunicação e a socialização. Para receber o diagnóstico de transtorno bipolar, o paciente precisa cumprir uma série de critérios diagnósticos que incluem uma fase de estado de ânimo muito elevado com comportamentos impulsivos que envolvam grandes planos ou mudanças radicais, alterando com estados depressivos profundos, ou até estados mistos em que misturam sintomas de euforia e depressão. Atinge em torno de 3% da população do país.

Sintomas: pode ser identificado por fases, sendo que elas podem durar dias ou até meses.

  • Fase maníaca: apresenta sintomas como compulsão alimentar, gastos excessivos, hiperatividade e capacidade de discernimento diminuída;
  • Fase depressiva: pode ser caracterizada pelo desânimo diário ou tristeza, perda de peso e de apetite, fadiga ou falta de energia, baixa autoestima e pensamentos sobre morte e suicídio.

Como tratar: psicoterapia para indicar mecanismos de enfrentamento para cada fase e medicamentos para estabilizar o humor, como antipsicóticos e anticonvulsivantes.

Transtorno explosivo intermitente

Nervosismo - Getty Images - Getty Images
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Popularmente conhecido como Síndrome do Pavio Curto, é caracterizado por episódios de impulsos agressivos, podendo provocar sérias agressões verbais/físicas e até mesmo destruição de propriedade. Este tipo de comportamento agressivo não é premeditado, mas consequência de um impulso em que o indivíduo age por pura falta de controle sobre a raiva.

Essa agressividade é completamente desproporcional a quaisquer estressores que possam ter iniciado os episódios, podendo ser descritas como surtos ou ataques que aparecem em minutos ou horas e, independentemente da duração, entram em remissão de forma espontânea e rápida. Após o episódio, em geral, o paciente demonstra arrependimento genuíno, vergonha e culpa. Ataques duas vezes durante a semana, por três meses ininterruptamente, denunciam a doença.

Sintomas: explosões de agressividade que não são desencadeadas pelo uso de drogas ou qualquer outra substância ou ainda por outras doenças e distúrbios psiquiátricos.

Como tratar: abordagem psicoterapêutica para ajudar o paciente a reconhecer e verbalizar os pensamentos ou sentimentos que precedem os surtos explosivos; e uso de medicamentos que auxiliem no controle dos impulsos como antipsicóticos e anticonvulsivantes.

TBP (Transtorno de personalidade borderline)

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É uma condição psíquica caracterizada por um padrão de emoções instáveis nos relacionamentos e comportamentos em geral. Não se sabe quantas pessoas no Brasil possuem esse transtorno, mas no mundo a incidência estimada é de 6% da população. O TPB pode interferir na capacidade de aproveitar a vida ou alcançar a realização nos relacionamentos, no trabalho ou estudo. Também está associado a problemas específicos e significativos nas relações interpessoais, autoimagem, emoções, comportamentos e pensamento. No entanto, nem todo paciente experimenta todos os sintomas.

Sintomas Podem ser divididos nos seguintes grupos:

  • Comportamento: tendência a se envolver em comportamentos de risco e impulsivos, como fazer compras mesmo tendo dívidas, beber quantidades excessivas de álcool ou abusar de drogas, praticar sexo de risco ou comer compulsivamente. Além disso, os pacientes são mais propensos a se envolver em comportamentos de autolesão, como se cortar e tentar o suicídio;
  • Emoções: instabilidade emocional é uma característica fundamental, sendo que o paciente sente como se estivesse em uma montanha-russa emocional com mudanças rápidas de humor, que podem durar de minutos a dias e costumam ser intensas. Os sentimentos de raiva, ansiedade e um vazio avassalador também são comuns;
  • Relacionamentos: tendem a ter relacionamentos intensos caracterizados por conflitos, discussões, separações frequentes e muito ciúmes;
  • Autoimagem: têm dificuldades relacionadas à estabilidade de seu senso de identidade, relatam muitos altos e baixos sobre si mesmos.

Como tratar: psicoterapia é o tratamento padrão, incluindo terapia comportamental dialética (DBT) e tratamento baseado em mentalização (MBT). Os psiquiatras podem recomendar medicamentos para ajudar a tratar certos sintomas, como depressão ou alterações de humor.

Fontes: Sergio Tamai, psiquiatra e diretor secretário da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); Luan Diego Marques, psiquiatra, especialista em Terapia Interpessoal pelo Prove (Serviço de Assistência e Pesquisa em Violência e Estresse Pós-Traumático) ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e professor colaborador da UnB (Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília); Rodrigo Leite, psiquiatra, coordenador dos Ambulatórios IPq HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); e Elisa Brietzke, orientadora do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da Unifesp e professora do Departamento de Psiquiatria da Queen's University, no Canadá.

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