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"Renascemos no parto", diz mãe de bebê com paralisia cerebral

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

06/09/2020 04h00

Por causa de uma intercorrência no parto, o filho de Renata Pagan Finarde, 38, ficou sem oxigênio no cérebro, o que gerou uma paralisia cerebral. Por causa da condição, ela precisou parar de trabalhar e hoje se dedica integralmente ao menino, que completou um ano em agosto. Abaixo, ela conta sua história.

"Já tinha um filho de três anos, quando eu e meu marido decidimos ter um segundo. Tentamos e engravidei logo de primeira.

Tive uma gestação conturbada, uma pressão psicológica muito intensa. Estava trabalhando muito e, nos últimos exames, o bebê não estava crescendo como deveria. Lembro que era Dia dos Pais, em agosto do ano passado, estava na casa dos meus sogros e no final da tarde senti um desconforto na barriga. Não era um incômodo que preocupava, mas quando fui ao banheiro, percebi um sangramento muito intenso.

Corri para o hospital e cheguei na maternidade em menos de 15 minutos. Depois de quase uma hora, o parto foi concluído. No entanto, foram momentos difíceis. Vi o médico gritando, tentando dar a anestesia para eu não ver o que estava acontecendo.

Lembro do Dudu saindo de mim, mas depois disso, apaguei. Meu filho ficou 20 minutos sem oxigênio no cérebro e foi como se tivesse nascido morto. Os médicos disseram que tive um descolamento prematuro da placenta, que poderia ter sido provocado por estresse, anticoagulantes, inúmeros fatores que até hoje não sei de fato.

Renata e filho - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Fiquei um bom tempo sem ter notícias dele e, por causa dessa intercorrência, ele ficou meses no hospital e com sequelas. Por causa da falta de oxigênio, ele ficou com paralisia cerebral e passou por algumas cirurgias logo nos primeiros meses de vida. Foi um baque e bem sofrido.

Mas mesmo diante de tantas adversidades, posso dizer que renascemos no parto e agradeci muito por ele estar vivo. Na época, os especialistas me falaram que se tivesse demorado um pouco mais para chegar ao hospital, também teria tido complicações ou até morrido.

Ele continuava no hospital e alguns médicos me deram esperança sobre respirar sozinho, mas logo na primeira tentativa ele não ficou nem duas horas sem conseguir respirar com o aparelho específico. Depois de alguns processos, ele ganhou alta e foi para casa em dezembro.

Quando saí do hospital, os médicos não me deram muita esperança. Falaram que ele só iria existir, ficar praticamente em estado vegetativo, sem se desenvolver. Isso me deu um aperto no coração e uma tristeza, mas mesmo assim segui acreditando que era possível encontrar melhorias para o estado e desenvolvimento da saúde dele.

Renata e bebê 3 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Nesse processo, adoeci e desenvolvi depressão, porque era uma situação extremamente complicada, ainda mais tendo um outra criança em casa. Meu marido sempre esteve do meu lado, sempre participativo, mas acho que, desde a barriga, criamos um vínculo maior e as responsabilidades acabam se concentrando mais na figura materna. Hoje, meu filho conta com duas enfermeiras, que tive direito por causa do convênio, mas todo o tratamento é super custoso e exaustivo.

Para ajudar no seu desenvolvimento, é necessário fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e acompanhamento multidisciplinar, que gira em torno de R$ 1.000 por semana. Como só o meu marido está trabalhando (porque não posso voltar a trabalhar) resolvemos criar um site para mostrar um pouco do desenvolvimento do nosso filho e arrecadar doações para custear o tratamento. É possível anunciar serviços como entrega de bolos até doações em dinheiro mesmo.

Ele está muito bem em casa, um quadro estável e acho que se desenvolvendo na medida do possível. Sempre fica com os olhinhos fechados, mas acredito, sim, que reconheça minha voz, já que sempre que entro no quarto e falo algo, ele fica agitado.

A vinda para casa foi bem difícil, mas creio que ele foi um presente para nós e que isso não aconteceu por acaso nas nossas vidas. Eu e meu marido, logo no início do namoro, já falamos como seria se tivéssemos um filho especial ou com deficiência, e aconteceu. Aprendo muito com ele e com toda essa situação.

Imagino um futuro lindo e mais inclusivo, onde possa levá-lo para passeios e festas com os familiares e não deixá-lo tão recluso em casa. Estamos descobrindo e investindo em novos tratamentos com o neurologista, que poderá trazer resultados futuros. Ele é o nosso presente."

O que provoca paralisia cerebral?

O problema pode ocorrer em crianças recém-nascidas ou de até cinco anos de idade. Geralmente, ocorre por alguma doença como meningite, traumatismo craniano ou zika. Vale lembrar que não é a mãe que gera, pode ser qualquer condição que não seja progressiva, um evento pontual, que afetou o cérebro e gerou a paralisia.

Assim como ocorre com o bebê de Renata, anoxia (falta de oxigênio neonatal) ocorre por causa de complicações no parto, como cesáreas de urgência, parto normal muito trabalhoso e anestesia geral.

Sequelas do problema

Geralmente, o bebê apresenta sequelas como problema motor, déficit cognitivo, alteração da visão, audição. Cada criança se desenvolverá de um jeito e apresentará reações diferentes.

Como funciona o acompanhamento

Crianças com paralisia cerebral precisarão de um acompanhamento multidisciplinar com fonoaudiólogo, neurologista, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e outros profissionais para avaliar as comorbidades e desenvolvimento do paciente.

Não existe cura. O que pode ocorrer é o desenvolvimento ou agravamento do problema, mediante terapias e tratamentos específicos para cada caso.

Fonte: Renata Paolilo, neuropediatra da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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