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Ganho de peso oferece mais riscos do que genética para diabetes, diz estudo

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Imagem: iStock

Bruna Alves

Colaboração para VivaBem

31/08/2020 13h37

Uma pesquisa apresentada hoje no congresso da ESC (European Society of Cardiology), a Sociedade Europeia de Cardiologia, apontou que a obesidade é o principal fator para uma pessoa desenvolver diabetes tipo 2. Até então, acreditava-se que a genética era a principal responsável pelo desenvolvimento da doença.

"Como nascemos com nossos genes, pode ser possível identificar no início da vida quem tem uma grande chance de desenvolver diabetes durante a vida. Conduzimos este estudo para descobrir se a combinação do risco hereditário com o índice de massa corporal (IMC) atual poderia identificar as pessoas com maior risco de desenvolver diabetes", disse o principal pesquisador do estudo, o professor Brian Ference, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade de Milão, na Itália.

Como o estudo foi feito?

  • O estudo contou com 445.765 participantes do UK Biobank, no Reino Unido, que está investigando as respectivas contribuições da predisposição genética e o desenvolvimento de doenças;
  • A média de idade foi 57,2 anos e 54% eram mulheres;
  • O risco herdado de diabetes foi avaliado usando 6,9 milhões de genes;
  • Altura e peso foram medidos no momento da inscrição para calcular o IMC;
  • Os participantes foram divididos em cinco grupos de acordo com o risco genético de diabetes. Eles também foram divididos em cinco grupos de acordo com o IMC;
  • Os participantes foram acompanhados até a idade média de 65,2 anos.

E quais foram os resultados?

Durante o período de estudo, 31.298 desenvolveram diabetes tipo 2. Aqueles no grupo de IMC mais alto (média de 34,5 kg m²) tiveram um risco 11 vezes maior de diabetes em comparação com os participantes no grupo de IMC mais baixo (média de 21,7 kg/m²).

O grupo com maior IMC teve maior probabilidade de desenvolver diabetes do que todos os outros grupos com IMC, independentemente do risco genético.

"As descobertas indicam que o IMC é um fator de risco muito mais poderoso para o diabetes do que a predisposição genética", disse o professor Ference.

Os pesquisadores também usaram métodos estatísticos para estimar se a probabilidade de diabetes em pessoas com IMC alto seria ainda maior se elas estivessem acima do peso por um longo período de tempo.

No entanto, eles descobriram que a duração do IMC elevado não teve impacto no risco de diabetes. "Isso sugere que quando as pessoas ultrapassam um certo limite de IMC, suas chances de diabetes aumentam e permanecem no mesmo nível de alto risco, independentemente de quanto tempo estão acima do peso", explica o professor.

Segundo os pesquisadores do estudo, o limite de peso, provavelmente, é diferente para cada pessoa. "As descobertas indicam que a maioria dos casos de diabetes pode ser evitada mantendo o IMC abaixo do limite que desencadeia o açúcar no sangue anormal. Isso significa que para prevenir o diabetes, o IMC e o açúcar no sangue devem ser avaliados regularmente", alerta Ference.

Além disso, segundo o professor, também é possível reverter o diabetes perdendo peso nos estágios iniciais da doença, antes que ocorra danos permanentes.

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