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Após 4 meses, técnico de enfermagem que dormia no terraço volta para casa

Joseildo da Silva passou os últimos meses em um hotel, em hospedagem cedida pela Secretária Municipal de Saúde - Arquivo pessoal
Joseildo da Silva passou os últimos meses em um hotel, em hospedagem cedida pela Secretária Municipal de Saúde Imagem: Arquivo pessoal

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

25/08/2020 10h30

Em abril, o paraibano Joseildo da Silva, 35, técnico de enfermagem na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Doutor Maia, em Campina Grande (PB), passou a dormir no terraço por medo de infectar sua mãe, uma idosa de 72 anos que sofre de asma, problemas cardiovasculares, e é considerada parte do grupo de risco para a covid-19.

Ao compartilhar a história na internet, Ildo, como é chamado pelos amigos, ganhou uma vaquinha para conseguir alugar um espaço com o conforto necessário para enfrentar os longos plantões na unidade de saúde que, na época, era considerada referência para pacientes infectados pelo coronavírus.

Mas após a publicação da reportagem de VivaBem, a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande ofereceu hospedagem para profissionais de saúde que preferiam se afastar de familiares por questões de segurança.

Joseildo - enfermeiro que dorme na varanda - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
À esquerda, Joseildo com sua mãe. Na foto ao lado, o terraço onde ele dormiu no início da pandemia
Imagem: Arquivo pessoal

Joseildo foi infectado, mas já estava longe da mãe

"Esses últimos meses foram de alívio por não estar em casa, sem contato com a minha mãe. O meu maior medo era pegar a covid-19, o que de fato aconteceu", diz Joseildo.

Ele conta ter sentido um incômodo na garganta em uma sexta-feira, e que ficou mais fraco no dia seguinte. Na segunda-feira, ao chegar no trabalho, relatou o sintoma para os médicos e fez o exame PCR. Como febre e dor de cabeça apareceram logo em seguida, Joseildo foi afastado e ficou em quarentena no hotel antes que o resultado do teste, que foi positivo, voltasse, 19 dias depois.

Apesar de sofrer apenas com sintomas leves, o técnico de enfermagem afirma ter sentido muito medo de morrer. "Foram os dias mais aterrorizantes da minha vida. Como trabalhei na linha frente, vi pacientes chegando com um pouco de cansaço e, de repente, apenas quatro ou cinco horas depois, entrando em estado muito grave. Tinha muito medo de ser intubado de uma hora para outra", lembra ele, que, além de pacientes, perdeu um colega de trabalho para a doença e viu outros em estado crítico.

O bom filho a casa torna

Joseildo falando com a mãe por chamada de vídeo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Joseildo conversando com a irmã e com a mãe por chamada de vídeo
Imagem: Arquivo pessoal

No dia 14 de agosto, uma sexta-feira, Joseildo foi informado que os casos de coronavírus agora seriam encaminhados para o Hospital Pedro I, e a hospedagem seria mantida até o final da semana. "Como não estava de plantão, fui direto para casa. Senti uma alegria imensa", diz.

Muito próximo da família e especialmente apegado à mãe, ele conta ter sido um período difícil e cheio de saudade. "Comecei a fazer acompanhamento com uma psicóloga, já que ficamos abalados por ver tantas situações tristes no dia a dia, e ficamos longe das pessoas queridas. O que mais me doeu foi passar o dia das mães longe, chorei o dia todo", explica.

Mesmo após ter sido infectado pelo Sars-CoV-2, o profissional de saúde ainda toma precauções para ficar perto da mãe. "Ainda não temos certeza sobre a possibilidade de reinfecção, então os cuidados precisam ser os mesmos".

Com o dinheiro arrecadado pela vaquinha, cerca de R$ 45 mil reais, Joseildo está reformando a casa da mãe e já comprou mantimentos para famílias carentes e um asilo.

Joseildo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
À esquerda, Joseildo entregando doações. Na foto ao lado, ele mostra a reforma na casa da mãe
Imagem: Arquivo pessoal

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