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Aditivo alimentar usado em doces inflama o intestino, aponta estudo

Análise com o aditivo alimentar E171, usado em algumas gomas de mascar e chocolates, foi feita em camundongos - iStock
Análise com o aditivo alimentar E171, usado em algumas gomas de mascar e chocolates, foi feita em camundongos Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

09/08/2020 13h07

Você pode até não estar familiarizado com nomes como "E171" ou "dióxido de titânio", mas é provável que você já tenha consumido alimentos que continham o composto.

A substância, um aditivo alimentar, é usada como corante para clarear produtos como goma de mascar, coberturas de chocolates, sobremesas, doces e bebidas. Na França, o dióxido de titânio foi recentemente proibido, e a indicação da médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), é que você fique atento ao rótulo dos produtos que consome.

"Esse aditivo alimentar comum altera significativamente a microbiota intestinal em camundongos, causando inflamação no cólon e alterações na expressão de proteínas no fígado, como mostrou uma pesquisa recente liderada pela Universidade de Massachusetts Amherst", afirma Garcez.

A médica explica que a microbiota intestinal, que se refere à comunidade diversa e complexa de microrganismos no intestino, desempenha um papel vital na saúde humana. "O desequilíbrio tem sido associado a uma série de problemas de saúde, incluindo doenças inflamatórias intestinais, obesidade e doenças cardiovasculares", afirma

E é necessário ficar atento às crianças: nos Estados Unidos, por exemplo, a exposição ao E171 é duas a quatro vezes maior em crianças do que em adultos, segundo o estudo.

Menor que 100 nanômetros, essas partículas extremamente pequenas causam preocupação. "As partículas maiores não serão absorvidas facilmente, mas as menores podem entrar nos tecidos e se acumular em algum lugar", aponta a especialista.

Como o estudo foi feito

O estudo utilizou camundongos, que foram separados em dois grupos: um recebeu uma dieta rica em gordura, semelhante à de muitos americanos; o outro foi alimentado com uma dieta pobre em gordura.

Apenas os ratos alimentados com uma dieta rica em gordura acabaram se tornando obesos, mas em ambos os grupos, a microbiota intestinal foi perturbada pelas partículas minúsculas de dióxido de titânio.

"As partículas nanométricas causaram mudanças mais negativas nos dois grupos de ratos, mas os camundongos obesos foram mais suscetíveis aos efeitos adversos", afirma. Os pesquisadores descobriram que as nanopartículas de dióxido de titânio diminuíram os níveis cecais (do intestino) de ácidos graxos de cadeia curta, essenciais para a saúde do cólon, e aumentaram as células imunes pró-inflamatórias e citocinas no cólon, indicando um estado inflamatório.

Para avaliar o impacto direto na saúde da microbiota intestinal interrompida pelas nanopartículas, os pesquisadores continuaram a investigação por meio de um transplante fecal. Eles deram antibióticos para limpar a microbiota intestinal dos ratos e depois transplantaram bactérias fecais com nanopartículas para esse grupo. Isso levou, novamente, a uma inflamação e os resultados confirmaram a hipótese de que a inclusão de dióxido de titânio na dieta interrompe o equilíbrio da microbiota intestinal.

O estudo também mediu os níveis de dióxido de titânio em amostras de fezes humanas, encontrando uma ampla variedade. Mas ainda são necessários mais estudos para determinar os efeitos na saúde da exposição a longo prazo.

"De qualquer forma, todo aditivo alimentar deve ser evitado e devemos priorizar uma dieta com alimentos mais in natura e menos ultraprocessados, que estão envolvidos em uma série de problemas ao organismo. Procure ajuda de um médico nutrólogo para melhorar a alimentação", conclui a médica.