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Exame de sangue pode diagnosticar danos cerebrais após o nascimento

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Imagem: iStock

Bruna Alves

Colaboração para VivaBem

04/08/2020 18h07

Um exame de sangue precoce, realizado poucas horas após o nascimento, pode detectar quais bebês privados de oxigênio ao nascer correm risco de desenvolver graves doenças como paralisia cerebral, epilepsia, surdez ou cegueira.

O estudo, liderado por pesquisadores do Imperial College London (Inglaterra), em parceria com grupos da Índia, Itália e Estados Unidos, foi publicado hoje (4) na revista Scientific Reports.

Os bebês podem sofrer pela falta de oxigênio após nascimento por vários motivos, inclusive, quando a mãe tem pouco oxigênio no sangue, infecção ou complicações com o cordão umbilical durante o parto.

Após essa privação, a lesão cerebral pode se desenvolver em apenas algumas horas, ou demorar meses, e afetar diferentes regiões do cérebro, resultando em uma série de doenças neurológicas. Essa instabilidade dificulta determinar quais bebês correm maior risco de complicações e a definição de um planejamento que possa impedir os piores resultados.

Como foi feito o estudo?

  • O estudo foi realizado em hospitais indianos, onde há cerca de 500 mil a 1 milhão de casos de asfixia ao nascimento (privação de oxigênio) por ano;
  • Foram avaliados 45 bebês que sofreram privação de oxigênio no nascimento. Os pesquisadores identificaram alterações em uma série de genes no sangue que poderiam mostrar aqueles que desenvolveriam neurodeficiências;
  • Os bebês tiveram seu sangue coletado dentro de seis horas após o nascimento e foram acompanhados após 18 meses para verificar quais desenvolveram neurodeficiências;
  • O sangue foi examinado com sequenciamento de última geração para determinar qualquer diferença na expressão gênica --a 'ativação ou desativação de genes' -- entre os bebês que desenvolveram neurodeficiências e aqueles que não;
  • A equipe descobriu que 855 genes foram expressos de maneiras diferentes entre os dois grupos, com dois mostrando a diferença mais significativa.

O exame desses dois genes, em particular, e o que processa sua expressão nas células, pode levar a uma compreensão mais profunda das causas das deficiências, motivadas pela privação de oxigênio e, potencialmente, como interrompê-las, melhorando os resultados.

Em entrevista ao site de notícias EurekAlert!, o principal autor do estudo, Paolo Montaldo, do Centro de Neurociência Perinatal do Imperial, disse que os resultados são importantes, mas ainda há muito o que estudar.

"Sabemos que a intervenção precoce é essencial para evitar os piores resultados em bebês após a privação de oxigênio, mas saber quais bebês precisam dessa ajuda e qual a melhor forma de ajudá-los, continua sendo um desafio".

Por que esse resultado é importante?

"Os resultados desses exames de sangue nos permitirão obter mais informações sobre os mecanismos da doença responsáveis por lesões cerebrais e desenvolver novas intervenções terapêuticas ou melhorar aqueles que já estão disponíveis", explicou o professor Sudhin Thayyil, do Centro de Neurociência Perinatal do Imperial, e um dos autores do estudo, ao Eurekalert!.

Os bebês fizeram parte de um estudo chamado Hipotermia para Encefalopatia em países de baixa e média renda (HELIX), que também examina o uso de hipotermia (resfriamento extremo) em bebês para impedir lesões cerebrais que se desenvolvem após a privação de oxigênio.

De agora em diante, a equipe irá expandir seu estudo de exame de sangue para um número maior de bebês e examinar os genes que parecem mostrar a maior diferença entre os grupos.

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