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Países mais ricos garantem 1,3 bi de doses de vacina; competição preocupa

Vacina contra a covid-19 pode demorar até 2022 para ter 1 bilhão de doses em escala global - Robson Mafra/AGIF/Estadão Conteúdo
Vacina contra a covid-19 pode demorar até 2022 para ter 1 bilhão de doses em escala global Imagem: Robson Mafra/AGIF/Estadão Conteúdo

De VivaBem, em São Paulo

03/08/2020 08h41

Enquanto se aguarda uma vacina que possa imunizar contra o novo coronavírus, a corrida de países para serem os primeiros a receberem as doses iniciais já começou. E os países mais ricos do planeta estão usando seu poder para sair na frente. Ao menos 1,3 bilhão de doses estão garantidas para um grupo de nações que inclui Estados Unidos, Reino Unido e Japão, além da União Europeia.

De acordo com o site Business Standard, a corrida é motivo de preocupação de que as vacinas demorem a chegar a países menos abastados, dificultando o esforço global para que se chegue próximo de eliminar a covid-19.

Os acordos dos Estados Unidos e do Reino Unido com a Sanofi e a parceira GlaxoSmithKline Plc e o entre Japão e Pfizer são exemplo disso. A União Europeia também tem feito movimentos agressivos para garantir uma grande cota de doses.

Este grupo de países, segundo a empresa de análises Airfinity, já assegurou para si 1,3 bilhão de doses de vacina. Desenrolares do acordo já feito somariam mais 1,5 bilhão de doses ao 1,3 bilhão de agora.

"Mesmo se você for otimista com a ciência, ainda não haverá vacina suficiente para o mundo todo", explica Rasmus Hansen, executivo da Airfinity. Ele alerta que boa parte das vacinas em estudo pode necessitar duas doses.

Duas vacinas em desenvolvimento são vistas com otimismo: uma da Universidade de Oxford e a da parceria entre AstraZeneca e Pfizer-BioNTech. Mas ainda é preciso provar que elas são eficientes, ganhar aprovação e o manufaturamento.

É possível o mundo não consiga chegar a 1 bilhão de doses distribuídas até o começo de 2022, estima a Airfinity.

Uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde, o Covax, tenta equilibrar os interesses e coloca países para ajudarem no financiamento das pesquisas de vacinas - incluindo as com menos chance de sucesso -, com a consequência de eles terem acesso mais justo quando houver uma eficiente. O Brasil entrou na Covax no meio de julho.

"Nossa esperança é de que se tivermos várias vacinas, os países poderão trabalhar com mais união", afirma Seth Berkley, CEO da Gavi, que participa da iniciativa.

Enquanto isso, Estados Unidos dão indícios de acelerar produção e investem pesado para garantir para si uma grande quantidade de doses, em contraposição à China, que afirma que disponibilizará globalmente uma vacina, caso as que estuda se mostrem eficientes.

"Os Estados Unidos acelerarem o processo é uma grande notícia para o mundo. Isso ajuda a ciência a avançar. Minha preocupação é que precisamos de um fornecimento global", concluiu Berkley.

A situação do Brasil

Um levantamento do fim de julho feito pelo Quartz aponta que o Brasil é um dos países com mais doses da vacina contra a covid-19 reservadas. Já são 220 milhões ao todo, sendo 120 milhões da chinesa Sinovac, desenvolvida com o Instituto Butantan, e 100 milhões da Universidade de Oxford, que mantém parceria com a AstraZeneca.

A contagem do Quartz leva em consideração tanto as candidatas à vacina licenciadas para produção local quanto aquelas fechadas em acordo para compra direta. O caso do Brasil é a primeira opção — e o país, em troca, permite a realização de testes em território nacional.

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