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Estudante de medicina cria manual para identificar sintomas na pele negra

Reprodução/ St Georges Universty of London
Imagem: Reprodução/ St Georges Universty of London

Do VivaBem

02/08/2020 15h19

O estudante Malone Mukwende, que faz faculdade de medicina na St Georges Universty of London (Inglaterra), criou um livro para ajudar os médicos a identificarem sintomas e doenças nas pele marrom e preta, que muitas vezes se manifestam de forma diferente da pele branca.

A ideia surgiu após Malone perceber que os sintomas apresentados nas aulas de medicina na grande maioria das vezes jamais aconteceriam com ele. "Frequentemente somos ensinados a observar sinais como erupções avermelhadas. Essa manifestação não pode ser observada na minha pele, como estava descrita nos livros. Falei com os professores e ficou claro que eles não conheciam nenhuma outra forma de descrever esses quadros em negros e há uma grande lacuna na educação médica atual. Então, pensei que precisava mudar isso", afirmou o estudante em entrevista ao site Medscape.com.

kawasaki - Mind the Gap/ St Georges Universty of London - Mind the Gap/ St Georges Universty of London
O livro de Malone mostra a diferença dos sintomas na pele negra e branca de quem tem síndrome de Kawasaki, doença rara que surgiu em algumas crianças com covid-19
Imagem: Mind the Gap/ St Georges Universty of London

Após uma conversa com a professora em diversidade e educação médica Margot Turner, o professor em habilidades clínicas Peter Tamony e representantes da universidade, foi acordado que "descolorir" a grade do curso de medicina era essencial. O trio então escreveu o livro "Mind the Gap - A Handbook of Clinical Signs in Black and Brown Skins" (Cuidado com o vão, um manual dos sinais clínicos na pele preta e marrom, em tradução livre), que ainda não foi publicado.

Em entrevista ao site de sua faculdade, Malone explica que o objetivo do livro é educar estudantes e profissionais de saúde sobre a importância de reconhecer sinais de doenças que se apresentam de forma diferente na pele mais escura. "Como os livros de medicina possuem um 'viés de pele branca', os futuros médicos precisam estar cientes das diferenças (mostradas no Mind The Gap), para não comprometer o atendimento a determinados grupos."

livro mind the gap - Reprodução/ St Georges Universty of London - Reprodução/ St Georges Universty of London
Capa do livro Mind The Gap, que ainda não foi publicado
Imagem: Reprodução/ St Georges Universty of London

O guia escrito por Malone e seus professores aborda, inclusive, muitas questões que passaram a ser mais comuns com a pandemia do coronavírus, como perguntar se o paciente com sintomas de covid-19 está pálido ou se seus lábios ficaram roxos. "Isso não é útil para o diagnóstico da doença em uma pessoa negra e os cuidados com ela serão comprometidos desde o primeiro contato com o profissional da saúde", alertou o estudante na entrevista ao site de sua faculdade.

Em um dos exemplos, o livro de Malone faz a comparação dos sintomas da Síndrome de Kawasaki, doença inflamatória infantil rara que afetou algumas crianças infectadas pelo coronavírus. A condição tem como sintomas lesões na pele, que se manifestam de forma bem diferente na pele negra e na branca (como mostra foto acima).

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