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Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável


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"Ele vai infartar": falar a verdade ou poupar o idoso de notícias ruins?

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

31/07/2020 04h00

Quanto mais velho, mais frágil? Nem sempre é assim. No que se refere ao diagnóstico de doenças, mortes e acidentes, por exemplo, idosos lúcidos, ativos e bem desenvolvidos emocionalmente podem ser que não sejam e, pela experiência de vida, até saibam lidar melhor com o sofrimento.

"É natural que queiramos poupá-los. Porém, a dimensão do que suportam é uma projeção nossa. Muitas vezes tentamos proteger o outro a partir daquilo que nós temos dificuldade de lidar. A percepção da família e dos amigos se o idoso 'aguenta o tranco', ou não, é influenciada pelo estado emocional dos que estão em volta", aponta Alfredo Toscano, psiquiatra e professor da FCMSC-SP (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo).

Idoso tem direito de saber e tomar decisões

Toscano diz que se o idoso tiver autonomia e boa saúde, não deve ser privado da verdade. Para ele, a pós-modernidade tende a impedir a dor psíquica como se fosse algo desnecessário. Porém, vivenciá-la, assim como recordar o passado e manter um ente querido na memória, facilita o processo de luto, mas convém seguir o interesse do idoso em falar, ou não, desses assuntos.

Idoso triste apoiado em muleta - Dean Mitchell/Istock - Dean Mitchell/Istock
Imagem: Dean Mitchell/Istock

Além disso, dependendo de como a notícia ruim se relaciona com a vida do idoso, ele precisa ser o primeiro a ser informado, pois se estiver doente ou em fase terminal é direito dele saber o que tem e se decidir a respeito, aponta Natan Chehter, geriatra pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e da BP - A Beneficência Portuguesa, de São Paulo.

"Não tem essa de 'ai, se eu contar, ele vai infartar'. Tem que ter trato, forma de passar essa informação de maneira a ser o menos traumático possível. O idoso não tem que ser poupado com base em idade e diagnóstico prévio. Muitas vezes ele está ansioso, nervoso, porque quer saber o que se passa e isso está sendo cerceado de alguma maneira", explica Chehter.

Por outro lado, o geriatra explica que tem idosos que preferem não saber de nada. "A primeira pergunta que faço antes de pedir um exame, como o de câncer, é se querem saber o resultado. Vale lembrar que somos médicos e o diagnóstico pertence ao paciente. Inclusive, se ele tiver autonomia e não quiser compartilhar a informação com ninguém, ele tem esse direito e deve ser respeitado".

Mentira pode ferir mais que a verdade

Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) explica que ao ser poupado, o idoso pode desconfiar ao notar as pessoas próximas tristes ou apreensivas e, se descobrir a verdade, se sentir traído, enganado, frustrado e ressentido.

"Se ele é lúcido, tem todo o direito sobre si, principalmente no fim da vida, para não deixar, por exemplo, pendências, tarefas inacabadas, que gostaria de ter resolvido, como pedir perdão ou perdoar alguém. Conheço gente que também fez doações, despedidas", diz.

Toscano afirma que a mentira priva o idoso da consciência dos fatos e da oportunidade de se posicionar diante deles e se for descoberta, parentes e amigos terão que fazer um esforço ainda maior para ajudá-lo a redirecionar suas emoções e pensamentos para a realidade.

"Pessoas idosas que no passado assumiram o comando de suas famílias não podem ser infantilizadas e menosprezadas nesta fase da vida em que ficam mais dependentes, porque esta atitude pode gerar sentimento de incapacidade e até agravar quadros depressivos", diz, acrescentando que da mesma forma se receberem notícias de forma fria, distanciada ou banal.

"É sempre bom deixá-los perguntar, relembrar, ver se querem falar, o quanto falar, chorar. Não deixá-los sozinhos, mas acolher e perguntar o que precisam e como ajudar, fazer um agrado e, se não puder estar junto, ligar ou se aproximar virtualmente", lembra Vasconcellos.

O que avaliar e como contar algo ruim?

Velhinhos conversando - iStock - iStock
Imagem: iStock

Para descobrir a reação do idoso frente a notícias ruins e saber que decisão tomar e ampará-lo, é necessário antes se atentar —e de preferência em conjunto— a algumas questões. Por exemplo, à forma como ele recebe e encara fatos dolorosos do cotidiano, se aparenta estar muito sensível, em depressão, recuperação de cirurgia ou tratamento de alguma doença de risco, ou mesmo passando por um luto recente e complicado de alguém muito próximo.

"Se sofre de demência, faz confusão, como querer ver o pai e a mãe que já faleceram há anos, tem reações negativas, além de esquecer e perguntar a todo o momento o que aconteceu há instantes, esse idoso não tem condições de receber uma notícia ruim e nem vai elaborar luto e ter esse processo respeitado para poder tomar alguma decisão", esclarece Natan Chehter.

Quem convive diretamente com ele também deve ser levado em consideração, principalmente se reage mal e costuma dar muita ênfase à dor. "Não há condição ideal para uma revelação dolorosa. Entretanto, é preciso evitar situações estressantes, geradas por dramatização. Em relação a contar detalhes, ou não, deixe que o próprio idoso se decida sobre isso e reduza ao máximo a interferência das próprias emoções no relato, respeitando sua assimilação", sugere Toscano.

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