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Estudo revela que risco de AVC é maior para quem sofre desvantagens sociais

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Imagem: iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo*

16/07/2020 16h37

Ter mais desvantagens sociais pode quase triplicar o risco de sofrer um AVC (acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como derrame), especialmente se você tiver menos de 75 anos, de acordo com uma nova pesquisa publicada hoje no Stroke, um periódico científico da organização norte-americana American Stroke Association.

De acordo com os pesquisadores, o estudo confirma que algumas desvantagens sociais, como viver em uma área rural, pobre, ter baixa escolaridade ou renda, não ter plano de saúde ou ser negro —por habitualmente sofrerem diversas dessas questões citadas—, podem contribuir para o aumento do risco de derrame.

Como o estudo foi feito

  • Para encontrar as respostas, os cientistas acompanharam, durante 10 anos, informações de saúde de cerca de 28 mil adultos norte-americanos pretos e brancos, com idade média de 64,7 anos.
  • Dados do Ranking de Saúde da América, que classifica a infraestrutura de saúde pública por estado, foram usados para definir estados com infraestrutura de saúde pública precária.
  • Durante o estudo, 1.470 casos de AVC foram relatados entre os participantes.
  • A análise dos dados aponta que o risco de derrame aumenta entre indivíduos com múltiplos determinantes sociais da saúde; pessoas com três ou mais determinantes sociais da saúde eram quase duas vezes e meia mais propensas a sofrer um AVC; e após o ajuste para outros fatores de risco, o risco de AVC permaneceu 50% maior entre aqueles com três ou mais determinantes sociais da saúde.
  • Além disso, os pesquisadores observaram que as mulheres negras, especificamente, eram mais propensas a ter um número maior de desvantagens sociais, e portanto, terem maior risco.
  • Pessoas com mais desvantagens sociais também tinham maior probabilidade de ter fatores de risco mais tradicionais, como hipertensão ou diabetes tipo 2.

"Intervenções precoces são cruciais para reduzir as disparidades do risco de ter um AVC. Embora os determinantes sociais da saúde sejam difíceis de mudar, seu efeito pode ser mitigado com políticas sociais. No entanto, os programas podem não ser tão eficazes em idades posteriores quando fatores fisiológicos podem começar a dominar sobre fatores sociais", indicou Evgeniya Reshetnyak, coautor do estudo e pesquisador do Weill Cornell Medicine, em Nova York.

No Brasil, fragilidade social também influencia

No Brasil, sabe-se que fatores que levam à vulnerabilidade social, conhecidas como determinantes sociais da saúde, também aumentam a chance de uma série de quadros. Durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, dados apontam que mortes naturais (que exclui aquelas causadas por atos de violência e acidentes) subiram três vezes mais entre negros do que brancos.

"Esses números diferentes refletem aquilo que as pesquisas e estudos já vinham revelando: as desigualdades social e racial refletem nesse momento na saúde. O que a gente já vinha dizendo é que a epidemia escancara a perversa desigualdade no cuidado social do país", afirma a sanitarista Bernadete Perez, vice-presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva).

Conforme aponta Raphael Barreto, doutorando e mestre em saúde pública pela Fiocruz, e pesquisador da relação Estado, Sociedade e Saúde, aqui no Brasil, os resultados são muito parecidos com os dos norte-americanos, sendo negros e mulheres as principais vítimas.

"A saúde, como conceitua a OMS, é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças. Isso significa que as condições nas quais vivemos interferem diretamente no nosso estado de saúde".

O racismo estrutural é outro fator importante a ser considerado. "Se utilizarmos as categorias que atravessam os determinantes sociais propostos pela OMS para avaliar a população brasileira, identificaremos que os negros historicamente figuram as piores estatísticas. As mulheres negras estão ainda mais suscetíveis, pois sobre elas ainda pesa o machismo, também estrutural", completa Barreto.

*Com informações de reportagem publicada em 15/07/2020.

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