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Como prevenir o câncer de mama, doença que matou Kelly Preston

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

13/07/2020 09h37

A atriz americana Kelly Preston, que participou de filmes como "Jerry Maguire" e "Irmãos Gêmeos", morreu aos 57 anos, vítima de câncer de mama, após dois anos lutando contra a doença. O anúncio foi feito pelo seu marido, o ator John Travolta.

O que causa o câncer de mama?

Certas mutações genéticas herdadas de um dos pais podem estar por trás do câncer de mama, mas isso não é tão frequente quanto se imagina —apenas 5% a 10% dos casos de câncer de mama são hereditários. A maior parte das mutações no DNA das células são adquiridas ao longo da vida.

Veja, a seguir, alguns fatores de risco conhecidos que podem aumentar a probabilidade de ter um câncer de mama. Mas, lembre-se: contar com um ou mais deles não quer dizer que você certamente terá a doença.

Fatores não evitáveis:

  • Gênero: as mulheres têm uma propensão bem mais elevada ao câncer de mama que os homens. Sabe-se que o hormônio feminino tem um papel relevante em muitos casos;
  • Idade: a maioria dos casos ocorre a partir dos 50 anos. Quanto maior a idade, maior a probabilidade de adquirir mutações genéticas;
  • Etnia: mulheres brancas são ligeiramente mais propensas a ter câncer de mama do que as de outras etnias. Porém, existe um tipo de câncer mais agressivo que é mais diagnosticado em negras;
  • Exposição ao estrogênio: mulheres naturalmente expostas a uma quantidade maior de estrogênio ao longo da vida --como aquelas que tiveram a primeira menstruação antes dos 12 anos, a menopausa após os 55 anos, a primeira gravidez após os 30 anos e/ou não tiveram filhos -- têm uma probabilidade maior;
  • Doenças benignas: em geral, cistos, fibroses, calcificações e tumores benignos não parecem afetar o risco de câncer de mama. Já lesões proliferativas (em que há crescimento excessivo de células), como a hiperplasia ductal atípica ou lobular atípica, podem aumentar o risco consideravelmente
  • Herança genética: uma das causas mais comuns de câncer de mama hereditário (que corresponde a 5% a 10% de todos os casos) é a mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, também associada ao câncer de ovário. Nas famílias que herdam o BRCA1, o risco ao longo da vida pode chegar a 80%. Já nas que têm o BRCA2, é de aproximadamente 45%. O acompanhamento dessas pacientes deve ser mais próximo e uma cirurgia preventiva pode ser indicada;
  • Exposição à radiação ionizante: são fatores de risco a radioterapia na região torácica (especialmente quando feita em idade precoce) e até mesmo a realização excessiva e desnecessária de exames de imagem;
  • Densidade da mama: mulheres com mamas densas têm risco mais elevado, o que pode ser influenciado por fatores genéticos, idade e ocorrência de gravidez;

Fatores modificáveis:

  • Terapia de reposição hormonal (TRH) após a menopausa: o risco é maior entre usuárias, especialmente quando por tempo prolongado. Nas mulheres que tiveram o útero removido e, portanto, fazem apenas a reposição com estrogênio, o risco parece aumentar apenas após 10 anos de uso. É por isso que mulheres submetidas à terapia devem ser bem acompanhadas pelo médico, e quem já teve câncer ou tem casos na família deve evitá-la. Vale lembrar que a suplementação com fitoestrogênios também deve ser supervisionada pelo médico;
  • Ingestão de bebida alcoólica: mulheres que consomem mais de uma dose de álcool por dia ou que exageram regularmente têm risco mais alto;
  • Sobrepeso e obesidade: a adiposidade interfere nos hormônios e, portanto, pode ter um papel importante para o câncer de mama;
  • Tabagismo: há alguma evidência de que fumar também aumenta esse tipo de câncer;
  • Pílula anticoncepcional: o uso é considerado fator de risco pela Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer) da OMS (Organização Mundial da Saúde). Segundo o Inca, estudos sobre o tema têm resultados contraditórios;
  • Dieta: alguns estudos condenam o consumo excessivo de carne vermelha e processada
  • Produtos químicos: muitas pesquisas têm sido feitas para avaliar o papel de substâncias químicas nesse tipo de câncer, mas ainda não há resultados claros.

Como prevenir o câncer de mama

A melhor maneira de se evitar a doença é:

  • Controlar o peso;
  • Praticar atividade física regular;
  • Evitar bebidas alcoólicas;
  • Evitar a terapia de reposição hormonal por mais de cinco anos;

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. No entanto, muitas mulheres ainda relutam em mudar os hábitos.

"Nenhuma vez eu disse à uma paciente que ela precisaria fazer quimioterapia, que perderia cabelo por isso e ela se opôs. Elas entendem que é o preço. Mas quando digo que precisam fazer atividade física e mudar de estilo de vida, elas têm muita dificuldade em adotar as recomendações", explica Marina Sahade, oncologista do Hospital Sírio Libanês.

Detecção precoce

O Ministério da Saúde não recomenda mais o autoexame das mamas como método de rastreamento. A orientação é que a mulher realize a autopalpação/observação das mamas sempre que se sentir confortável para tal —seja no banho, seja na troca de roupa, seja em outra situação. Sempre que houver alguma alteração suspeita, deve-se procurar esclarecimento médico. Em outras palavras, conhecer a própria mama e ficar atenta a eventuais alterações é o mais importante para evitar um diagnóstico tardio.

Além disso, é importante que as mulheres consultem o ginecologista ao menos uma vez por ano —ou mais, se necessário —, para que o profissional realize a palpação da mama e solicite exames de imagem, se necessário. A Sociedade Brasileira de Mastologia indica que a mamografia seja feita regularmente a partir dos 40 anos. Já o Inca e o Ministério da Saúde recomendam a realização do exame apenas a partir dos 50 anos, para evitar o risco de falsos-positivos e cirurgias desnecessárias.

Fontes: Fabiana Makdissi (cirurgiã mastologista/A.C. Camargo Cancer Center); Marcelo Bello (mastologista/Instituto Nacional de Câncer); Instituto Oncoguia; American Cancer Society; Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc/OMS), entrevistadas na reportagem de Tatiana Pronin.

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