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Covid-19: será que usar banheiro público é seguro? Veja o que dizem médicos

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Imagem: iStock

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

08/07/2020 11h00Atualizada em 08/07/2020 14h18

Para algumas pessoas, a rotina de limpar a casa frequentemente, desinfetar as maçanetas e higienizar sapatos e carpetes virou comum nessa quarentena. A limpeza "pesada" nos cômodos e uso do álcool gel se tornou hábito. Tudo para combater o novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Mas é mais fácil ter esse tipo de controle em casa. No entanto, com a reabertura de bares, restaurantes e até locais de trabalho, como garantir que a higiene é bem feita em ambientes que não é você que limpa, como os locais compartilhados por diversas pessoas? Nessas horas, um banheiro público pode se tornar algo bastante assustador.

Recentemente, um estudo publicado pelo Physics of Fluids mostrou o potencial de contaminação por meio dos aerossóis fecais —uma espécie de "nuvem de cocô" que conteria vírus viável para infectar outras pessoas em banheiros. De acordo com o artigo, é melhor ter cuidado ao frequentar um banheiro público pelo qual passa muita gente e evitar dar descarga com a tampa levantada.

Os pesquisadores do trabalho científico sugerem que há maneiras de evitar a contaminação, como ir ao banheiro de máscara e, caso a pessoa queira limpar o vaso sanitário com um lenço, deve-se higienizá-lo. No caso dos homens, o recomendado é manter um distanciamento seguro entre os mictórios e evitar o máximo de contato com outras pessoas.

O que dizem os médicos?

De acordo com Renato Grinbaum, infectologista da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), o uso de banheiro público requer cuidados, mas sem muita paranoia.

O especialista reforça que a pesquisa estuda a dinâmica física de partículas de água do vaso sanitário, mas isso não quer dizer que automaticamente o aerossol está gerando o coronavírus. "A interpretação tem que ser cuidadosa. Nenhuma recomendação pode ser feita baseada neste tipo de estudo preliminar. Ele só aponta a necessidade de mais estudos", explica.

"Sou médico, vou todos os dias ao hospital e uso o banheiro de lá, que é público. Se fosse tão perigoso, já teria pego a doença".

Igor Marinho, infectologista do HC-SP (Hospital das Clínicas de São Paulo) e coordenador médico do hospital AACD, explica que as medidas de prevenção que são adotadas de forma genérica como usar máscara, lavar as mãos e respeitar o distanciamento social, são ações suficientes para combater o vírus, mesmo o banheiro sendo um ambiente com gotículas. "O recomendado é seguir regras de higiene normal e, se possível, usar máscara dentro do sanitário", reforça.

Cuidado com a aglomeração...

Com a volta a locais públicos, o cuidado e higienização devem ser feitos, mas o principal é evitar aglomerações nesses estabelecimentos, inclusive no ambiente de trabalho. Grinbaum reforça que as máscaras só complementam a prevenção. "Se temos um ambiente fechado e sem ventilação, a capacidade de proteção da máscara cai muito", afirma.

Segundo ele, o distanciamento de mais de três metros garante a eficácia da máscara. Já com um metro de distância, a proteção cai significativamente. Por isso é importante administrar a lotação de bares e outros locais públicos. "Mais importante que a higiene dos banheiros é a limpeza frequente das mãos, o distanciamento social e a disponibilização de equipamentos e treinamento de funcionários desses locais", reforça.

Além disso, rever a prática de autoatendimento, disponibilizando o funcionário para servir com anteparo de vidro ou acrílico para evitar contaminação do alimento por mãos ou partículas respiratórias dos usuários.

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