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Drible a síndrome da impostora, que leva à autossabotagem e afeta carreira

Esse quadro é comumente chamado de "síndrome da impostora", pois costuma acometer muitas mulheres - Istock
Esse quadro é comumente chamado de "síndrome da impostora", pois costuma acometer muitas mulheres Imagem: Istock

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

25/06/2020 04h00

Achar que chegou em determinado cargo por obra do acaso, não acreditar no lado profissional e se auto sabotar em diversas situações. Esses são alguns dos sintomas da síndrome do impostor, conhecida comumente no feminino, já que condição que assombra principalmente as mulheres —mas também pode atingir o sexo masculino.

Segundo os especialistas, embora não haja tantos estudos conclusivos sobre o tema, o fato de ser mais comum no gênero feminino se deve a aspectos sociais, como o fato de historicamente as mulheres terem ingressado mais tarde no mercado de trabalho e até hoje terem desigualdade em relação aos salários e posições de chefia.

Por isso é mais comum ver o problema se manifestar nelas no âmbito profissional. Em homens, a condição pode ser mais frequente no meio acadêmico, que envolvem pesquisas, mestrados, doutorados.

Em ambos os sexos, a origem pode ser multifatorial, ligada a frustrações ao longo da vida, situações estressantes e até de humilhação extrema no passado. O mais comum é aparecer no local de trabalho, mas também em relações afetivas. "A pessoa não se sente pertencente, reconhecida e merecedora daquilo que desempenha na vida", explica Natalia Pavani, psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

A especialista ressalta que a pessoa tem muita dificuldade em lidar com conquistas e há uma cobrança excessiva por desempenhar um trabalho excelente e sem falhas. No entanto, quando ocorrem erros, a pressão e a autocrítica surgem de forma exacerbada. "Errar é importante para o nosso desenvolvimento, mas é um processo de aceitação muito difícil para quem sofre com a síndrome", afirma a psicóloga.

De acordo com Stanley Rodrigues, psicólogo da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o problema começa afetar outras partes da vida do indivíduo, podendo provocar em algumas situações casos de burnout, mudanças no comportamento e relações no dia a dia. Além disso, pode gerar uma crença limitante, em que a pessoa sempre acha que é uma fraude, que não tem competência ou que alguém é melhor para determinada demanda de trabalho.

Autossabotagem x síndrome do impostor

Um dos sinais mais frequentes para quem sofre com a síndrome da impostora é a autossabotagem. Normalmente a pessoa adia ou até recusa promoções no trabalho, pelo simples fato de não acreditar que vai dar conta de determinado cargo ou função.

Mas não pense que a procrastinação ou autossabotagem sozinhas são necessariamente a síndrome. Muitas vezes, elas estão presentes no transtorno, mas também podem ocorrer em situações isoladas e nem por isso você sofre com o problema.

O que deve ser levado em consideração é se episódios como recusar certas promoções, reuniões, tarefas e outras atividades são adiados com frequência. E se o indivíduo não reconhece conquistas adquiridas ao longo da vida por mérito próprio, seja no lado pessoal ou profissional. Esses são alguns dos sinais de alerta para procurar um tratamento ou se abrir com alguém de confiança.

Sintomas mais frequentes da síndrome do impostor

  • Não sentir que pertence a um lugar, trabalho ou relacionamento;
  • Desmerecer suas conquistas e achar que foi sorte;
  • Fugir de situações em que ela acha que não domina;
  • Procrastinação constante;
  • Não saber lidar com erros e frustrações;
  • Perda da funcionalidade em atividades cotidianas.

Afetando as relações afetivas

O problema pode ir além do profissional. A síndrome do impostor pode atingir as pessoas em relações como namoro, casamentos e até amizades.

Por ter uma crença limitante e para evitar algumas frustrações, a pessoa já termina relações achando que é inferior ao parceiro (a), que determinado indivíduo se apaixonou ou está com ela por estar ou que pode ser um "passa tempo" e nunca pelas suas qualidades. "Existe pessoas que pedem até divórcio por causa disso. Geralmente a pessoa tem uma autoestima muito baixa e sofre com isso. Ela não consegue enxergar que há qualidades reais nelas e por isso rompes laços", diz Pavani.

Rodrigues reforça que de alguma forma ela vai se comparar com o outro e se achar inferior a ela. "Ela usa a fuga para fazer isso e não reconhece seu valor".

Tem tratamento?

Não é todo mundo que vai precisar fazer terapia para lidar com esses sintomas. No entanto, quando a situação foge do controle, é necessário procurar ajuda profissional. Normalmente o tratamento é feito apenas com psicoterapia.

Verifique se situações de autossabotagem ocorrem com frequência e se isso te atrapalha no dia a dia. Caso não queira procurar um psicológico ou psiquiatra, tente se abrir com alguém de confiança para ver se o problema é só impressão ou se realmente merece um olhar mais crítico e investigação.

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