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Infecção pelo novo coronavírus é maior entre moradores da mesma casa

Rastreio e isolamento de pessoas doentes que moram na mesma casa poderia reduzir casos de covid-19, diz estudo - iStock
Rastreio e isolamento de pessoas doentes que moram na mesma casa poderia reduzir casos de covid-19, diz estudo Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

19/06/2020 15h47

Um estudo publicado no periódico The Lancet Infectious Diseases mostrou que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) se espalha mais facilmente entre pessoas que vivem juntas e membros da mesma família — mesmo antes da pessoa infectada mostrar qualquer sintoma.

A pesquisa foi feita por especialistas da Universidade da Flórida; do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) de Guangzhou, na China; e do Laboratório de Patógenos e Biosegurança do Instituto de Microbiologia e Epidemiologia de Pequim, também na China.

Os dados ainda relevaram que a propagação do vírus no contexto familiar é mais fácil do que a observada nos casos da síndrome respiratória aguda (SARS) e na síndrome respiratória aguda do Oriente Médio (MERS), outras duas doenças provocadas por tipos diferentes de coronavírus.

Como o estudo foi feito?

Os pesquisadores usaram informações do banco de dados do CDC de Guangzhou para rastrear 349 pacientes diagnosticados com covid-19 e 1.964 contatos próximos deles (além das pessoas que viviam na mesma casa, foram considerados membros da família que moravam em local diferente, amigos e colegas de trabalho);

A interpretação dos dados confirmou o que já se sabia: os doentes eram capazes de transmitir o vírus tanto antes de desenvolverem sintomas quanto durante a manifestação da doença.

Porém, enquanto a taxa de ataque secundário (como é chamada a medida de frequência de casos novos de uma doença entre os contatos próximos de um caso primário da doença) da infecção é de 2,4% quando eles moram em locais diferentes, ela aumenta para 17% entre pessoas que residem na mesma casa; e 12,4% entre membros da mesma família que residem em espaços diferentes.

Os valores da taxa são quase o dobro do que foi estimado para a SARS (4,6%-8%) e quase o triplo do estimado para a MERS (4%-5%).

O estudo ainda mostrou que o risco de infecções "domésticas" é mais alta entre adultos acima dos 60 anos — uma taxa de infecção de 28% entre os que moram juntos e 18,4% entre os que não moram;

O risco, no entanto, se mostrou menor entre jovens abaixo dos 20 anos, com taxas de de infecção de 6,4% entre os que vivem na mesma residência e 5,2% entre outros membros da família.

Por que isso é importante?

Acredita-se que a transmissão entre pessoas que vivem na mesma casa foi um fator determinante no aumento das infecções na China mesmo após o sistema de "lockdown" ter sido implementado. Porém, até agora, poucos estudos haviam examinado a contaminação entre residentes de um mesmo espaço.

As descobertas do novo estudo, assim, sugerem que impedir a cadeia de transmissão entre familiares e moradores de uma mesma casa pode reduzir significativamente o número de doentes pela covid-19.

Para isso, no entanto, seria necessário identificar e isolar as pessoas infectadas, além de rastrear familiares e contatos próximos e os colocar em quarentena como forma de prevenção.

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