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Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável


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Exercícios além do físico: face, olhos e até cérebro podem ser trabalhados

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Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

19/06/2020 04h00

Quando você pensa em exercícios, o que lhe vem à cabeça? Pessoas na academia levantando peso, fazendo esteira ou praticando ioga? Corridas ou caminhada nos parques? Pois saiba que existem modalidades que vão além de trabalhar o físico, voltadas, por exemplo, para os olhos, a face, a voz, a respiração, o maxilar e até o cérebro.

Mas, atenção, assim como a atividade física exige cuidados, essas também. Muitas delas não podem ser praticadas aleatoriamente, e sim prescritas por um médico —oftalmologista, dermatologista, otorrinolaringologista, dentista e neurologista são algumas das especialistas— e orientadas por profissionais capacitados, como o fonoaudiólogo, o fisioterapeuta e o ortoptista.

Exercícios para a face

Exercícios faciais - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Melhorar a qualidade da pele, o tônus muscular subjacente e a circulação sanguínea, tonificar e reeducar os músculos faciais, eliminar linhas finas, suavizar rugas profundas e sinais de tensão do rosto, estimular o crescimento de colágeno e elastina e garantir uma aparência rejuvenescida e relaxada. Esses são os principais benefícios da ginástica facial.

E têm estudos que comprovam isso. Como o promovido pela Universidade Northwstern, de Chicago, nos Estados Unidos, e publicado na conceituada revista médica JAMA Dermatology. Ele mostrou que mulheres de meia-idade que seguiram uma rotina de 30 minutos de exercícios faciais, feitos diariamente ou em dias alternados durante cinco meses, conseguiram rejuvenescer até três anos.

"Quem não faz exercício físico, ou para de fazer por um período, fica com os músculos atrofiados. O mesmo acontece com a musculatura da face. Se ela não é trabalhada, perde a tonificação, e isso prejudica a sustentação da pele", comenta Denise Steiner, dermatologista e chefe do Serviço de Dermatologia da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Indicada para qualquer pessoa, a atividade para o rosto, acrescenta Alessandra Scavone, fonoaudióloga, acupunturista e especialista em ioga facial, atua de forma preventiva e corretiva. "Ela é muito útil para quem quer reduzir os sinais de envelhecimento e tensão, tanto os iniciais quanto os mais profundos, e quanto mais cedo for iniciada, melhores serão os resultados".

Apesar disso, as profissionais ponderam que a prática exige orientação. "Ginástica facial não é só fazer careta. Há movimentos específicos para cada músculo, e é preciso fazê-los corretamente. Caso contrário, corre-se o risco de um lado do rosto ficar mais hipertrófico ou até causar outro tipo de problema", complementa Steiner.

Exercícios de respiração

técnicas de respiração, meditação - iStock - iStock
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Ter uma respiração saudável impacta positivamente no funcionamento do corpo inteiro, já que todos os órgãos, tecidos e células necessitam de oxigênio para cumprirem corretamente seus papéis. Diante disso, melhorar a capacidade pulmonar é essencial, e os exercícios respiratórios são excelentes ferramentas.

"Qualquer pessoa pode aprender e se beneficiar de uma respiração mais eficiente, ou seja, de um movimento otimizado, que provoque maior movimento do diafragma e maior volume inspirado, com menor gasto energético", pontua Ada Clarice Gastaldi, professora do curso de Fisioterapia e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo).

Cadu Ramos, fisioterapeuta e especialista em aparelho respiratório e ventilação mecânica, relata que a "ginástica" pulmonar torna o órgão mais forte e resistente —portanto, menos suscetível ao surgimento de doenças—, e faz com que distribua melhor o oxigênio. "Isso contribui até para a ansiedade, o estresse e o relaxamento."

Segundo os especialistas, para pessoas saudáveis, a princípio, não existe contraindicação para a realização dos exercícios de respiração. Já quem sofre de doenças respiratórias crônicas, neuromusculares e de outras que provoquem o descontrole ventilatório e sensação de falta de ar, e também quem está em fase pré ou pós-cirúrgica, necessita de acompanhamento profissional.

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Exercícios para o cérebro

Mulher fazendo palavra-cruzada, exercício para o cérebro - iStock - iStock
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O cérebro, mesmo não sendo um músculo, também precisa ser exercitado constantemente, pois, como explica Jociane de Carvalho Myskiw, pesquisadora do Centro de Memórias do Inscer (Instituto do Cérebro), da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), essa ação estimula o crescimento de novos neurônios e vasos sanguíneos e a formação de novas redes neurais.

O resultado disso tudo é a otimização do funcionamento do órgão, prevenindo o déficit cognitivo e a perda de memória, o que, consequentemente, protege contra o desenvolvimento de patologias degenerativas, como Alzheimer e demências, e a melhora do raciocínio e da concentração.

A Universidade de Exeter e o King's College London, ambos do Reino Unido, pesquisaram o tema. Após avaliar 19 mil participantes com idade a partir de 50 anos, a conclusão foi de que quanto mais regularmente as pessoas se envolvem com quebra-cabeças, palavras cruzadas e sudoku, melhor é a sua função cerebral.

Pelo estudo, quem realiza essas atividades com frequência apresenta função cerebral dez anos mais jovem do que a sua idade em testes que avaliam o raciocínio gramatical, e oito anos mais jovens em testes que medem a memória de curto prazo.

"Desde criança, e em todas as fases da vida, é importante estimular o cérebro. Quando fazemos as mesmas coisas todos os dias, ele se acostuma e vira um hábito. Mas, quando introduzimos uma novidade, isso se torna um desafio e o mantém ativo", complementa a pesquisadora. E ela dá algumas dicas de exercício: palavras-cruzadas, sudoku, leitura, escrita, jogos de memória, quebra-cabeça, aprender algo novo, como tocar um instrumento e estudar um idioma, e introduzir mudanças na rotina, como fazer cada dia um caminho para ir ao trabalho e trocar o relógio de braço.

Exercícios para os olhos

Olho, mulher apontando para o olho - iStock - iStock
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Muita gente não sabe, mas os olhos também podem ser exercitados. A ginástica, neste caso, é indicada quando há alguma alteração da motilidade ocular (movimento dos olhos), especificamente estrabismo latente sintomático, insuficiência de convergência e desvio divergente intermitente.

"Os exercícios ortópticos (ou oculares) trabalham, habilitam e fortalecem todo o processo sensório-motor da visão. Por motor, entenda a musculatura extrínseca ocular e, por sensorial, a fusão, no cérebro, das imagens provenientes de cada um dos olhos. É preciso que haja harmonia entre eles, pois ambos só cumprem seus papéis se estiverem juntos", esclarece Andrea Pulchinelli Ferrari, ortoptista do Centro Oftalmológico Pacaembu, de São Paulo.

O objetivo principal desse tipo de treinamento é fazer com que o paciente consiga utilizar melhor as duas vistas, com grande impacto na sua qualidade de vida. Mas é preciso salientar que a prescrição é feita apenas após a realização de uma avaliação ortóptica, solicitada pelo oftalmologista, e a realização do tratamento tem de ser acompanhada de perto por um especialista.

"Cada paciente tem uma necessidade e, cada movimento, uma função, portanto, é fundamental fazê-los corretamente. E uma coisa que é essencial deixar claro é que não existe exercício para tratar erros de refração, catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e outros problemas oculares. Quem vende esse tipo de solução está fazendo propaganda enganosa", adverte Harley Bicas, coordenador do Conselho de Diretrizes e Gestão do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia).

Exercícios para o maxilar

Maxilar - iStock - iStock
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São muitas as pessoas que sofrem de DTM (Disfunções Temporomandibulares), anormalidade que atinge a ATM (articulação temporomandibular) e/ou os músculos da mastigação, e que têm como principais sintomas dor ou limitação para abrir ou movimentar a boca, ruídos no maxilar, travamento da mandíbula, dores na face e próximo ao ouvido, cansaço nos músculos faciais e dor de cabeça.

Mas você sabia que também existem atividades para tratar essa condição? De acordo com Daniel Bonotto, professor do curso da odontologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná), eles são tão importantes quanto uma fisioterapia para joelhos ou ombros, por exemplo.

"Os exercícios para a ATM ajudam na recuperação da função e dos movimentos bucais e da musculatura orofacial. Eles podem ser de relaxamento, fortalecimento, alongamento e mobilidade, dependendo da necessidade do indivíduo", diz o especialista.

Assim como acontece com as ginásticas faciais e oculares, essa também exige acompanhamento. "Não dá para ver um vídeo na internet e sair repetindo. Este tipo de tratamento é individualizado, feito com base em um criterioso diagnóstico e de acordo com a anatomia de cada um. Quando bem executado, tem ótimos resultados, mas, se feito sem critério, pode agravar o quadro", enfatiza Luciana Studart, especialista em motricidade orofacial e docente do Departamento de Fonoaudiologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Exercícios para a voz

Corda vocal, cordas vocais, garganta - iStock - iStock
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A voz é outro instrumento que pode ser trabalhado com ginástica, tendo os mais variados objetivos: condicionamento muscular, mudança de característica (voz muito fina, grossa, baixa ou alta, por exemplo) e reabilitação de lesões, como calo nas cordas vocais.

Segundo Leonardo Lopes, presidente da SBFa (Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia), os exercícios vocais, de modo geral, aprimoram o padrão motor da voz e da fala e prepararam as suas estruturas para que exerçam de forma mais eficiente as funções para as quais são destinadas.

Eles ainda melhoram a saúde da voz como um todo, pois proporcionam condicionamento e resistência —o que evita que seja sobrecarregada e fique fadigada com facilidade— e potencializa o seu uso. "Mas é preciso considerar que esses benefícios só são conquistados quando associados a hábitos saudáveis, o que inclui beber água regularmente, não gritar, não fumar, ter boa alimentação e praticar atividade física", indica o especialista.

Apesar de, a priori, qualquer pessoa poder praticar os exercícios vocais, a prescrição deve partir do médico otorrinolaringologista, que irá encaminhar para o fonoaudiólogo, a fim de que este profissional elabore o plano ideal para cada condição.

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