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Conheça a ECMO, aparelho que funciona como coração e pulmão artificiais

Akiromaru/Istock
Imagem: Akiromaru/Istock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

17/06/2020 11h00

Capaz de funcionar como um pulmão e um coração artificiais para pacientes que estão com os órgãos comprometidos a ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) é um equipamento de alta complexidade que, infelizmente, vem crescendo em popularidade em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

A máquina pode ser usada em pessoas de todas as idades, desde recém-nascidos até idosos, e possibilita substituir a atividade só do coração ou do pulmão, o que vem sendo feito com frequência por causa dos graves problemas respiratórios que a covid-19 traz.

Embora a descrição possa ser semelhante a do ventilador mecânico, a ECMO tem ação mais complexa.

"O respirador não substitui a função do pulmão do paciente, apenas fornece um fluxo de ar para o interior deles. Já a ECMO funciona como um pulmão adicional para pacientes com covid-19 cuja função pulmonar foi muito reduzida, e possibilita que o paciente tenha tempo e condição clínica para se recuperar", explica Celso Freitas, diretor médico da LivaNova, empresa global de tecnologia médica.

Como ele funciona

A técnica faz a circulação e a oxigenação artificiais do sangue por meio de uma máquina ligada ao paciente através de cateteres.

O procedimento de alta complexidade é realizado em casos graves nos quais o paciente sofre comprometimento severo pulmonar ou circulatório, que poderiam levar a morte, aumentando as chances de sobrevida.

Quais os principais benefícios que a ECMO oferece?

  • Equilibrar a circulação de maneira rápida e eficaz
  • Dar tempo para o pulmão ou coração se recuperarem
  • Manter o coração e/ou o pulmão funcionando enquanto o paciente trata a causa que o levou ao uso da ECMO
  • Possibilidade de receber hemodiálise ou fazer procedimentos cirúrgicos paralelamente ao uso da máquina

Riscos do uso da ECMO

Hemorragia
"Pode ocorrer por que o sangue deve ser mantido anticoagulado para evitar que coagule na tubulação. Usamos um remédio chamado heparina para prevenir", explica Carlos Sousa, médico intensivista e líder do time ECMO do Hospital São Domingos, em São Luís (MA).

Sabendo do risco, a equipe treinada acompanha o paciente de perto. Se o sangramento aumenta, a ECMO pode precisar ser interrompida.

Infecção
O risco é comum para todos os procedimentos que requerem tubos no corpo, especialmente dentro de um vaso sanguíneo.

Embolia
Pequenos coágulos ou bolhas de ar podem entrar no sangue dos tubos. Às vezes, podem causar lesão para outras partes do corpo e até mesmo ser fatal.

AVC
A artéria carótida é usada na ECMO que utiliza o vaso sanguíneo veno-arterial. Esta artéria é um dos vasos que levam o sangue para o cérebro. Durante ou após a ECMO, há possibilidade de obstrução dela.

Os riscos a longo prazo não são conhecidos e um aumento da chance de acidente vascular cerebral pode ocorrer quando a pessoa envelhece. Além disso, tanto os sangramentos como as embolias descritas acima podem provocar AVC.

Para quais casos o equipamento é recomendado ou contraindicado?

"Para que o paciente tenha a indicação da ECMO, é necessário que seu quadro seja reversível, já que não é possível deixá-lo na máquina para sempre", aponta Rafaella Calmon, cardiologista pediátrica e especialista em ECMO do Sabará Hospital Infantil (SP).

As indicações são diversas e devem ser bem avaliadas por uma equipe com treinamento especializado para usar a tecnologia. Entre as mais comuns, estão:

  • Insuficiência respiratória aguda (pela incapacidade de oxigenação do sangue ou do pulmão eliminar o gás carbônico).
  • Recém-nascidos que apresentem problemas no coração ou no pulmão, como a síndrome de aspiração de mecônio, caracterizada pela dificuldade em respirar do bebê que aspirou a matéria fecal estéril denominada mecônio para dentro dos pulmões antes ou perto da ocasião do parto.
  • Pneumonia ou bronquiolite graves.
  • Pós-operatório de cirurgias quando o órgão ainda não voltou a funcionar normalmente.
  • Inflamação ou falha do coração (miocardites).

Entre as contraindicações, os médicos apontam:

  • Crianças com idade gestacional menor do que 34 semanas e peso de nascimento menor do que 200 gramas, já que o equipamento é grande demais para elas.
  • Pacientes que passaram muito tempo em ventilação e já têm danos pulmonares.
  • Coagulopatia grave e/ou hemorragia.
  • Outras anomalias congênitas.
  • Falência múltipla de órgãos.
  • Doenças pulmonares ou cardiovasculares irreversíveis.

Tecnologia ainda não é encontrada na maioria dos hospitais brasileiros

Uma análise feita pelo NATS (Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) aponta que o custo do suporte por meio de ECMO ainda é alto.

"Felizmente, hoje já temos operadoras de saúde se atualizando e cobrindo boa partes dos custos da máquina. No passado, a família assinava uma autorização para o uso do equipamento, por necessidade, sem saber quanto ficaria a conta no final", afirma Calmon.

De acordo com a médica, em 2009, houve um crescimento no uso dos aparelhos no Brasil pela pandemia da gripe suína. "Agora, com a covid-19, a discussão voltou à tona para incorporá-los cada vez mais. Apesar de os centros que têm as máquinas já atenderem bem os pacientes, existem várias versões da máquina em outros países que não temos aqui, e queremos mais materiais de qualidade no Brasil", explica.

Mas para incorporar o tratamento com ECMO aos hospitais, não bastam as máquinas. "A terapia toda é complexa e, por isso, os hospitais precisam de capacidade de intervenção bem avançada e equipes treinadas para operar o equipamento e acompanhar os pacientes", esclarece Souza.

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