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Enzima hiperativa causa hipertensão hereditária, relata estudo

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do VivaBem, em São Paulo

13/06/2020 11h47

No início da década de 1970, uma família turca chamou a atenção de pesquisadores médicos por apresentarem dedos curtos e pressão arterial extremamente alta, às vezes duas vezes maior que a de pessoas saudáveis.

Cerca de vinte anos depois, um grupo de cientistas do Max Delbrück Center for Molecular Medicine, um centro médico na Alemanha, começaram a estudar o fenômeno misterioso. Até maio de 2015, a equipe relatou a revista Nature Genetics que haviam encontrado um gene alterado em todos os parentes afetados pela síndrome. O distúrbio genético ficou conhecido como síndrome de Bilginturan, em homenagem ao pesquisador turco que o descobriu.

A composição genética codifica uma enzima chamada fosfodiesterase 3A, ou PDE3A, que regula a pressão sanguínea e o crescimento ósseo. A mutação genética descoberta pelos cientistas faz com que a enzima seja mais ativa do que o habitual.

Pesquisadores fornecem as evidências que faltam

No entanto, não existiam ainda evidências que mostrassem que o PDE3A mutado causa a síndrome de Bilginturan, que já foi descoberta em outras famílias ao redor do mundo.

Agora, um grupo internacional de 40 pesquisadores conseguiu relacionar os quadros e os autores descrevem sua pesquisa na revista Circulation. "Trabalhamos principalmente com dois modelos animais. Um dos modelos consistia em camundongos geneticamente modificados nos quais a enzima humana PDE3A nas células musculares lisas das paredes dos vasos estava hiperativa devido à alteração genética. Esses animais exibiram pressão arterial extremamente alta quando comparados aos animais de controle", explicou Lajos Markó, co-autor do artigo, ao site EurekAlert.

Em outro modelo, com ajuda da ferramenta de edição de genes, a equipe alterou a região do gene PDE3A que sofre mutação na síndrome e assim como nos pacientes, essa pequena mudança aumentou a atividade da enzima.

De acordo com os cientistas, os ratos não apenas sofriam de pressão alta, mas os dedos dos pés também ficaram curtos — semelhantes aos dedos das pessoas com a síndrom". E usando a tomografia computadorizada, a equipe descobriu um laço proeminente nos vasos cerebrais dos ratos que também é encontrado em pessoas com a síndrome.

O objetivo é tratar a hipertensão de maneira mais eficaz

Os pesquisadores agora desenvolvem uma abordagem para o tratamento dessa forma herdada de pressão alta. A ideia é administrar o riociguat, uma droga já aprovada para a hipertensão pulmonar. Segundo os responsáveis pela análise, ela ativa uma enzima que produz uma molécula de sinalização e diminui o PDE3A hiperativo.

Além disso, a equipe busca entender como o PDE3A, mutado interage com outras moléculas de proteína.

"Assim podemos entender como eles estão envolvidos na regulação da pressão arterial e esperamos encontrar novas e mais eficazes abordagens terapêuticas para uma das doenças mais comuns de todas, a hipertensão", afirmou Enno Klußmann, um dos autores.