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Hormônios sexuais fazem doenças serem diferentes em homens e mulheres

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Imagem: Istock

Tiago Varella

Da Agência Einsten

09/06/2020 12h56

Algumas doenças apresentam um evidente viés de acordo com o gênero, interferindo na prevalência e provocando sintomas diferentes em homens e mulheres. Embora ainda não haja uma comprovação científica para isso, estudos apontam que os hormônios sexuais estrógeno (feminino) e testosterona (masculino) estejam diretamente relacionados na manifestação dessas enfermidades.

"Ainda não sabemos exatamente o que provoca a ocorrência diferenciada dessas doenças entre homens e mulheres, mas a questão hormonal sempre é colocada em discussão. As propriedades dos hormônios e a diferença das taxas hormonais com o avanço da idade podem ser determinantes", explica o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

A Covid-19, por exemplo, tem acometido homens de forma mais severa. Por essa razão, estudos nos Estados Unidos e no Brasil investigam o papel do estrogênio na imunidade contra o novo coronavírus. Sabe-se que o hormônio, um dos responsáveis pelas características femininas, desempenha papel no sistema de defesa do corpo (em geral, mulheres são menos vulneráveis às infecções).

Outras doenças que se manifestam distintivamente entre pessoas do gênero feminino e do masculino:

  • Diabetes do tipo 1 (congênita) ou do tipo 2 (associada ao estilo de vida) não tem predileção por gênero, mas mulheres têm de duas a quatro vezes mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares associadas ao diabetes. No caso de infarto, muitos dos sinais também são distintos: elas podem ter mais enjoo, falta de ar, cansaço sem explicação e arritmia (desequilíbrio nos batimentos cardíacos). Os sintomas podem ser confundidos com os de outras enfermidades, atrasando o socorro.

Problemas na tireoide também entram nessa lista. Mulheres apresentam maior risco de hipotiroidismo, quando a glândula perde parte da capacidade de funcionamento e passa a produzir menos hormônios tiroidianos, envolvidos no desenvolvimento dos tecidos e no metabolismo. Em relação a nódulo na tireoide, é mais comum em mulheres e costuma ser benigno. Nos homens, há risco maior de serem malignos.

• Os hormônios sexuais feminino e masculino atuam no fortalecimento dos ossos, mas com a diminuição do nível de estrogênio após a menopausa, há o aumento de casos de osteoporose nas mulheres. Como a taxa de testosterona não tem uma queda brusca nos homens, essa doença e as fraturas decorrentes dela não costumam afetá-los.

• No caso da esquizofrenia, estudos mostram que o gênero é um fator preditivo relevante na evolução da doença. O hormônio sexual masculino não pode ser considerado a causa, mas atua como um facilitador em quem tem predisposição genética para desenvolver transtorno esquizofrênico.

• Popularmente conhecida como gordura no fígado, a esteatose hepática é mais prevalente em homens. Além de contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a esteatose hepática pode causar cirrose.

• Por fim estão as doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, cujo desvio é o maior em relação as enfermidades com "predisposição" sexual, têm prevalência maior entre as mulheres. Um receptor de estrógeno localizado nas células de defesa pode estar associado à ação irregular do sistema imunológico, que passa a atacar as células saudáveis do corpo.

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