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Sentindo tédio essa quarentena? Veja dicas de psicólogos para reverter isso

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Imagem: iStock

Diego Garcia

Colaboração para o VivaBem

04/06/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Tédio é uma sensação ruim em que as coisas perdem o sentido, as atividades que costumamos fazer perdem a razão por não nos dar prazer ou satisfação
  • Explorar atividades novas que gostaríamos, mas nunca fizemos, é uma das dicas, assim como criar horários para realização de tarefas e tempo livre
  • Todos podemos sentir tédio, mas quanto mais sabermos identificar nossos gatilhos, mais podemos evitá-lo

Após mais de dois meses estando em casa nesta quarentena é possível que você acredite que já tenha feito de tudo o que poderia fazer estando em casa: algum curso online, várias conversas por vídeo com amigos e familiares, assistido todo o catálogo de filmes e séries do seu streaming favorito, lido livros e revistas, cozinhado e feito exercícios. E você deve estar se perguntando, e agora? Embora seja um sentimento normal e que todos podemos sentir, é possível lidar com o tédio e tirar proveito dele.

Seja por não sair de casa, seja por dificuldade de se adaptar a essa nova realidade, o isolamento nos propicia mais possibilidades de sentirmos tédio. Depende muito do que realizamos. Se não estamos fazendo algo que consideramos gratificante, existe uma sensação de que o tempo está passando, nos consumindo e nós não estamos produzindo algo agradável e todas as nossas tarefas começam a se tornar desgastantes.

Cortando o mal pela raiz

Ninguém gosta de ficar entediado. Se soubermos os seus gatilhos, podemos evitar ou fazer com que ele passe logo. Mudanças bruscas na rotina devido a fatores alheios a nós, a obrigação de participar de atividades em que não conseguimos observar sentido, são exemplos de situações que podem nos trazer tédio.

Toda vez que realizamos alguma atividade que não nos dá prazer ou satisfação, podemos sentir tédio. Se aquilo que você faz ou tem de fazer perde o sentido, a efetividade positiva ou até mesmo negativa, fatalmente você fica entediado. O corpo também sinaliza: ficamos mais inertes e esgotados quando realizamos atividades em que não encontramos prazer ou alegria.

Após identificar o gatilho, analise o contexto. Perguntar "o que eu tenho feito que está me dando algum tipo de gratificação, algum tipo de prazer, alguma função ou valor" e assim por diante, pode te ajudar a sair da zona de conforto em que você está e encontrar atividades que te propiciem momentos de alegria e completude.

O lado bom do tédio

Em si, o tédio não é nada positivo, mas, dependendo da sua perspectiva e do que você faz com esse sentimento, é possível enxergar a situação de outro ponto de vista e se beneficiar disto. Mas depende, claro, da sua escolha: se quer mudar ou permanecer no tédio em que está. Você tem a possibilidade de refletir e então se arriscar em novas atividades de interesse, novos hábitos, objetivos e metas.

Dependendo do seu olhar, você pode desenvolver uma nova atividade muito interessante que a correria de antes não lhe permitia experimentar. Este também é um bom momento de, por exemplo, resgatar antigos hábitos ou mesmo atividades que você sempre quis começar, mas por qualquer motivo não fazia, tanto para o trabalho quanto para a vida pessoal.

Pode ser que você pense, "mas eu não sei nada" ou "eu não tenho ideia de como fazer" e tudo bem. Mas tente ir além desse pensamento e aproveite essa oportunidade para explorar e descobrir novidades. Um bom jeito de começar é fazendo pesquisas diversas na internet, conversando com amigos e conhecidos que já desenvolvem algo que você acha interessante, mas nunca tentou fazer também. A partir disso, você vai avaliando e construindo aquilo que você se propôs.

E se nada disso der certo?

Tente realizar as dicas dos especialistas que consultamos. Lembrando que nada substitui uma psicoterapia, mas pode te ajudar a entender um pouco mais sobre esse sentimento e a lidar com ele. Quando se está entediado, analisar o porquê deste tédio e o que pode fazer com isso, buscar entender o que isso está sinalizando para você.

1. Explore novas possibilidades Faça uma reflexão de algumas questões, como por exemplo, o que você gosta de fazer? O que tem curiosidade de fazer? O que você já gostou de fazer? O quê que você sempre fez e deixou de fazer? E assim por diante. Coloque tudo no papel e se pergunte quais suas emoções enquanto realiza essas atividades que gosta ou gostaria de fazer, o porquê que você gosta daquilo. Essas questões ter permitirão criar um objetivo e explorar, buscar aquilo que você não conhece, mas quer conhecer. Saia da teoria e aplique na prática, realize não uma, mas várias atividades, e depois reavalie se gostou ou não.

2. Estabeleça um objetivo É muito importante ter um propósito, um objetivo. Ao longo do tempo, porém, você pode ter quedas e acabar não querendo mais realizar aquilo que te levará ao seu objetivo, por isso o "porquê" é uma das fontes mais fortes e lembrar disso vai te ajudar a manter suas atividades e te encorajar quando não encontrar sentido para suas tarefas.

3. Crie uma rotina Tem um ditado que diz que só damos vamos valor a algo quando perdemos. Podemos dizer que a rotina é uma delas. Ter horários, mesmo que dentro de casa, nos permite saber um pouco melhor o que vai acontecer hoje ou no próximo dia, o que faremos, o que queremos fazer e, também, nos permite pensar em planos legais para realizar nos períodos de folga, nos mantém focados e nos dá uma sensação de segurança.

4. Procure um psicoterapeuta Na atual circunstância, está cada vez mais acentuado o sentimento de insegurança sobre o futuro. A realidade é que nós nunca tivemos muita segurança sobre futuro, mas a gente tinha mais uma expectativa à partir do que estávamos vivendo nos últimos tempos, tínhamos, por exemplo, a expectativa do que o amanhã seria parecido com hoje, por exemplo, as coisas tinham uma certa estabilidade, até que de repente veio algo que mudou tudo e nos trouxe insegurança. Algumas pessoas têm um pouco mais de dificuldade de readaptação nesse período, então é bem relevante e bem importante que as pessoas que estão com mais dificuldade procurem um psicoterapeuta (psicólogo ou psiquiatra). Muitos estão atendendo online (alguns até gratuitamente). Esses profissionais podem agregar muito nessa fase de pandemia, de tédio e de ficar mais em casa.

Quando o problema é além do tédio

Dependendo da frequência e intensidade, o tédio pode ser sinal de algum outro problema. Esse sentimento não costuma ter uma duração muito longa: não é comum estar entediado por dois meses ou ainda passar todos os dias entediado. Quando ele passa a durar mais tempo, é necessário investigar um pouco melhor se é apenas tédio ou se é um desânimo, ou outro sentimento, humor ou outra emoção que está disfarçada de tédio. Vale procurar um profissional de saúde mental para investigar o que de fato acontece. Aproveite esse tempo de quarentena para fazer uma pausa e uma reflexão sobre sua própria vida.

Fontes: Rafael Coelho Rodrigues, psicólogo e doutor em psicologia pela Universidade Federal Fluminense e docente da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia); e Yuri Busin, psicólogo, doutor em neurociência do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental - Equilíbrio (CASME).

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