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Coronavírus: existe risco de fazer o isolamento junto com os amigos?

Em entrevista, Cleo revelou que está passando o período de isolamento com amigos por questões de saúde mental - Reprodução / Instagram
Em entrevista, Cleo revelou que está passando o período de isolamento com amigos por questões de saúde mental Imagem: Reprodução / Instagram

Do VivaBem, em São Paulo

30/05/2020 14h38

Em entrevista recente, a cantora e atriz Cleo revelou que está fazendo o isolamento social recomendado para evitar a propagação do novo coronavírus com alguns amigos em Brasília.

De acordo com a cantora e atriz, a decisão foi tomada após tanto ela como outros amigos perceberem que teriam dificuldades durante o período. "Assim como eu, eles perceberam no início do isolamento que não poderiam passar sozinhos — por uma questão de saúde mental mesmo. Então, nos reunimos para dar suporte um ao outro", disse, em entrevista à revista Quem.

Mas, afinal, existe algum risco em fazer esse tipo de acordo?

Medida pede comprometimento de todos

Não há nenhum problema em juntar um grupo de amigos para passar por esse período tão complexo — afinal, muitas pessoas já moram com mais pessoas e estão fazendo a quarentena acompanhadas. "É uma situação semelhante a de quem vive com outros membros da família, por exemplo", afirma Heber Azevedo - Infectologista da BP - A Beneficiencia Portuguesa de São Paulo.

No entanto, é importante lembrar que o grupo possui pessoas de origens diferentes, com hábitos de vida e comportamentos igualmente distintos. Por isso, é fundamental que todos se comprometam a seguir o isolamento, sob o risco de expor os demais a uma possível infecção. "Basta apenas um indivíduo quebrar esse pacto para colocar tudo a perder", alerta o médico.

Isso significa, por exemplo, não receber pessoas de fora do grupo para visitas ou festas. Quem sair de casa para fazer compras ou porque precisa trabalhar também deve se atentar para os cuidados preventivos: tirar o sapato ao entrar em casa, trocar de roupa e lavar as mãos com água e sabão, além de evitar contatos íntimos (como beijos e abraços).

Suporte emocional é válido

O ser humano é uma "criatura" social. Por isso, o isolamento imposto neste momento é um estressor a mais que pode agravar a tensão naturalmente gerada pela situação. E, se a pessoa já sofre com outros distúrbios psicológicos, como ansiedade e depressão, o quadro pode ficar ainda pior.

A própria OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece que, por conta da apreensão e do isolamento impostos pela situação, há grandes chances do mundo entrar em uma crise de saúde mental após o fim da pandemia.

Nesse sentido, manter-se em quarentena com amigos íntimos é uma forma válida de espantar a solidão e garantir apoio emocional. "A impossibilidade de viver a vida em todo seu potencial nos abalou", afirma Dorli Kamkhagi, psicóloga do Laboratório de Neurociências do IPq do HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo).

"É importante, então, buscar um pouco de prazer e conforto emocional, algo que pode ser alcançado por meio das relações familiares ou de amizade", afirma.

A convivência com outras pessoas também é uma forma de ter mais olhos ajudando a monitorar o nosso estado mental — que, após quase três meses, já começa a dar sinais de exaustão para muitas pessoas.

A especialista alerta que sintomas como irritabilidade, insônia, explosões de raiva ou de outros sentimentos indicam que é hora de buscar ajuda psicológica e/ou psiquiátrica para tentar amenizar essas sensações.

Tolerância é chave para manter a paz

Uma das consequências do isolamento com mais pessoas é um possível desgaste na relação. Afinal, com o maior tempo que passamos juntos, coisas pequenas — como aquela mania de deixar sapatos na sala ou de não lavar a louça — acabam se tornando muito mais incômodas.

Uma forma de evitar esse estresse é aceitar as diferenças uns dos outros e manter um canal sempre aberto para o diálogo. É preciso também ter em mente que todos ali estão passando por uma situação potencialmente difícil (a distância de pessoas queridas e a interrupção da vida como ela era) e, portanto, podem ter dias ruins também.

Por fim, estabeleçam combinados sobre as atividades de rotina da casa para que todos possam contribuir e não sobrecarreguem ninguém.

* com informações de reportagens publicadas em 16/03/2020 e 08/05/2020.