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TPM piorada: conheça transtorno disfórico pré-menstrual e como identificar

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Imagem: iStock

Luciana Borges

Colaboração para o VivaBem

29/05/2020 04h00

"A primeira vez que percebi que a minha TPM estava puxada demais foi em 2016. Me batia um cansaço muito grande, eu estava mais sensível do que o normal, mais chorosa e, ao mesmo tempo, impaciente comigo mesma por me sentir assim". O depoimento é da atriz baiana Juliana Bebé, de 36 anos, que somente depois de quatro meses sofrendo com um vai-e-vém emocional mais que incômodo —quase paralisante — conseguiu descobrir que passava pelo Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, chamado de TDPM.

O termo, ainda desconhecido para a maioria das pessoas, atinge um número considerável de mulheres. Mais precisamente entre 3% a 8% de quem menstrua, como conta Lídia Hyun Joo Myung, ginecologista, professora de cirurgia ginecológica minimamente invasiva na BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

No TDPM, explica Myung, os sintomas pré-menstruais podem se tornar mais graves e estão particularmente associados às alterações de humor e de comportamento social. "Pode haver um prejuízo real no equilíbrio do relacionamento tanto familiar como profissional", reforça a médica. Foi exatamente por isso que Juliana Bebé passou quando se viu com o problema: "Me sentia abalada na minha criatividade. Você começa a se fechar para as outras pessoas, não se comunicar tanto. O cansaço emocional é muito grande e contínuo", diz a atriz .

Fique alerta aos sinais do corpo

"Os momentos que antecedem a menstruação da mulher são aqueles em que ocorre uma variação hormonal muito grande", explica Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês e do Albert Einstein. "Primeiro há um aumento na produção de progesterona e, na sequência, a queda abrupta desse hormônio cerca de dois dias antes do início da menstruação", explica ele.

"Nesse período do ciclo feminino é frequente uma fase de melancolia, de leve depressão; um sentimento um pouco de isolamento, de falta de vontade em relação às coisas, e um aumento da irritabilidade. Mas se você sofre do Transtorno Disfórico Pré-Menstrual, há uma exacerbação das questões emocionais e até físicas. Pode haver uma sensação de depressão com choro ininterrupto que não melhora com nenhum tipo de atitude; ou uma compulsão alimentar intensa, além de irritação. Seria o extremo da TPM", diz Pupo.

Myung ressalta também que se deve ficar de olho em sintomas como pensamentos autodepreciativos, ansiedade, sensação de fadiga e letargia, alteração do padrão do sono, além de inchaço das mamas, dor de cabeça e ganho de peso.

Como é o tratamento?

O tratamento varia de caso para caso, dependendo da severidade dos sintomas. Algumas ações são bem conhecidas entre as recomendações médicas básicas para se manter uma vida equilibrada. Entre elas estão fazer atividade física regular e privilegiar uma alimentação saudável. "Fitoterápicos como o extrato de Vitex agnus-castus e o óleo de prímula são recomendados, bem como terapias complementares como meditação, yoga e até acupuntura. Em casos mais graves, há o uso de contraceptivos hormonais para se bloquear o ciclo ovariano natural e o uso de antidepressivos em baixa dose, que tem mostrado ótimos resultados terapêuticos", conta Myung.

Cuidar do estresse também ajuda

Cenários de estresse podem piorar a TPM. "Uma mulher que tem uma TPM mais exacerbada pode ter um rompimento de seus pontos de apoio e equilíbrio, e evoluir para a TDPM", comenta Pupo. E sabemos que a vida moderna e sua ode ao conceito de estar sempre produzindo não facilitam a dança hormonal feminina que acontece todo mês. E isso tem sido reforçado com a quarentena e o isolamento social.

"O primeiro passo é identificar onde a vida daquela mulher está sofrendo ruptura, quais são os fatores que influenciam nesse estado. Se há brigas, questões familiares a serem resolvidas, qual a situação econômica e profissional em que ela está, se sofre bullying ou algum achaque no trabalho", reforça Pupo. "Minha visão é de que as pressões profissionais diárias, associadas a cuidar dos filhos, da casa e, às vezes, até do marido, impõem às mulheres uma rotina muito forte, muito agressiva, comprometendo seus espaços de introspecção, de olhar para o interior de si mesmas. O mundo moderno não é preparado para aceitar as questões naturais da mulher", refoça o médico especialista.

Para Juliana Bebé, que passou por um outro episódio de TDPM no final de 2019, a saída para não sofrer outra vez com o transtorno foi, justamente, dar maior atenção para si mesma. A atriz agora observa melhor como seu corpo reage durante os diversos períodos do mês, toma medicação controlada leve e não para as atividades físicas nem na quarentena: "Tenho muita vontade de popularizar esse tema, fazer um espetáculo teatral sobre ele. A minha alegria, a minha criatividade, tudo isso voltou melhor depois que me tratei. Gostaria que que a TDPM deixasse de ser tabu".

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