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"Teste de anticorpos positivo não é atestado de imunidade", diz pesquisador

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Imagem: iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

25/05/2020 11h00

Enquanto muitos que já sofreram com a covid-19 acreditam estar imunes após receber um resultado positivo no teste que identifica anticorpos teoricamente protetores contra o novo coronavírus, Orlando Ferreira, professor e pesquisador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), explica que não é bem assim.

"Com os testes rápidos, várias pessoas estavam imaginando poder voltar à 'vida normal', sem chances de pegar o vírus novamente. Mas na verdade, o exame só comprova que você já foi infectado uma vez. Ele não é totalmente confiável e um dos motivos é justamente a maneira como é feito", afirma.

De acordo com Ferreira, o teste sorológico procura por um anticorpo que funcionaria contra determinada proteína do vírus. E existem várias: algumas ficam na superfície e outras na parte de dentro, protegidas pela membrana.

"Você coloca o antígeno com o soro do paciente e descobre o resultado. O problema é que cada teste procura por uma determinada proteína. A que consideramos mais provável de ser a responsável pela entrada do vírus na célula é a proteína S, mas nem todos a identificam, muitos procuram por proteínas no interior do vírus. Além disso, aqui no Brasil, com a maioria dos testes, não sabemos qual tipo de anticorpo está sendo buscado no exame. Ou seja: sim, aponta que você teve covid-19, mas não diz se está imune", esclarece o pesquisador.

Então como sabemos se o anticorpo que o indivíduo tem protege contra a nova infecção?

A melhor maneira, explica Ferreira, é usar a metodologia do teste PRNT em laboratório. Para realizá-lo, os profissionais manipulam o vírus e, por isso, o ambiente precisa de um nível de segurança superior.

"Uma célula suscetível é colocada in vitro em contato com o vírus para imitar a infecção. Depois, entra o soro do paciente em várias diluições. Aí conseguimos ver com qual diluição é possível neutralizar a entrada do vírus na célula. Esse processo poderia ajudar a dizer se existe um anticorpo que evita uma nova contaminação ou não, mas não é possível fazer em massa. É demorado e exige um método científico meticuloso."

UFRJ está desenvolvendo novo teste

O pesquisador explica que a proteína S é apenas uma pequena região específica que interage com o receptor da célula, permitindo a entrada do vírus. Para detectar o anticorpo com maior precisão, a universidade trabalha para desenvolver um novo teste.

Uma vez que o anticorpo ideal é identificado, o objetivo final é conseguir replicá-lo em laboratório para potencialmente usar como terapia. "Mas temos que ter certeza que está inibindo a entrada de vírus na célula. Ainda estamos longe da criação de um medicamento assim", aponta o professor.

Ainda há muitas dúvidas acerca da imunidade

"Ainda não sabemos quanto tempo depois do contágio o corpo começa a produzir anticorpos contra a proteína S, qual quantidade precisa ser produzida para barrar ou por quanto tempo o organismo vai continuar produzindo o anticorpo. Se ele produz agora, não sabemos se no ano que vem, se houver uma nova onda do coronavírus, ainda terá a proteção", afirma.

E se o vírus sofrer mutação na região que seria o receptor da célula, o indivíduo teria que produzir outros anticorpos —começando a busca pela garantia da imunidade outra vez.

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