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Pingar azeite quente no ouvido ajuda a melhorar a dor e tratar infecções?

Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

20/05/2020 04h00

Na lista de tratamentos caseiros para curar dor de ouvido (otalgia) —problema comum, sobretudo, entre as crianças—, um bastante utilizado é pingar uma gota de azeite aquecido no canal auditivo. Muita gente garante que a prática alivia as dores e traz conforto, mas será mesmo? E ela tem riscos?

Na verdade, o que ajuda a melhorar o incômodo não é o óleo, mas sim o calor, pois ele aumenta a circulação local. Sendo assim, o mais indicado nessas situações é colocar uma compressa sobre a orelha, feita com pano limpo, morno e seco, ou então uma bolsa de água quente, tomando cuidado para não esquentá-la demais.

Quando se trata do azeite, é importante destacar que pingá-lo no ouvido —assim como qualquer outra substância—, ainda mais aquecido, pode ser altamente perigoso. Além do risco de queimaduras e de agravamento do quadro, se houver alguma infecção da pele do canal auditivo, trauma, ou pior, perfuração da membrana timpânica, as chances de complicações, com prejuízos à audição, são grandes.

Quais são as causas da dor de ouvido?

As causas mais comuns de dor de ouvido são as infecções (conhecidas como otites) virais, bacterianas e fúngicas. Elas são divididas em média e externa. A primeira acontece na região da orelha média, que fica atrás do tímpano e estabelece ligação com o nariz, e está mais relacionada com gripes, resfriados e sinusites por causa da secreção acumulada na região nasal.

Já as otites externas se dão no canal auditivo (vai do tímpano até a parte de fora da orelha) e são associadas a dois fatores: umidade, por isso é mais frequente no verão, quando as pessoas costumam ir à piscina e à praia, e lesões na pele, provocadas, por exemplo, pela introdução de hastes flexíveis com algodão para remoção do cerúmen (cera).

Outras doenças não relacionadas diretamente aos ouvidos também podem causar dor no local, como disfunção da ATM (articulação temporomandibular), problemas nos dentes e tumores na rinofaringe, no pescoço e no crânio.

Como se dá o tratamento?

O tratamento da otite depende da causa, e esta somente será identificada por meio de uma avaliação otorrinolaringológica adequada. Na maioria das vezes, as indicações de terapia são os analgésicos simples (paracetamol e dipirona), para alívio da dor, e os antibióticos.

Vale salientar que a regra geral dos médicos é evitar a automedicação, incluindo a aplicação de substâncias, como o azeite, na orelha. A única permissão, como adiantamos, são as compressas mornas. Junto a isso, é imprescindível não deixar entrar água no local, para não piorar a doença e os sintomas.

Agora, para passar longe das infecções e das dores, o cuidado principal é não usar hastes flexíveis, palito, grampo ou outro instrumento para limpar os ouvidos, já que essa ação mais empurra a cera do que retira, e ainda pode machucar o canal auditivo, perfurar a membrana timpânica e lesionar a pele, abrindo uma porta de entrada para os microrganismos.

Também é importante limpar regularmente as narinas, utilizando soro fisiológico ou produto similar. Isso evita o acúmulo de secreção nas fossas nasais, especialmente em casos de infecção das vias aéreas superiores.

Fontes: André Fraga Moreira, otorrinolaringologista do Hospital Albert Sabin de São Paulo; Edson Ibrahim Mitre, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) e Raimar Weber, otorrinolaringologista pediátrico do Sabará Hospital Infantil.