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Estudo propõe intercalar lockdown e relaxamento para conter coronavírus

Imagem de lockdown decretado em São Luís (MA) - Governo do Maranhão
Imagem de lockdown decretado em São Luís (MA) Imagem: Governo do Maranhão

Do VivaBem, em São Paulo

20/05/2020 15h01

Um estudo da Europa sugere um ciclo alternativo de 50 dias de lockdown seguido de 30 dias de relaxamento das restrições como estratégia para manter baixas as mortes da covid-19 e reduzir ao mínimo os danos às economias.

"Essa combinação entre distanciamento social e um período de relativo relaxamento, com testes eficientes, isolamento de casos, rastreamento de contatos e proteção dos vulneráveis, pode permitir que as populações e suas economias nacionais 'respirem' em intervalos. É um potencial que pode tornar essa solução mais sustentável, especialmente em regiões pobres", disse Rajiv Chowdhury, epidemiologista de saúde global da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

O estudo, publicado no European Journal of Epidemiology, analisou três cenários em 16 países da África, sul e oeste da Ásia, Austrália, Europa Ocidental, América do Norte e América do Sul que variam em termos de renda. Os Estados Unidos não foram incluídos na pesquisa.

O primeiro modelo, que não envolveu medidas como o lockdown, resultou em mais pacientes com o novo coronavírus do que as unidades de terapia intensiva disponíveis em quase todos os países. O estudo projetou 7,8 milhões de mortes apenas nesses 16 países.

O segundo cenário analisou um plano contínuo de 50 dias de medidas restritivas, mas que não chegam a ser igual ao lockdown, seguidos de 30 dias de relaxamento. De acordo com a Universidade de Cambridge, essa estratégia pode reduzir o número de pessoas que cada indivíduo infectado passa a infectar para 0,8 em todos os países.

Porém, isso não seria suficiente para manter o número de pacientes em UTI abaixo da capacidade disponível. O estudo diz que funcionaria nos primeiros três meses, mas acabaria resultando em 3,5 milhões de mortes nesses 16 países, e a pandemia poderia durar de 12 a 18 meses, dependendo da região.

O modelo final seria de 50 dias de lockdown rigoroso, seguidos de 30 dias de relaxamento. Seriam dois turnos deste modelo. O estudo constatou que isso reduziria o número de pessoas que cada indivíduo infectado passa a infectar para 0,5 e manteria a demanda de UTI dentro do nível que todos os países poderiam suportar. As mortes por covid-19 em todos os 16 países seriam de 130.000 pessoas, mas o período de pandemia passaria para além de 18 meses em todos os países.

Os autores do estudo ainda consideraram uma estratégia de três meses seguidos de lockdown rigoroso. Eles também analisaram regras mais flexíveis que durariam mais de meio ano. Neste cenário, os novos casos de covid-19 zerariam, mas os pesquisadores disseram que esse modelo é insustentável devido ao efeito nas economias.

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