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Não gosto de chás, comer a folha de uma erva tem o mesmo efeito da infusão?

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

19/05/2020 04h00

Não. Isso porque, para muitas plantas medicinais, o processo do calor da água recém-fervida (infusão) extrai ativos importantes que podem estar relacionados a efeitos terapêuticos e que não serão obtidos caso a pessoa consuma a erva in natura. Por outro lado, é preciso ficar atento ao modo de preparo desses chás, para assim evitar que algumas propriedades se percam nesse processo.

A maioria das folhas, por exemplo, não suporta a temperatura de ebulição, então, para não perder os seus princípios ativos, a dica é não deixar a água ferver. Isso também é válido para as flores e frutos. Para saber a temperatura ideal da água, perceba quando pequenas bolhas começarem a se formar no fundo da chaleira. Este é o momento para despejar a água por cima da planta medicinal na xícara ou outro recipiente. Se por acaso aquecer demais, deixe esfriar antes de colocar o líquido em contato com a planta. Durante o tempo de infusão, não mexa a bebida, deixe-a repousando naturalmente.

Algumas plantas medicinais até serão melhor aproveitadas se ingeridas como tinturas vegetais, extratos fluidos, secos, na forma de fitoterápicos e, inclusive, in natura. Mas, para isso, o melhor é sempre procurar a ajuda de um profissional de saúde com formação de fitoterapia para que indique a melhor planta medicinal e a forma de consumo. Caso a in natura seja prescrita, a higienização prévia é muito importante antes de comer a planta medicinal. O armazenamento deve ser feito em frascos com boa vedação, protegidos da luz e em locais secos e limpos para também não ocorrer proliferação de microrganismo. E evite colocar as mãos nas plantas secas para adicionar aos alimentos, pois podem ser contaminadas por fungos, bactérias e umidade. O ideal é usar uma colher.

É importante saber que a infusão não é a única forma de preparo das plantas medicinais. Isso porque, algumas partes, como a flor do Citrus aurantium, utilizada em quadros leves de ansiedade e insônia, por exemplo, possuem substâncias termolábeis (sensíveis ao aquecimento). Nesse caso, a maceração pode ser indicada. Tudo irá depender da planta medicinal e da sua parte utilizada. Mas, atenção: macerar não significa esmagar, e sim deixar a planta "de molho" em água fria, por tempo determinado conforme cada espécie. Depois, mexer, coar e ingerir.

Além da infusão e da maceração, existe também o processo de decocção. Nele, a planta medicinal é fervida por alguns minutos e deixada em repouso em um recipiente fechado. Na hora do consumo, basta coá-la antes. E independentemente da forma de consumo ou preparo dessas plantas medicinais, elas não estão isentas de riscos à saúde. A ingestão frequente e sem orientação adequada pode interferir na ação dos medicamentos utilizados (aumentando efeitos adversos, toxicidade ou prejudicando o efeito), mascarar sintomas de doenças e retardar ou prejudicar o diagnóstico. Por isso, como dito: sempre antes de consumir qualquer planta medicinal procure um profissional de saúde com formação em fitoterapia.

Fontes: Esthela Oliveira, nutróloga, médica do esporte e membro titular da SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte); Sula de Camargo, nutricionista, colaboradora do CRN-3 (Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região SP-MS) e consultora técnica da Asbran (Associação Brasileira de Nutrição); e Wylma Hossaka, nutróloga da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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