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Estudo: um quarto dos vídeos sobre covid-19 no YouTube têm informação falsa

A página inicial do YouTube - SOPA Images/SOPA Images/LightRocket via Gett
A página inicial do YouTube Imagem: SOPA Images/SOPA Images/LightRocket via Gett

Do UOL, em São Paulo

14/05/2020 12h23

Um estudo conduzido por pesquisadores canadenses concluiu que mais de um quarto dos vídeos mais vistos sobre o novo coronavírus no YouTube trazem informações erradas sobre o vírus, suas formas de tratamento, infecção e recomendações. Juntos, esses vídeos já tiveram mais de 60 milhões de visualizações.

Publicado na edição online da revista científica "BMJ Global Health", o estudo "YouTube como fonte de informaçãoda covid-19: uma pandemia de desinformação?" verificou que o conteúdo desses vídeos traz muita desinformação, com boa parte dedicada a falar sobre teorias da conspiração.

"Nossas descobertas são preocupantes porque mostram o vasto alcance da desinformação, com um grande potencial de dano. Esses danos incluem comportamentos destrutivos que prejudicam o gerenciamento coletivo bem-sucedido dessa pandemia", disse a autora principal da pesquisa, Heidi Li, em entrevista à Vice.

Para avaliar o conteúdo, os pesquisadores buscaram vídeos usando os termos "coronavírus" e "covid-19" no YouTube. Foram selecionados 69 vídeos, em inglês, com um total de mãos de 250 milhões de visualizações.

Posteriormente, o grupo organizou o conteúdo em 8 categorias de autoria: grupos de mídia, consumidores, notícias de entretenimento, notícias de internet; profissionais; jornais; educação e governo. Depois eles foram separados em factuais e não-factuais.

Segundo o estudo, 27,5% dos vídeos, ou seja, 19 dos 69 selecionados, continham informações não factuais enganosas. Esses vídeos reuniram "declarações sobre teorias da conspiração, informações não-factuais, recomendações inadequadas e inconsistentes com as diretrizes oficiais do governo e agências de saúde e declarações discriminatórias".

Li ressaltou que esse tipo de conteúdo foi maior em vídeos feitos por consumidores. Os vídeos de organizações profissionais e governamentais foram os mais informativos e apresentaram um conteúdo de melhor a qualidade, mas não tinham bom rendimento no quesito visualização.

"Mais de um quarto dos vídeos mais vistos do YouTube sobre a covid-19 continha informações enganosas, alcançando milhões de espectadores em todo o mundo. À medida que a atual pandemia da covid-19 piora, as agências de saúde pública devem usar melhor o YouTube para fornecer informações oportunas e precisas e minimizar a disseminação de informações erradas", pontua o estudo.

Sobre o tema, o YouTube emitiu o seguinte posicionamento:

"Estamos sempre interessados em ver estudos sobre o YouTube e buscar formatos de parceria com pesquisadores. No entanto, acreditamos que a pesquisa mencionada não reflete com precisão quais canais e vídeos são populares no YouTube, uma vez que é difícil tirar conclusões amplas de amostras muito pequenas, e o próprio estudo reconhece as limitações da amostra utilizada. Temos o compromisso de fornecer informações oportunas e úteis neste momento crítico. Até agora, já removemos milhares e milhares de vídeos por violar nossas políticas relacionadas à COVID-19 e direcionamos dezenas de bilhões de usuários para sites de organizações de saúde globais e locais por meio de nossa página inicial e nossos painéis de informações."

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