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Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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"Pessoas já recebem fórmula do que é felicidade e não refletem", diz Tiburi

Reprodução/UOL
Imagem: Reprodução/UOL

Do VivaBem, em São Paulo

11/05/2020 15h25

O UOL Debate de hoje se propôs a discutir a busca pela felicidade enquanto estamos em distanciamento social e diante da ansiedade gerada pela covid-19.

Marcaram presença Monja Cohen, referência do Zen Budismo no Brasil; Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo); a filósofa Márcia Tiburi, doutora pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Lucas Liedke, psicanalista formado pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e analista de cultura e comportamento. O bate-papo foi mediado por Jairo Bouer, psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), bacharel em biologia pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e colunista de VivaBem.

Durante o debate, os especialistas analisaram se é possível ser feliz mesmo em uma situação tão crítica quanto a que estamos vivendo e responderam ao questionamento de Bouer: "Discutir felicidade em um país em que quase a metade da população depende de suporte financeiro do governo faz sentido? Não é um ponto de vista elitista?"

Para Tiburi, muitas pessoas sequer se propõe a pergunta, já que estão submetidas a meios que não dão proporcionam espaço para dúvida. "A compra da felicidade já vem pronta em um videoclipe, na ideia de determinada sexualidade, a alimentação ou estilo de vida burguês. E o questionamento é importante porque pode deslocar o sentido da nossa vida para um lugar muito interessante", afirma.

"Tem gente que está em clima campo de guerra, e em uma hora como essa, conseguir fazer essas reflexões talvez seja um pouco mais difícil — você está focando em conseguir se alimentar e estar vivo. Mas mesmo assim, acredito que da para chegar a criar um 'furo' nessa felicidade pronta. A pandemia pode ser o momento de refletirmos sobre o que ta saindo caro demais, o que podemos cortar de nossas vidas, estabelecer novas práticas e cobrar comportamentos. Estamos passando por muitas perdas: de liberdade, direitos, emprego, falência, vidas. Elas são irreparáveis, mas ainda podemos colocar uma luz sobre alguns assuntos: estamos pensando mais nas nossas escolhas, políticas, de vida pessoal e consumo", afirma Liedke.

"Uma senhora que ficou várias vezes na fila da Caixa Econômica para sacar o auxílio e conseguiu, dirá: isso é felicidade. Ou, para alguém que estava com a geladeira vazia, conseguir uma cesta básica é a felicidade. Os níveis são diferentes. Se houver suficiência nós teremos uma sociedade mais harmoniosa. Mas não é só o dinheiro ou o conhecimento que dá a felicidade: existem pessoas vazias de si mesmas. Eu noto que as populações mais carentes são ainda as que mais compartilham. Enquanto há outras que nem sequer falam com quem bate na porta", reflete.

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